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Crítica: DTF St Louis é uma série bizarra com um elenco espetacular

Além de ser a casa de obras consagradas que vão de Família Soprano a Game of Thrones, a HBO também é conhecida pelo seu tom experimental na televisão — o que nem sempre dá certo. Após o sucesso de O Cavaleiro dos Sete Reinos, as noites de domingo do canal, bem como do HBO Max, serão dominadas pela minissérie DTF St. Louis, que estreia dia 1º de março.

Com sete episódios lançados semanalmente até 12 de abril, a produção se destaca, logo de cara, pelo elenco brilhante, incluindo alguns nomes “roubados” da Netflix, como David Harbour, estrela de Stranger Things. No entanto, sua narrativa também é instigante: com roteiro e direção de Steven Conrad (A Vida Secreta de Walter Mitty), a série acompanha um triângulo amoroso envolvido em um assassinato.

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Misturando mistério e humor ácido, a série é uma das coisas mais estranhas que eu assisti em muito tempo — e isso é muito bom. Confira, a seguir, a crítica com base nos quatro primeiros episódios da produção.

História de DTF St Louis acompanha triângulo amoroso e crime misterioso

A trama gira em torno do intérprete de língua de sinais Floyd (David Harbour), sua esposa Carol (Linda Cardellini) e Clark Forrest (Jason Bateman), um meteorologista local que apresenta ao personagem de Harbour o aplicativo “DTF St. Louis” como forma de “apimentar a vida”. O problema? Clark inicia um caso com Carol, a esposa de seu colega e amigo do trabalho.

O que começa como um retrato quase patético da crise de meia-idade rapidamente descamba para algo muito maior. Logo no primeiro episódio, Floyd é encontrado morto — aparentemente vítima de um ataque cardíaco. No entanto, a oficial de crimes especiais Jodie Plumb (Joy Sunday) passa a desconfiar que há algo de errado nessa história, o que se desdobra em uma investigação contada em pedaços.

A produção se destaca justamente por misturar gêneros de forma ousada. Em um momento estamos diante de um drama sobre frustrações conjugais. Logo em seguida, a série mergulha em um humor constrangedor e quase absurdo. Essa transição brusca é parte do charme (e do risco) da obra.

Outro ponto alto é a estrutura fragmentada da narrativa. A história é contada de forma picotada, alternando momentos antes e depois da morte, revelando camadas dos personagens aos poucos. Esse recurso não só mantém o mistério vivo como também aprofunda as motivações do trio principal, tornando o “quem matou?” quase secundário diante das complexas relações emocionais envolvidas.

Elenco brilha com atuações diferenciadas

Além de ter um roteiro forte e uma direção segura de Steven Conrad, DTF St. Louis se destaca especialmente pelas atuações. O grande destaque é David Harbour como Floyd, que está completamente diferente do habitual.

Fora de forma, endividado, traído e dono de uma autoestima em frangalhos, o personagem poderia facilmente virar uma caricatura. Mas Harbour entrega uma atuação cheia de humanidade e com muitas camadas. Muito diferente do que vimos ao longo dos anos em Stranger Things, aqui ele constrói um homem frágil, meio patético, mas genuinamente bom — o que torna sua morte ainda mais impactante.

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DTF St Louis acompanha triângulo amoroso envolvendo dois colegas de trabalho.

Jason Bateman, conhecido por comédias e por seu trabalho em Ozark, vive Clark Forrest, um meteorologista cheio de fetiches, inseguranças e camadas contraditórias. Bateman equilibra perfeitamente o humor seco com momentos de tensão genuína, mostrando que seu timing cômico continua afiado mesmo em um contexto mais sombrio.

Já Linda Cardellini brilha como Carol, uma mulher presa entre o tédio e o desejo de viver algo novo. Nos quatro primeiros episódios, ela demonstra que seus talentos vão muito além dos icônicos filmes de Scooby-Doo, entregando uma performance contida, mas carregada de ambiguidade emocional.

O elenco de apoio também merece aplausos. Richard Jenkins, como o detetive Donoghue Homer, e Joy Sunday, como a obstinada Jodie Plumb, formam uma dupla de investigação que rende ótimas cenas. O constrangimento nas interações, especialmente nas entrevistas com Clark, gera risadas nervosas que reforçam o tom agridoce da série.

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Detetives que acompanham o caso trazem um humor constrangedor para a série.

No fim das contas, a magia do humor da série mora em atitudes cotidianas e que rendem certa vergonha alheia. Em uma coletiva de imprensa com a participação do Minha Série, Jenkins até falou: “Achei que estava fazendo meu trabalho errado, pois minha atuação não parecia engraçada, mas tudo fez sentido quando assisti”. 

Um clima bizarro no ar

Embora o mote principal seja um clássico “quem matou?”, DTF St. Louis se destaca mesmo é pelo clima estranho que paira no ar o tempo todo. Toda a série é cercada por uma atmosfera diferente, que pode te contagiar ou te afastar.

A série está recheada de cenas constrangedoras, incluindo momentos de sexo que são deliberadamente desconfortáveis. Nada é glamorizado — pelo contrário, tudo parece meio torto, meio deslocado. Essa escolha estética reforça a ideia de que estamos acompanhando pessoas comuns tentando lidar com desejos e frustrações de forma desajeitada.

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A série conta com vários elementos que podem te deixar com um sentimento de “o que é isso”?!

Até os ambientes colaboram para essa sensação de desconforto. A delegacia com visual aberto e design brutalista, os enquadramentos escuros, e a fotografia que evita o convencional ajudam a criar um clima de constante estranheza, o que garante uma vibe única para a série.

Esse tipo de abordagem, aliado a um roteiro errático (no melhor sentido da palavra), faz com que a série seja totalmente imprevisível. Após quatro episódios, eu sinceramente não faço ideia de quem matou Floyd — e, para ser honesto, o mistério já se tornou pequeno perto das complexas teias emocionais que conectam os protagonistas.

Vale a pena assistir?

DTF St. Louis é uma série, digamos, diferente. A produção usa temas clássicos de drama, suspense e comédia, incluindo um triângulo amoroso, um assassinato e uma dupla de investigadores meio deslocados. No entanto, ao misturar tudo isso de forma pouco convencional, a produção cria algo único.

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Atriz de Scooby-Doo é um dos pontos altos da série. 

A história é imprevisível e, até onde pude assistir, a experiência me agradou bastante, além de me deixar instigado para ver o resto da história. Ainda assim, é evidente que a série faz escolhas questionáveis e aposta em um clima que foge completamente dos padrões tradicionais da televisão.

Se você está acostumado com narrativas mais lineares e confortáveis, talvez seja interessante aguardar o lançamento completo da temporada antes de mergulhar de cabeça. Por outro lado, se é fã do elenco e quer acompanhar nomes como David Harbour, Jason Bateman e Linda Cardellini em versões jamais vistas, vale a pena ficar de olho nessa nova e bizarra aposta da HBO.

DTF St Louis estreia domingo, 1° de março, no HBO Max. E aí, você vai dar uma chance para a produção? Comenta aí!

Autor: TecMundo

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