
O deputado federal Rodrigo Valadares (União-SE) anunciou que irá requerer a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. A iniciativa ocorre após o Itamaraty condenar ataques dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irã.
O parlamentar da oposição manifestou repúdio aos ataques promovidos pelo Irã contra países árabes do Golfo e critica o posicionamento do governo brasileiro diante da escalada de tensão no Oriente Médio. Segundo Valadares, os ataques direcionados ao Estado do Kuwait, ao Reino do Bahrein, ao Reino da Arábia Saudita, aos Emirados Árabes Unidos, ao Estado do Catar e ao Reino Hachemita da Jordânia representam “grave violação da soberania e ameaça à estabilidade regional”.
O Itamaraty divulgou nota na manhã deste sábado (28) condenando a ofensiva militar dos EUA e de Israel contra alvos no Irã. O governo brasileiro afirmou que os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação e classificou a diplomacia como “o único caminho viável para a paz”, posição que definiu como tradicional do Brasil.
“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, diz trecho da nota.
O comunicado também pede que todas as partes exerçam “máxima contenção”, respeitem o Direito Internacional e evitem a escalada de hostilidades. As embaixadas brasileiras na região acompanham os desdobramentos, e o embaixador do Brasil em Teerã mantém contato direto com a comunidade brasileira para repassar orientações de segurança.
Para Rodrigo Valadares, no entanto, o posicionamento do Executivo não representa necessariamente o entendimento do Parlamento. O deputado afirmou que o “regime iraniano atua há anos para desestabilizar o Oriente Médio, citando apoio a grupos como Hamas, Houthis e Estado Islâmico”.
Ele anunciou que apresentará requerimento para convocar Mauro Vieira na próxima sessão da comissão, prevista para 4 de março.
Flávio Bolsonaro fala em “apoio indireto” do Brasil a Teerã
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou a posição do governo brasileiro. Em nota, afirmou que houve “apoio indireto” do Palácio do Planalto a Teerã e classificou o posicionamento como “moralmente errado”.
Para o parlamentar, a postura do governo é “inaceitável” e coloca o país do “lado errado” do conflito. “O Irã não é um ator neutro. Trata-se de um governo que financia e apoia organizações terroristas, grita publicamente ‘morte à América’, que defende abertamente ‘varrer Israel do mapa’ e que mantém um programa nuclear notoriamente para fins militares”, declarou.
A nota termina pedindo “clareza” na diplomacia brasileira e afirmando que “neutralidade não é sinônimo de complacência”. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, rebateu as críticas do senador.
Em publicação nas redes sociais, afirmou que Flávio “não aprendeu nada” com o que chamou de “repúdio nacional à traição de sua família ao Brasil”. Gleisi também defendeu a posição do governo e declarou que o Brasil estaria “de joelhos” se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tivesse vencido as eleições de 2022.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












