A fisioterapeuta Raquel Castanharo, 39, acaba de lançar pela Planeta “Este livro não é só sobre corrida”, em que compila parte notável do conteúdo que veicula na web, material utilíssimo para corredores iniciantes e ainda mais para aqueles que supõem entender do riscado.
Obcecada por pesquisa científica, que traduz com brilhante didatismo, e com experiência de prática clínica, ela se notabilizou por explicar o que funciona e o que não funciona na atividade.
Principalmente o que não.
Ela também é corredora, tendo feito a primeira maratona ano passado, no Rio, 17 dias após receber o diagnóstico de um câncer de mama.
No livro, Raquel ataca os mitos erigidos em torno da corrida, mas não glamouriza a ciência do esporte, “um bebê”. “Ainda existe um vendaval de evidências ruins, vindas de testes malfeitos.”
Adepta do postulado do médico canadense William Osler (1849-1919) de que “a medicina é a ciência da incerteza e a arte da probabilidade”, ela afirma: “Sempre que um profissional da saúde disser ‘com certeza’, desconfie”. “Quase nada no corpo humano é com certeza.”
Autora apresentada, veja o que ela diz sobre temas centrais da corrida. As asserções são acompanhadas, no livro, de notas com indicações dos trabalhos científicos que as avalizam.
Tênis
“Tem pouca ou nenhuma influência na prevenção de lesões (…) O protagonismo e os primeiros cuidados sempre se devem voltar ao próprio corpo e ao que você está fazendo com ele (Está forte? Está descansando? Está dormindo direito? Os treinos estão subindo gradativamente sem aumentos bruscos? Como está o impacto com o chão? Está comendo direito?)”
Pisada na corrida
“Não existe um tipo de pisada melhor que a outra. Tentar trocar a pisada, de calcanhar para antepé, para correr melhor, não gera benefícios. E do mesmo jeito que vários corredores incríveis correm com o antepé [tocando o chão], outros vários corredores incríveis correm com o calcanhar, por exemplo, a Brigid Kosguei, recordista mundial da maratona de 2019 a 2023.”
Joelho “ruim”
“Eu costumo brincar que, se a linha de chegada de uma prova de corrida tivesse um detector de condropatia que só deixasse passar aqueles com o joelho perfeitinho, sobraria meia dúzia de jovenzinhos de 19 anos para correr. Quem tem condropatia pode correr, sim, só precisa tratar (com exercícios, movimentos, aumento da capacidade, diminuição do medo). Corrida não parece piorar esses desgastes como dizem (pelo menos não em corredores amadores)”
Alongamento
“Estudo após estudo, os resultados mostraram que não previne lesões, nem feito antes de correr, nem feito depois (…) Ele dá uma sensação momentânea gostosa, mas para meio que nisso.”
Banheira de gelo e “recovery”
Entrar em uma banheira com água e gelo, usar botas de compressão e fazer massagem são estratégias de recovery que diminuem a sensação de desconforto e cansaço muscular após um exercício. Elas diminuem o processo inflamatório (…) mas não tanto como a maioria das pessoas imagina. Será que essa sensação boa pode vir apenas de um efeito placebo? Um teste científico de qualidade média testou essa hipótese, dando um suquinho com corante vermelho (…) dizendo que era suco de cranberry com propriedades anti-inflamatórias. E não é que o suquinho de mentira gerou o mesmo resultado de entrar em uma banheira com gelo?”
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Autor: Folha








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