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Atraso também governa o Brasil na crise do clima – 22/02/2026 – Marcelo Leite

Três meses depois de fechar a COP30 com documento pífio, o governo brasileiro publicou um sumário executivo de seu Plano Clima. Um amontoado de boas intenções, longe de um mapa do caminho para cumprir metas do Acordo de Paris (2015). E, pior, sem indicar quando se livrará de combustíveis fósseis.

Verdade que só saiu o sumário, não um mapeamento em alta resolução, detalhando setor por setor como chegar lá. O país continua no escuro quanto à rota para descarbonizar a economia, zerando emissões nas duas próximas décadas, como exige a meta de manter o aquecimento global no limiar de 1,5ºC.

Quase todo o esforço de reduzir gases do efeito estufa aqui lançados na atmosfera se concentra no uso da terra (leia-se: desmatamento para agropecuária). Faz sentido, porque essa atividade responde por 70% das emissões nacionais.

O objetivo declarado é zerar desmatamento ilegal até 2030. Mesmo que Lula se reeleja, contra o que trabalham empresários de todos os campos e não só ruralistas, os quatro anos restantes não bastarão para eliminar 13 mil km2 de devastação ainda medidos em 2025 na Amazônia e no cerrado, mesmo com redução de 50% desde 2022.

Tão fantasiosa quanto se afigura a promessa de recuperar 12 milhões de hectares de matas até 2030. São 120 mil km2, área quase do tamanho do Ceará (81%). Pouco mais de um quarto (28%) disso se realizou em nove anos, e seria necessário quadruplicar o ritmo de restauração, pelos próximos quatro, para 17 mil km2 anuais (área equivalente a 11 municípios de São Paulo).

O Instituto Escolhas projeta o investimento necessário em R$ 228 bilhões, quatro vezes o rombo do Banco Master de Daniel Vorcaro no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Onde está o plano para levantar a grana? Negacionistas de direita em Brasília andam mais aflitos com delações do BRB, imagens de Trancoso e sócios do Tayayá do que com o clima.

Embora não pesem tanto hoje na emissão de carbono quanto o desmatamento, indústria, transportes e energia contam com espaço no Plano Clima para aumentar o lançamento de gases do efeito estufa. Sintoma evidente de que Planalto e Petrobras não planejam abandonar o vício em combustíveis fósseis.

Na geração de eletricidade, o país vive um paradoxo. A descarbonização pode avançar aí de três maneiras: com mais hidrelétricas, energia nuclear ou fontes limpas (eólica e fotovoltaica).

A primeira opção tem sido prejudicada pela justa resistência social à construção de grandes reservatórios e ao dano a populações locais e ao ambiente —para nada dizer da corrupção por empreiteiras. No que toca à segunda, o governo não consegue decidir nem se termina Angra 3, obra paralisada desde 2015.

O sucesso da geração com turbinas de vento e painéis solares, veja só, passou a ser um problema, cuja “solução” seria aumentar o parque de termelétricas fósseis para estabilizar e suprir o sistema elétrico em picos noturnos ou quando falta vento. Se não fôssemos tão atrasados, estaríamos programando bancos de baterias e hidrelétricas reversíveis, bombeando água a montante para armazenar energia.

O atraso tem consequências funestas, como já se escreveu.

P.S.: Este texto foi pesquisado, mas não escrito, com ajuda de inteligência artificial.

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Autor: Folha

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