O primeiro-ministro britânico Keir Starmer bloqueou um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para permitir que forças americanas usem bases aéreas britânicas durante qualquer ataque preventivo ao Irã, alegando que isso poderia violar o direito internacional, segundo múltiplos relatos na mídia britânica citando fontes governamentais.
Segundo o jornal The Times de Londres, que noticiou primeiro a divergência sobre o acesso às bases aéreas, Starmer negou o uso da RAF Fairford, na Inglaterra, e de Diego Garcia — território ultramarino britânico no Oceano Índico — para qualquer ataque ao Irã.
As duas bases têm servido há muito tempo como pontos de apoio militares americanos cruciais para operações distantes, sendo Diego Garcia um aeródromo fundamental para a frota de bombardeiros pesados dos Estados Unidos.
O The Times relata que o Reino Unido está preocupado com o fato de permitir que os EUA usem as bases “seria uma violação do direito internacional, que não faz distinção entre um Estado que realiza o ataque e aqueles que o apoiam, caso estes últimos tenham ‘conhecimento das circunstâncias do ato internacionalmente ilícito'”.
O The Times citou fontes do governo britânico. Os veículos BBC, The Guardian e The Telegraph também publicaram posteriormente seus próprios relatos sobre o bloqueio do acesso às bases, citando fontes.
Pedidos americanos para usar bases britânicas para fins operacionais historicamente têm sido considerados caso a caso, com critérios precisos retidos por razões de segurança sob acordos de longa data.
“Todas as decisões sobre aprovar o uso de bases militares no Reino Unido por nações estrangeiras para fins operacionais consideram a base legal e a justificativa política para qualquer atividade proposta,” escreveu Al Carns, ministro dos Veteranos, em resposta a perguntas do parlamentar britânico independente, Jeremy Corbyn, segundo um relatório de janeiro do UK Defence Journal.
Starmer e Trump realizaram uma ligação telefônica na noite de terça-feira (17), com comunicados dizendo que os dois discutiram a paz no Oriente Médio e na Europa.
No dia seguinte, Trump usou sua plataforma Truth Social para retirar o apoio a um acordo que transferiria a soberania das Ilhas Chagos, o arquipélago do Oceano Índico que abriga a Instalação de Apoio Naval conjunto EUA-Reino Unido de Diego Garcia, para Maurícia em troca de um arrendamento de 99 anos da base militar.
A CNN procurou a Casa Branca para comentários.
O Reino Unido havia separado as Ilhas Chagos da Maurícia antes que essa colônia obtivesse independência, algo que tem sido fonte de atrito diplomático, bem como múltiplas batalhas judiciais com moradores locais que foram despejados
Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça determinou que o Reino Unido deveria devolver as ilhas “o mais rapidamente possível”, para que pudessem ser descolonizadas.
Um acordo para devolvê-las tem percorrido os canais do governo britânico desde então, com Londres argumentando que um compromisso de arrendamento evitaria futuras batalhas judiciais caras e provavelmente inúteis, mantendo o acesso militar no Oceano Índico.
Após inicialmente se opor ao acordo Reino Unido-Maurícia, Trump no início de fevereiro disse que era o “melhor” que Londres poderia conseguir dadas as circunstâncias.
Mas como os Estados Unidos têm aumentado suas forças na região para um possível ataque ao Irã, Trump mudou de posição, dizendo em uma publicação na Truth Social, rede social criada por ele mesmo, que Starmer está “cometendo um grande erro” ao concordar com o acordo de arrendamento da Maurícia.
“O primeiro-ministro Starmer está perdendo o controle desta importante Ilha por reivindicações de entidades nunca antes conhecidas. Em nossa opinião, elas são fictícias por natureza”, disse ele na publicação.
Mas apenas um dia antes, o Departamento de Estado dos EUA emitiu um comunicado dizendo, em parte, que Washington “apoia a decisão do Reino Unido de prosseguir com seu acordo com Maurícia.”
Questionada sobre a discrepância entre a publicação na Truth Social e o comunicado do Departamento de Estado, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a fala do presidente deve ser considerada como a “política” da administração Trump.
Em sua publicação nas redes sociais, Trump fez referência direta às duas bases aéreas britânicas, citadas pela mídia, como importantes em um possível ataque ao Irã.
“Pode ser necessário que os Estados Unidos usem Diego Garcia e a Base Aérea localizada em Fairford, para erradicar um potencial ataque de um regime altamente instável e perigoso”, escreveu o presidente americano.
Nem Diego Garcia nem Fairford, a principal base operacional avançada para bombardeiros estratégicos dos EUA na Europa, foram utilizadas no ataque pontual de bombardeiros B-2 contra instalações nucleares iranianas em junho do ano passado.
Naquela ocasião, os bombardeiros furtivos realizaram uma viagem de ida e volta de cerca de 37 horas a partir de sua base no Missouri.
Mas analistas preveem que qualquer novo ataque dos americano contra Teerã poderá ser uma campanha muito mais longa, possivelmente de semanas ou mais.
Mas analistas preveem que qualquer nova ação dos EUA ao Irã pode ser uma campanha muito mais longa, possivelmente durando semanas ou mais.
Em tal campanha, ter os B-2, assim como os bombardeiros B-1 e B-52, utilizando bases milhares de quilômetros mais próximas ao Irã permitiria retornos mais rápidos para rearmamento e reabastecimento para mais ataques.
Embora os EUA possam ter acesso a outras bases em países aliados mais próximos ao Irã, utilizá-las poderia colocar sua prestigiada frota de bombardeiros pesados ao alcance de ataques retaliatórios de mísseis iranianos.
Autor: CNN Brasil









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