O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou na abertura do mercado de carne bovina para a Coreia do Sul, uma negociação que começou há 18 anos e chegou, neste momento, ao passo mais importante para a concretização da exportação da commodity, segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Não há, porém, garantia ou prazo de conclusão para a negociação.
“É o passo mais importante desses 17 anos. Chegou o momento, e eu não quero criar expectativa de datas, mas posso dizer: os pecuaristas brasileiros serão surpreendidos com boas notícias muito rápido”, afirmou Fávaro.
A Coreia do Sul informou ao governo Lula que fará auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras para verificar se o país atende aos requisitos sanitários e de qualidade necessários para finalizar a negociação. A expectativa do governo é positiva, uma vez que o Brasil é o principal exportador da proteína bovina no mundo e já atende mercados com altas exigências regulatórias, como o da China.
A negociação foi feita durante a passagem de Lula e sua comitiva por Seul, capital sul-coreana, nesta segunda-feira (23). O presidente veio ao país para uma visita de Estado após uma passagem pela Índia, onde também participou de uma cúpula de inteligência artificial.
Embora negociada há anos, a expectativa dos produtores em torno da abertura se tornou ainda maior quando, no final do ano passado, Pequim anunciou que iria adotar medidas de salvaguarda sobre a importação da commodity, criando uma taxa de 55% sobre os produtos que ultrapassarem a quantidade determinada pelo país asiático.
O Brasil, principal fornecedor de carne bovina para a China, será taxado caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em 2025, o total exportado para o país asiático foi de 1,65 milhão de toneladas na categoria “Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada”, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Questionado se a pressão para abrir o mercado sul-coreano tem relação com as cotas impostas por Pequim, Fávaro disse que não.
“Não, não tem nada a ver uma coisa com outra. O Brasil e o governo do presidente Lula defendem o multilateralismo. Nós não temos preferência de comércio com A ou com B. A China é um grande parceiro comercial”, afirmou.
Além do mercado de bovinos, o ministro disse que o Brasil também concluiu a abertura do mercado de ovos para a Coreia do Sul, e que o certificado será publicado nos próximos dias. Houve também o anúncio de que o país asiático irá ampliar os estudos sanitários para a carne suína, hoje exportada somente de Santa Catarina.
“Tinha um pedido para ampliar para Rio Grande do Sul e Paraná, que tinham status livre de febre aftosa sem vacinação”, afirmou. “O Brasil, ano passado, conseguiu esse status para todo o território nacional. Eles, então, concordaram em analisar todo o território nacional, à exceção dos estados que têm peste suína clássica.”
Os resultados na Coreia do Sul contrastam com os obtidos na Índia, onde o governo saiu frustrado por não ter conseguido negociar as tarifas sobre o frango. Embora o mercado seja aberto, taxas de 30% para o frango inteiro e 100% para cortes inviabilizam a competitividade, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Um dos motivos pelos quais a Índia recusa a redução das taxas é a falta de aceitação, por parte do Brasil, da romã indiana e, no passado, dos lácteos do país, segundo relatos de membros do governo e do setor à Folha.
Autor: Folha








.gif)











