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Empresas do Golfo sofrem com ataques do Irã – 01/03/2026 – Economia

Os ataques retaliatórios do Irã em toda a região do Golfo provocaram a maior interrupção nos negócios desde a pandemia, forçando o fechamento de aeroportos, paralisando operações portuárias e gerando ondas de choque nos mercados financeiros.

Os ataques, lançados em resposta a uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, atingiram todos os principais Estados do Golfo, uma região que passou décadas construindo sua reputação como um dos centros de negócios mais confiáveis do mundo.

Três pessoas morreram nos ataques nos Emirados Árabes Unidos, e explosões foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo em Dubai e Abu Dhabi neste domingo.

Os ataques marcaram uma escalada sem precedentes para Dubai, uma cidade cuja identidade moderna foi construída sobre o isolamento dos conflitos da região.

De origem humilde como uma pequena vila de pescadores, o emirado usou receitas modestas do petróleo para construir portos, aeroportos e centros comerciais antes de se voltar, nos anos 1990, para o turismo de luxo, o mercado imobiliário e os serviços financeiros.

“Regionalmente, o impacto nas economias do Golfo é variado“, disse Vijay Valecha, diretor de investimentos da Century Financial. “Os preços elevados do petróleo proporcionam uma proteção fiscal para produtores como Arábia Saudita e Catar, fortalecendo receitas e liquidez. Mas comércio, logística e turismo, particularmente nos Emirados Árabes Unidos, enfrentariam pressão se os riscos de transporte marítimo aumentarem ou se o sentimento regional enfraquecer.”

AÇÕES EM QUEDA

Os mercados de ações do Golfo caíram acentuadamente quando as negociações foram abertas no domingo (1º), com o índice de referência da Arábia Saudita recuando mais de 4% na abertura e fechando em baixa de 2,2%.

Omã fechou em queda de 1,4% e Egito perdeu 2,5%, ambos reduzindo perdas anteriores. A bolsa do Kuwait tomou a medida incomum de suspender as negociações até novo aviso. Os mercados dos Emirados Árabes Unidos, fechados aos domingos, devem abrir na segunda-feira (2).

“Os mercados continuarão frágeis e voláteis enquanto as ações militares estiverem ativas”, disse Mohammed Ali Yasin, diretor-executivo da Ghaf Benefits, uma empresa da Lunate em Abu Dhabi. “Geralmente, em eventos como esse, os investidores institucionais internacionais são os que exercem pressão de venda inicialmente…enquanto os locais tentam amenizar as quedas comprando as ações líderes.”

Os ataques do Irã tiveram como alvo aeroportos, instalações militares, portos e hotéis em todo o Golfo.

O Aeroporto Internacional de Dubai e o Aeroporto Internacional Zayed de Abu Dhabi sofreram danos, com um civil morto e 11 feridos nos dois locais.

Algumas das maiores empresas dos Emirados Árabes Unidos incluem a incorporadora Emaar Properties e a varejista Majid Al Futtaim. O país também se tornou um ímã para fundos de hedge (proteção) globais e grandes bancos que buscam proximidade com os vastos fundos soberanos administrados pela ADIA e pela Mubadala.

NETWORKING DO RAMADÃ

A interrupção ocorreu em um momento particularmente sensível no calendário de negócios do Golfo. Os ataques aconteceram durante o mês sagrado islâmico do Ramadã, quando os iftars e suhoors corporativos —as refeições comunitárias que encerram e iniciam o jejum diário— estão entre os eventos de networking mais importantes da região.

Emails vistos pela Reuters mostram que encontros organizados pela companhia aérea Emirates de Dubai, pela empresa de energia Masdar de Abu Dhabi, pela Mubadala e pela empresa de educação GEMS, além do Departamento de Capacitação Governamental, foram cancelados ou adiados.

Para uma região onde relacionamentos sustentam os negócios, a perda da temporada de networking do Ramadã adiciona um custo menos visível, mas significativo, à interrupção que já está em curso.

Os ataques também atingiram áreas residenciais ao redor de Dubai Marina e Palm Jumeirah, incendiando o hotel Fairmont The Palm e danificando o Burj Al Arab. O Fairmont havia sido vendido recentemente por US$ 325 milhões para a Arzan Investment Management do Kuwait —um negócio visto como um indicador da crescente demanda hoteleira no Golfo— tornando os danos um dos símbolos mais marcantes do impacto na economia turística em expansão da região.

Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia emitiram alertas de viagem atualizados para o Golfo após os ataques, pedindo aos cidadãos que tenham extrema cautela e evitem viagens não essenciais. Os principais aeroportos de trânsito, incluindo Dubai, Abu Dhabi e Doha no Catar, estavam fechados ou com severas restrições no domingo, enquanto grande parte do espaço aéreo da região permanecia fechado.

Espera-se que funcionários de grandes empresas internacionais sigam as orientações locais sobre trabalho remoto nos próximos dias. A autoridade federal de trabalho dos Emirados Árabes Unidos aconselhou as empresas a implementarem arranjos de trabalho remoto até 3 de março, pedindo que mantenham os trabalhadores longe de áreas abertas, com exceção de funções essenciais que exijam presença física.

Autor: Folha

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