Neste ano, Tasneem Sarjoo, 22, comemorou o Dia dos Namorados derrubando um homem pelos joelhos, jogando-o no chão, golpeando seu torso com os braços e imobilizando-o em um tapete de luta livre cor-de-rosa.
Ela tinha a sensação de que a luta tinha ido bem. Muito bem. “Ele vai pedir meu número”, diz Sarjoo, recepcionista em Long Island, Nova York.
Os dois se conheceram em um speed dating (encontro rápido) de luta livre, um evento de solteiros realizado todo sábado à noite em um galpão no Brooklyn. Mais de 100 participantes entre 18 e 24 anos aparecem para flertar e aplicar chaves de pescoço uns nos outros diante de uma multidão que grita palavras de incentivo.
No início, muitos ficaram na dúvida sobre o que um speed dating de luta livre realmente envolvia. Os solteiros são instruídos a se conhecerem enquanto circulam pelo local e, então, convidar um crush de qualquer gênero para entrar em um dos três ringues de luta da sala. Diferenças de tamanho não são um problema, já que os confrontos não são especialmente nem totalmente sérios.
Cartazes espalhados pela sala descrevem um roteiro em três passos: “flerte com todo mundo”, “lute com um” e “saia apaixonado”.
Sarjoo conheceu seu parceiro de luta, Luiz Campos, 22, alguns minutos antes de subirem ao ringue. Eles já tinham conversado em aplicativos de namoro, mas as conversas morriam antes que alguém pudesse marcar um encontro. Dessa vez, decidiram tentar algo novo.
“Depois que começamos a conversar um pouco, me ofereci para mostrar alguns golpes a ela, e começamos a nos divertir”, diz Campos, que mora em Manhattan e pratica jiu-jítsu.
“Eu não teria ido nas pernas dele se ele não tivesse me dito para fazer isso”, afirmou Sarjoo.
O evento é um dos exemplos mais agitados de uma onda de encontros temáticos para solteiros que surgiram pela cidade nos últimos anos. À medida que as empresas de namoro online perdem usuários e reforçam suas barreiras de pagamento, jovens têm se reunido para correr, jogar jogos de tabuleiro e fazer apresentações de PowerPoint promovendo amigos solteiros.
O evento foi ideia de Gael Aitor e Kayla Suarez, ambos com 22 anos, que moram no bairro de Bushwick, no Brooklyn. No ensino médio, eles apresentavam um podcast que se tornou uma tábua de salvação para adolescentes durante a pandemia. Agora, eles têm incentivado os jovens a largarem os celulares e se encontrarem pessoalmente.
“É legal ter essa comunidade online, mas é importante reconhecer que as interações online só vão até certo ponto”, diz Suarez.
Os ingressos para o evento de luta custavam US$ 25 (R$ 128) para competidores e US$ 15 (R$ 77) para quem só queria assistir.
No início, poucas pessoas pareciam convencidas de que encontrariam suas almas gêmeas no ringue de luta. Mas não era impossível, certo?
Isabelle Gartner, 19, que mora no Brooklyn, deu um golpe de luta chamado full nelson que havia aprendido momentos antes com um segurança do local. Ela tinha levado um fora recentemente, mas as coisas estavam melhorando. “Todas as garotas de Bushwick estão vindo”, afirma.
Ela foi convidada para lutar por Eevee Mendez May, 18 , estudante do Fashion Institute of Technology que tentou organizar um encontro para mulheres queer no ano passado. “Os últimos 15 anos foram definidos pela internet, e as pessoas estão cansadas disso. Queremos nos ver pessoalmente”, diz.
Elas colocaram protetores de orelha e entraram no ringue. May tinha uma vantagem significativa de altura, mas Gartner era ágil, o que a ajudou a derrubar sua oponente e imobilizá-la.
Elas disseram que a luta livre era uma forma decente de avaliar a química física. “Ela tem uma ótima chave de perna”, diz May.
Francesco Cremonini, 23, um estudante de atuação, disse que havia presumido que o speed dating de luta livre era uma piada quando viu o anúncio online. Mas descobriu que a premissa absurda tornava surpreendentemente fácil abordar as pessoas.
“Todo mundo sabe que há algo meio bobo neste evento. Mas não parece tão estranho porque todos nós nos inscrevemos para isso”, afirma.
Ele lutou com Lorenzo Mendiola, 23, que trabalha com publicidade. Os dois empataram na luta e continuaram conversando muito tempo depois de saírem dos tapetes.
Autor: Folha








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