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Quieto, Flávio Bolsonaro ganha força

Muito antes de ser tomado como um nome competitivo para disputar as eleições presidenciais com Lula, Flávio Bolsonaro era uma escolha pragmática em nome da hegemonia no campo da direita e do chamado “conservadorismo”. Ganhar de Lula era objetivo secundário. O inicial era enfraquecer ou mesmo acabar de vez com a pretensão de alternativas que buscavam absorver ou tomar parte do espólio político do ex-presidente.

E nesse contexto, além dos governadores oposicionistas, que ainda buscam se articular (cada vez com menos espaço), surgiu até mesmo Michelle Bolsonaro. Preso e inelegível, Jair fez o movimento derradeiro para estancar tudo e marcar tais fotos com o emblema da própria família.

Enquanto Lula se enfraquece, Flávio ganha força. Joga parado, fazendo declarações muito pontuais e, acima de tudo, evitando polêmicas que possam tirar o foco do governo, que enfrenta esses e outros problemas de ordem política

A unção de Flávio, com direito a humilhação pública de Tarcísio de Freitas, foi um movimento eleitoral reivindicatório, engolido com lágrimas e engasgos pelos integrantes do “bolsonarismo sem Bolsonaro” (um quadrado redondo ideológico), e de certo financismo liberalóide da Avenida Faria Lima. Flávio, afinal, nunca fora percebido (e talvez nunca venha a ser), como o candidato ideal para estes. Mas tem os votos do pai. E, na política, manda quem tem capital eleitoral.

Como se poderia supor, Flávio rapidamente absorveu todos os votos do bolsonarismo, ainda que nem de longe seja o Bolsonaro favorito desses eleitores. Foi, entretanto, o que sobrou. E, por essa percepção, melhor ele que os demais. Além do nome com capilaridade social, é, na família, como escrevi anteriormente, o “mais arejado, aquele com trânsito congressual e o que se vacinou contra a Covid-19”. É o Bolsonaro com sabor de moderado. E assim pode ser percebido por aqueles que ainda se encontram indecisos numa disputa cada vez mais condicionada ao plebiscito.

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Lula ainda conserva favoritismo. Até por deter a máquina administrativa. Mas vem se enfraquecendo. Colecionou uma série de dificuldades nas últimas semanas. A começar com o caso Master. Mesmo o banco de Daniel Vorcaro ter conexões políticas e institucionais para além de bolhas políticas, fato é que se tornou um escândalo vinculado a imagem do STF. E na cabeça de muitos, o STF e o governo são uma coisa só. O desgaste indireto também é desgaste. Some-se a isso o desastre publicitário e legal do desfile rebaixado da Acadêmicos de Niterói e a recente quebra de sigilo fiscal e telefônico de Lulinha na investigação no caso dos descontos ilegais do INSS, e teremos as condições perfeitas para uma crise de popularidade.

Enquanto Lula se enfraquece, Flávio ganha força. Joga parado, fazendo declarações muito pontuais e, acima de tudo, evitando polêmicas que possam tirar o foco do governo, que enfrenta esses e outros problemas de ordem política. O candidato que nasceu forçado e azarão vai ganhando corpo e musculatura suficientes para reclamar a cadeira que outrora foi ocupada pelo pai.

Autor: Gazeta do Povo

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