O presidente Donald Trump disse esperar pouca resistência por parte dos dirigentes europeus ao seu desejo de adquirir a Groenlândia e anunciou uma reunião em Davos, enquanto as disputas pelo território dinamarquês ameaçam reavivar uma guerra comercial.
“Não acredito que se oporão demais. Temos que conseguir isso. Eles têm que fazer isso”, disse o republicano a jornalistas na Flórida sobre suas intenções em relação à ilha ártica de abundantes recursos minerais.
“A Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não pode haver retrocesso”, acrescentou Trump depois em sua rede social Truth Social.
Segundo o magnata, na postagem, ele concordou com “uma reunião das diferentes partes em Davos, Suíça”, onde nesta terça-feira (20) se inaugura o Fórum Econômico Mundial.
Trump quer que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, uma ilha ártica estrategicamente localizada, alegando motivos de “segurança nacional”, pois se não o fizer, garante, será controlada pela China ou pela Rússia.
Ele também afirmou que havia mantido “uma conversa telefônica muito boa sobre a Groenlândia com Mark Rutte”, o secretário-geral da OTAN, sobre o tema.
Trump havia justificado anteriormente seus planos sobre a Groenlândia pelo fato de ter sido descartado para o Prêmio Nobel, o que o havia obrigado a não pensar “unicamente na paz”.
“Tendo em conta que seu país decidiu não me dar o Prêmio Nobel da Paz por ter detido oito guerras ou mais, já não me sinto obrigado a pensar unicamente na paz”, escreveu o presidente em uma mensagem dirigida ao primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, que se tornou pública na segunda-feira (19).
Trump ameaçou no fim de semana a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia com uma taxa de 10% sobre todos os produtos enviados aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro se não aceitarem suas pretensões sobre a vasta ilha.
Os líderes da Alemanha e da França denunciaram então as ameaças tarifárias de Trump como uma “chantagem”, enquanto Paris considerou que a Europa devia se preparar para contra-atacar.
Mensagem privada
Nesta segunda (20), Trump revelou na Truth Social uma “mensagem privada” do presidente francês Emmanuel Macron na qual o europeu propôs realizar uma cúpula do G7 na quinta-feira (22) em Paris.
Na mensagem, Macron propõe convidar os ucranianos, os dinamarqueses –para abordar a questão da Groenlândia– e os sírios. A mensagem foi autenticada nesta terça pelo entorno do presidente francês.
O presidente francês fala ainda sobre convidar, “à margem” da reunião, “os russos”. Os europeus romperam praticamente todos os contatos –salvo raras exceções– com Moscou após o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, com o objetivo de isolar seu mandatário, Vladimir Putin.
“Meu amigo, estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Podemos fazer grandes coisas no Irã. Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”, diz o presidente francês.
“Posso organizar uma reunião do G7 em Paris na quinta-feira à tarde, depois de Davos”, na Suíça, e “convidar os ucranianos, os dinamarqueses, os sírios e os russos à margem da reunião”, acrescentou Macron em sua mensagem.
Autor: Folha







