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O Carnaval é das mães, das crianças e de todo mundo – 20/02/2026 – Cotidiano

Organizamos um bloco que (r)existe no Carnaval de São Paulo desde 2007. Nos intitulamos o bloco mais amador, amado e amante da Pauliceia. Levamos o Saia de Chita para as ruas todos esses anos e nunca tivemos patrocínio privado. Saímos com o nosso trabalho, doações de amigos, recursos de eventuais shows e, mais recentemente, algum apoio do edital da prefeitura. Verba que não dá conta de financiar tudo o que custa para botar um bloco na rua.

Nos dedicamos a fazer Carnaval na cidade com amor. E buscamos incluir todo mundo. Mesmo. Por isso, a experiência que Anna Virginia Balloussier, jornalista desta Folha, relatou nos pegou de surpresa. Outras famílias em situações similares tinham feito comentários positivos sobre o acolhimento em nosso bloco durante o cortejo deste ano.

Começamos como um bloco pequeno, comunitário, com mais ritmistas que público. Como todo o Carnaval de rua de São Paulo, crescemos. Nesse contexto, a partir de 2024, optamos por sair em ruas mais largas e contar, pela primeira vez, com um caminhão de som.

A escolha de ter um veículo motorizado nos demanda obedecer diversas regras, e não apenas a obrigatoriedade de uma corda física e de ter cordeiros devidamente identificados dentro dela, mas também a necessidade de garantir margens de segurança entre a corda e o caminhão e a proibição de ter dentro desse espaço pessoas que não estejam efetivamente trabalhando para a festa acontecer.

Sabemos que a corda não é simpática, mas para nós ela não é camarote, nem dispositivo de segregação da rua. Nós tocamos no chão, lado a lado de quem brinca. Na corda não se entra só por ser amigo, mas para ajudar o bloco a sair. Dentro dela, estão a bateria, a harmonia, o corpo de baile e quem está no apoio. E podem entrar (como entraram) pessoas em condições especiais, em situação de risco ou passando mal, em um acolhimento pontual e excepcional, dentro de nosso limite de espaço.

No episódio narrado, quem estava responsável no momento não viu ali uma situação de risco que necessitasse de acolhimento. Aliás, não houve, no cortejo de 2026, nenhum incidente ou episódio preocupante, o que nos deixa muito felizes.

Sabemos que é difícil para uma mãe estar sozinha com duas filhas pequenas num bloco de Carnaval. E estamos dispostos a pensar o que podemos fazer para tornar o bloco cada vez mais gostoso para todas.

Porque lugar de mãe é, sim, no Carnaval. E de criança também. O Saia foi pioneiro, entre os coletivos paulistanos, ao parir outro bloco, totalmente dedicado às crianças e suas famílias. O Sainha de Chita desfila na cidade desde 2017.

E também queremos as crianças no “Saião”. Delas depende o futuro do Carnaval. Para elas, a festa precisa ser convidativa e segura. E precisa ser segura para as mães delas. E para os idosos. E para as pessoas com deficiência. E para todas as pessoas. E isso não se faz dentro da corda.

Essa é uma questão estrutural. Não se trata de bloco fulano ou beltrano. Segurança, inclusive para as crianças, tem a ver com gestão do espaço urbano, fechamento e limpeza das vias, rotas de saída, banheiros químicos no percurso, apoio na distribuição de água e foliões que respeitem a dinâmica da rua.

Segurança no Carnaval se relaciona sobretudo com uma força policial que garanta o direito à folia e não que reprima a festa, como tem ocorrido no Carnaval paulistano nos últimos anos.

O Vai Quem Qué, outro bloco tradicional e comunitário como nós, foi atacado na terça de Carnaval pela GCM. Foram violentadas ali mães e crianças. E essa é a principal denúncia que devemos fazer este ano. E exigir resposta de quem é de fato responsável.

O Saia é um coletivo de amigas e amigos que se propõem a ocupar as ruas com liberdade e alegria. Um coletivo que rejeita o assédio desde que surgiu. Um grupo liderado sobretudo por mulheres. Em grande parte, mães, que acreditamos nessa festa como valor para nossos filhos. Pessoas que acreditam no Carnaval como demanda coletiva por uma cidade mais democrática. Pessoas que não apenas brincam, mas que fazem Carnaval de rua e, assim, também buscam soluções para seus problemas.

Vamos juntas?

Autor: Folha

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