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Vendedor de água de coco fez fama no Sumaré, em SP – 18/01/2026 – Cotidiano

Quem costuma caminhar pelo parque da Sabesp já sabe: era tradição depois do exercício físico comprar água de coco daquele senhor na esquina perto dali, entre as avenidas Doutor Arnaldo e Professor Alfonso Bovero. Ele era praticamente uma celebridade por lá, tamanho carisma.

Aliás, Perdizes, onde fica a esquina, e o bairro vizinho Sumaré, abraçaram Zenildo Pereira da Silva, então imigrante pernambucano de 16 anos, na sua chegada a São Paulo. Fincou raízes, fez família e fama naquela região da zona oeste paulistana.

No início, o garoto foi trabalhar em padarias. Sabia fazer todos os tipos de lanches e falava com carinho de uma antiga patroa na avenida Lins de Vasconcelos. A chamava de segunda mãe.

Zenildo voltou para o Nordeste, mas no início dos anos 1980 retornou a São Paulo, para a grande transformação. Foi quando se estabeleceu como vendedor de coco verde na mesma esquina onde o negócio segue até hoje.

“Meu pai se apaixonou pelo bairro quando chegou a São Paulo e fez muitas amizades”, diz o filho e sucessor Rafael Cordeiro da Silva.

O negócio sobreviveu à política de fiscalização da prefeitura nos anos 2000. Prosperou. Pouco antes da pandemia, começou o serviço de entrega. Foi um sucesso. Atualmente são quatro motos no delivery.

O nome Água de Coco do Zé foi registrado. “Meu pai virou marca, é um motivo de orgulho”, diz Rafael. “Ele sempre falava para se ter humildade, pois o vento pode mudar de direção amanhã.”

Há duas décadas, resolveu se mudar para a velha Kombi estacionada na esquina da avenida Doutor Arnaldo. Lá morou até o fim da vida.

Zé cresceu, mas enfrentou momentos difíceis. Perdeu a neta, Brendha, vítima de atropelamento. Em 2023, seu filho mais velho, Zenildo Júnior (pai da menina), foi assassinado. Nove meses depois, morreu seu caçula, Erick, vítima de acidente de moto.

Um sobrinho, tratado como filho, também acabou morto. “Nossa família aprendeu a conviver com as tragédias”, diz Rafael. “Tudo isso tirou o brilho dos olhos do meu pai, mas ele seguia firme e forte, nunca reclamou de nada.”

As desavenças não o fizeram abaixar a cabeça. Pelo contrário, esbanjava conversa e conselhos para a clientela fiel.

“Se eu estivesse meio triste, ele tinha uma palavra ou incentivo para me animar. E as vitórias eram festejadas também”, disse à Folha o músico e apresentador Luiz Thunderbird, que foi às redes sociais lamentar a morte do vendedor.

“Quando cheguei na MTV Brasil, em 1990, ‘seu’ Zé já estava lá na esquina, em frente ao prédio da emissora. A amizade foi imediata. Era um sujeito iluminado”, diz.

O cantor Chico César contou, em sua conta no Instagram, que em 2022 fez uma música para ele, cujo refrão diz “que o melhor do Sumaré é o coco do Zé”.

Zé passou a noite do último Natal na casa de Rafael, que até tentou convencê-lo a ficar lá. Mas o pai disse que precisaria voltar para a Kombi, pois seus outros filhos “iriam visitá-lo quando estivesse dormindo”.

Zenildo Pereira da Silva morreu no último dia 6 de janeiro, aos 71 anos. Deixou a ex-mulher Maria de Fátima, o filho Rafael, o neto Guilherme e a atual companheira Maria Hélia dos Anjos.

Autor: Folha

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