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EUA barram regulação obrigatória de IA defendida por Lula

O maior acordo diplomático da história sobre inteligência artificial nasceu grande — mas sem muita força.

Neste sábado (21), 88 países assinaram na Índia um documento sobre IA batizado de “Declaração de Délhi”. O encontro, chamado de “Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026”, reuniu chefes de Estado, executivos de tecnologia e representantes de entidades internacionais para discutir como o mundo deve lidar com uma tecnologia que avança mais rápido do que os governos conseguem acompanhar.

Mas o pacto só saiu do papel depois de perder qualquer caráter obrigatório. Em outras palavras: nenhum país será forçado a seguir o que assinou.

O afrouxamento aconteceu devido à resistência dos Estados Unidos, que rejeitaram a proposta de transformar o acordo em uma espécie de lei internacional para a IA.

O impasse só se resolveu quando ficou definido que as diretrizes seriam “voluntárias e não vinculantes” — um jeito técnico de dizer que cada governo pode seguir ou ignorar o combinado conforme sua conveniência.

Na prática, o maior pacto global já firmado sobre inteligência artificial virou uma carta de boas intenções.

Quem inova, manda

A divisão entre os países foi clara. De um lado, o presidente Lula, o francês Emmanuel Macron e o indiano Narendra Modi defenderam regras globais rígidas para evitar que a tecnologia seja usada de forma autoritária, concentre poder demais nas mãos de poucos ou provoque danos irreversíveis à sociedade.

Do outro lado, os EUA adotaram uma postura mais pragmática e, principalmente, estratégica. O chefe da delegação americana, Michael Kratsios, chegou a classificar as propostas de regulação mais duras como “cosméticas” e não escondeu o raciocínio de Washington — autonomia e poder no mundo moderno não vêm de restringir tecnologia, e sim de dominá-la.

A mensagem de Kratsios, um dos principais conselheiros de Donald Trump nessa área, é direta: quem lidera a inovação define as regras. No fim, prevaleceu o modelo americano.

O que diz o texto

Mesmo sem força legal, o documento traz propostas ambiciosas. Entre elas a criação de uma plataforma internacional para compartilhar protocolos de segurança e o compromisso de ampliar o acesso de países mais pobres à infraestrutura necessária para desenvolver IA.

O texto também dá prioridade a aplicações em áreas como medicina e agricultura. Além disso, prevê um plano para enfrentar os efeitos da automação em massa sobre o mercado de trabalho nos próximos cinco anos.

O evento na Índia contou com cerca de US$ 300 bilhões de dólares em investimentos e reuniu, durante cinco dias, alguns dos principais nomes da indústria de tecnologia global.  Entre eles Sam Altman, (líder da OpenAI, empresa por trás do ChatGPT), Demis Hassabis (neurocientista e CEO do laboratório de IA do Google) e Dario Amodei (cofundador da Anthropic, companhia criadora da ferramenta Claude).

Autor: Gazeta do Povo

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