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Crítica da ideologia de gênero é alvo de oitiva da PF e pedido de censura

A pesquisadora Nine Borges, doutora em Educação e com quase 300 mil seguidores no Instagram, foi alvo de uma oitiva feita por videoconferência pela Polícia Federal (PF) em Minas Gerais nesta quarta-feira (25), após ser acusada de transfobia por postagens suas nas redes sociais. Ela mora em Londres e é crítica da ideologia de gênero.

A PF também fez requisições de preservação e fornecimento de dados a Meta e Google, empresas donas do Instagram e do YouTube respectivamente. As diligências da polícia partem de uma denúncia anônima levada ao Ministério Público em Juiz de Fora (MG) que pede a derrubada do perfil do Instagram de Nine (@nine.borg).

Essa é a segunda investigação por transfobia envolvendo a pesquisadora nos últimos meses. A primeira, aberta no Distrito Federal, ocorreu após representação do Ministério dos Direitos Humanos por críticas da influenciadora à secretária nacional LGBTQIA+, Symmy Larrat. A apuração mineira tem tramitação própria, com outro conjunto de peças iniciais e diligências.

Na nova investigação, ela é alvo de denúncia por suposta propagação de conteúdo incitando ódio e violência contra grupos LGBT. As diligências da PF, como os pedidos de dados às redes, começaram nos últimos meses de 2025, mas só recentemente Nine foi informada sobre a denúncia e a oitiva.

Desde decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2019, a transfobia é equiparada ao crime de racismo no Brasil. A falta de clareza na distinção entre críticas à ideologia de gênero e discriminação efetiva contra pessoas trans gera insegurança jurídica para pesquisadores que divergem das teorias de gênero predominantes na academia. Caso seja condenada por transfobia, Nine pode encarar pena de 2 a 5 anos de prisão.

A denúncia que chegou ao MP em Juiz de Fora diz que a página propaga conteúdo discriminatório, incitando ódio e violência contra transgêneros. A denunciante também menciona um episódio no YouTube, no podcast Inteligência Ltda., dizendo que Nine atacou o Ministério Público e a Defensoria Pública ao dizer que estão contaminados por ideologia.

No vídeo, Nine faz somente o seguinte comentário: “Você conversa com qualquer advogado e ele vai te dizer que o Ministério Público, por exemplo, está muito difícil no Brasil. O Ministério Público, as defensorias públicas… Está muito difícil… Estão muito corrompidas com wokeísmo, com ideais woke”.

À Gazeta do Povo, a pesquisadora afirma que “a gente está lidando com um grupo que, na impossibilidade de debater de volta pela falta de argumentos, está tentando calar todo mundo”.

“Eu sou uma pesquisadora. Uma pesquisadora tem que tocar nos temas, tem que discutir ideias, tem que apresentar teorias, tem que apresentar crítica. Se eu não estou autorizada a fazer isso, a que eu estou autorizada?
Para que serve o meu diploma?”, questiona ela.

“O que está sendo feito é dizer que certas teorias são autorizadas e outras não. Está autorizado a gente discutir e falar que o homem branco é mau, que ele nasceu mau, que ele herdou um sistema mau, que ele construiu um sistema mau, que oprime, violenta, discrimina contra outros grupos. Isso está perfeitamente autorizado. Mas fazer uma crítica a essa crítica não está autorizado”, acrescenta.

Após as diligências da PF, os próximos passos são a elaboração de um relatório a ser enviado ao Ministério Público, que decide entre arquivamento ou oferecimento de denúncia, depois de analisar os elementos reunidos.

Autor: Gazeta do Povo

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