Crítica | RJ
Zona Sul Supermercado
Duas estrelas (Regular)
R. Barão da Torre, 220, Ipanema, Rio de Janeiro. @zonasulsupermercado
Pode parecer estranho para alguns, mas comer em um supermercado vem se tornando hábito para muitos cariocas. Quem frequenta o Zona Sul da rua Barão da Torre, em Ipanema, já sabe exatamente o que vai encontrar: lanches e refeições honestas a um preço justo, com praticidade e agilidade no serviço.
Famílias, gente saindo da praia ou da academia, estudantes e trabalhadores em horário de almoço vão ao restaurante desta filial (uma das mais caprichadas de todas) com um objetivo: matar a fome. Não espere pratos criativos ou sofisticados. Estamos em um supermercado, lembra?
Pizzas (que já foram melhores) a R$ 36, massas com molhos básicos a R$ 34, comida japonesa, sanduíches e uma padaria e confeitaria de respeito (tarteletes entre os melhores da cidade) fazem parte do vasto cardápio. O pagamento é feito em totens, tudo rapidinho e sem complicações. Uma mão na roda.
Não há garçons, e as bebidas podem ser escolhidas nas prateleiras ou no refrigerador, sendo cobrado um pouco a mais pelas que não estão quentes (lata de Coca-Cola gelada a R$ 5). É possível beber uma garrafa de espumante a menos de R$ 50 e pagar honestos R$ 28 por uma porção de sashimis de barriga de salmão, a parte nobre do peixe (cinco unidades), por exemplo.
O prato mais caro do cardápio é o bife de chorizo angus grelhado (R$ 46), com acompanhamentos à parte —arroz branco ou à piamontese, batatas fritas, gratinadas ou ao forno, legumes grelhados ou farofa. As guarnições vão de R$ 10 a R$ 17, e a batata gratinada, molhadinha e com a quantidade ideal de queijo, se sobressai.
Uma novidade mais ou menos recente é o bufê self-service (R$ 90 o quilo), com pratos simples do dia a dia como arroz, feijão, sobrecoxas assadas de frango, feijoada, tilápia grelhada, saladas de folhas variadas, de grão-de-bico com shiitake e tomatinhos, berinjela com shoyu e mel, salpicão, e por aí vai.
Marombeiros fazem a festa no pós-treino, sempre tem alguém com roupa de ginástica em uma das mesas do restaurante.

Hambúrguer com queijo, cebola caramelizada e bacon do Zona Sul; batatas fritas são cobradas à parte
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Cleo Guimarães/Divulgação
Mas é bom? É e não é. O Zona Sul é, digamos, “de lua”. Bem irregular. Já comi hambúrgueres ótimos e outros ruins; nas duas últimas visitas o sanduíche desandou. Na primeira, não adiantou pedir a carne ao ponto para mal passada (veio torrada).
Na segunda, por segurança, optei por solicitar mal passada —chegou outra vez quase esturricada. Ela é um blend de patinho e fraldinha, o que talvez explique o teor de gordura abaixo do ideal para que não fique ressecada.
Nessas duas visitas me pareceu que o responsável pela grelha estava com a mão um pouco pesada, já que meu bife de chorizo também veio passado demais, beirando o incomível, e com o agravante de a manteiga com salsa que pode acompanhá-lo estar em falta (me pergunto o motivo, problemas com os fornecedores é que não pode ser).
A opção mais segura é a comida japonesa, correta e de bom custo-benefício. A apresentação dos pratos é que costuma oscilar. O tartare de atum com avocado, alho-poró e ovas de capelin (R$ 32), em outros tempos esteticamente delicado e colorido, apareceu para mim montado de forma desleixada, feinho mesmo —mas farto e saboroso.
Boas pedidas são o uramaki ebiten (R$ 36, oito unidades), camarão empanado e envolto em arroz e salmão selado, e o sushi de salmão skin (R$ 9 cada um). Esses não falham. Pode ir na fé.
Autor: Folha









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