Até para os padrões surreais da política fluminense, a cena impressiona pelo descaramento e o amadorismo. Mas sobretudo por revelar o grau de infiltração criminosa nas instituições, risco para o qual a Agência Brasileira de Inteligência alertou em recente relatório.
Imagens das câmeras do condomínio do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, o mostraram em setembro fazendo uma mudança rápida e destruindo provas. Era a noite anterior à Operação Zargun, na qual ele foi preso sob a acusação de fazer negócios com o Comando Vermelho.
TH Joias usou um caminhão-baú para retirar o material. Segundo a Polícia Federal, ele limpou seus celulares, mas pegou um aparelho novo para conversar com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e mostrar um freezer com carnes para churrasco: “Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Esses filhos das putas vão roubar as carnes”. Em resposta, Bacellar deu a ordem: “Deixa isso aí. Tá doido! Larga isso aí”.
O vídeo enviado por TH Joias —que responde a processos por tráfico de drogas, corrupção, formação de quadrilha e comércio ilegal de armas— é considerado pela PF a principal evidência de que o líder da Alerj se envolveu no vazamento da operação.
No dia da prisão de Bacellar, a polícia encontrou uma mochila com R$ 90 mil em seu carro —quem anda com tanto dinheiro vivo? E para comprar o quê? Seus três celulares foram apreendidos. Desde então, muita gente na Alerj não consegue dormir.
Reeleito presidente da casa por unanimidade, com votos do PT e do PSOL, ele era o principal nome da direita para disputar o governo estadual em 2026, tendo como adversário o prefeito Eduardo Paes. Já tumultuada, a sucessão continua incerta com o projeto de candidatura presidencial do filho 01, que vai precisar de um palanque forte no berço do bolsonarismo. Ressurge a opção do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, que sempre foi o preferido de Bolsonaro ao Palácio Guanabara.
O futuro do Rio de Janeiro está nos celulares de Bacellar.
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