segunda-feira, janeiro 19, 2026
20.1 C
Pinhais

Como funciona a multipropriedade dos clubes no futebol? – 06/01/2026 – Esporte

A multipropriedade no futebol se refere aos casos em que um mesmo grupo empresarial controla vários clubes em diferentes ligas, como o consórcio americano BlueCo, dono do Chelsea, na Premier League, e do Strasbourg, na Ligue 1. O treinador do clube francês, Liam Rosenior, acaba de ser contratado pela equipe inglesa.

O modelo se estrutura em torno de um clube economicamente forte, ao redor do qual gravitam equipes satélites menores que disputam diferentes campeonatos. Esses clubes menores costumam receber recursos para desenvolver sua infraestrutura e contratar jogadores, além de se beneficiarem do empréstimo de atletas do clube principal. Em contrapartida, ficam em certa medida obrigados a vender seus melhores jogadores para o time líder.

O economista do esporte Christophe Lepetit traça uma “tipologia dos clubes na multipropriedade”, conforme sejam ou não o carro-chefe do grupo.

No mundo, entre 200 e 300 clubes fazem parte hoje de algum modelo de multipropriedade, “contra menos de 100 há cinco anos e menos de 40 em 2012”, segundo explicaram recentemente os senadores franceses Laurent Lafon e Michel Savin em um relatório parlamentar. Trata-se de um fenômeno que envolve grandes clubes europeus e que ganhou força nos últimos anos.

Na Premier League, instituições de peso integram estruturas desse tipo, como o Manchester City (City Group, que também controla o Troyes, na Ligue 2 francesa, e o Bahia, da primeira divisão brasileira), o Manchester United (Ineos, proprietário do Nice, da Ligue 1) e o Chelsea (BlueCo). O modelo também está presente na Itália, com o Milan (RedBird, ligado ao Toulouse, da França), e se expandiu amplamente na própria França.

Na elite francesa, dez dos 18 clubes são afetados pela multipropriedade: PSG, Monaco, Lens, Metz, Lyon, Toulouse, Strasbourg, Nice, Le Havre e, em breve, o Lorient. O caso mais emblemático é o do Strasbourg, adquirido em 2023 pelo consórcio BlueCo, também dono do Chelsea. Nesta terça-feira, Liam Rosenior, técnico do clube desde 2024, deixou a equipe para assumir o comando do carro-chefe do grupo, o que provocou a revolta dos torcedores alsacianos.

Há algumas semanas, o Lorient anunciou sua integração ao grupo Black Knight Football Club, que já controla o Bournemouth, da Inglaterra, e o Moreirense, de Portugal. Em dezembro, o Qatar Sports Investments (QSI), proprietário do PSG desde 2011, anunciou que assumiria o controle total do Eupen, clube da segunda divisão belga. A multipropriedade também alcança o futebol feminino: uma das principais redes é liderada pela empresária americana Michele Kang, dona do OL Lyonnes, na França, e do London City Lionesses, na Inglaterra.

O modelo, no entanto, sofreu alguns reveses recentes. Em julho, o Lyon, pertencente à Eagle Football Holdings, quase foi rebaixado administrativamente à segunda divisão em parte por causa de seu modelo econômico baseado na multipropriedade. O fundador do grupo, o empresário americano John Textor, foi acusado no Brasil de privilegiar as finanças do Lyon em detrimento do Botafogo, um dos clubes satélites do fundo. Para favorecer os franceses, o clube onde Garrincha brilhou nas décadas de 1950 e 1960 teria vendido jogadores a valores bem abaixo dos praticados pelo mercado.

Na temporada passada, o fundo americano 777 Partners, proprietário do Red Star, da segunda divisão francesa, quebrou, deixando a gestão do clube nos arredores de Paris nas mãos dos credores e seu futuro indefinido. O Standard de Liège, na Bélgica, e o Vasco da Gama, no Brasil, também foram afetados pela falência do grupo.

A Uefa acompanha o fenômeno de perto, já que a presença, numa mesma competição, de clubes pertencentes ao mesmo grupo pode distorcer o equilíbrio esportivo. Assim, o Crystal Palace, que havia conquistado em campo uma vaga na Europa League nesta temporada, foi deslocado para a Conference League para dar lugar ao Lyon, já que ambos tinham o mesmo acionista.

Em 2024, a entidade europeia autorizou, por outro lado, a participação simultânea do Manchester United e do Nice na Europa League, em razão das “mudanças significativas” promovidas pela Ineos, dona dos dois clubes. O mesmo ocorreu com o Manchester City e o Girona na Liga dos Campeões. Em setembro, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, afirmou em entrevista à revista Politico que há discussões em curso sobre uma mudança nas regras, mas descartou uma proibição total da multipropriedade.

A Fifa, por sua vez, impediu o León de participar da primeira edição do Mundial de Clubes com 32 equipes, realizada em meados de 2025 nos Estados Unidos. O clube mexicano foi barrado por compartilhar os mesmos donos do Pachuca, também do México, que acabou disputando o torneio.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas