
Um dos maiores nomes do varejo brasileiro está deixando de ser gigante para virar lembrança. A Americanas, que em seus anos de auge espalhou quase 2 mil lojas pelo país, agora encolhe como quem tenta sobreviver aos próprios escombros. Desde o pedido de recuperação judicial, em janeiro de 2023, a rede já perdeu 22% do seu tamanho. O que antes era expansão virou retração contínua.
Quando entrou com o pedido na Justiça, eram 1.880 lojas abertas. Hoje, o número é um retrato da contração. Apenas 1.470 unidades permaneciam em funcionamento até dezembro do ano passado. Só em 2025, 193 pontos fecharam as portas. A queda de 11,6% em relação aos 1.663 estabelecimentos registrados em dezembro de 2024 evidencia que o movimento não desacelera. Ele se aprofunda.
O fechamento da clássica unidade do Shopping Iguatemi, em São Paulo, é mais do que uma simples decisão operacional. A loja, instalada em um dos endereços mais valorizados do país, encerrou atividades com prateleiras vazias e aluguéis em atraso. Um ícone do varejo fechando silenciosamente em pleno centro financeiro.
A empresa afirma que o movimento integra um plano de transformação e redimensionamento, com foco na jornada do consumidor e na aderência ao modelo de negócio atual. Na prática, o que se vê é uma rede cada vez menor, mais concentrada e fragilizada.
Outro ponto vendido foi o da Avenida Nilo Peçanha, em Duque de Caxias, que será convertido em loja do supermercado Guanabara. O espaço que antes carregava a marca de um gigante do varejo agora muda de bandeira. É um sinal claro de perda de território.
Mesmo com 170 lojas ainda no estado do Rio de Janeiro, a empresa sustenta que o fechamento pontual não traz grandes impactos. O discurso institucional fala em ajustes naturais do varejo. Os números indicam algo mais profundo.
Em dezembro do ano passado, 150,66 milhões de itens foram vendidos. Desses, 99,98% saíram das lojas físicas. O digital, que deveria ser o caminho de recuperação e modernização, praticamente inexiste. Pouco mais de 26 mil itens foram vendidos online. Em um mercado cada vez mais dominado pelo comércio eletrônico, a dependência quase absoluta do ponto físico expõe fragilidades estruturais.
A base de clientes acompanha a retração. Só em 2025, quase 7 milhões de consumidores deixaram de comprar na rede. De 47,3 milhões de clientes ativos em dezembro de 2024, o número caiu para 40,8 milhões ao fim do ano passado. Menos lojas, menos vendas digitais, menos clientes.








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