sábado, novembro 29, 2025

o terror que há meio século mudou tudo

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Não é exagero dizer que Carrie, a Estranha mudou tudo. O livro de 1974 deu uma carreira de escritor para Stephen King e renovou o interesse dos leitores americanos em histórias de terror. O filme de 1976 tirou o cineasta Brian De Palma do underground e colocou as duas atrizes principais na disputa do Oscar no ano seguinte. Ou seja, faz meio século que um conto sobre uma moça dotada dos poderes da telecinesia moveu o que estava ao redor e trouxe muito sucesso aos envolvidos.

No começo dos anos 70, Stephen King era um professor de inglês que morava num trailer com sua esposa e dois filhos. Ele escrevia contos para revistas, ainda não tinha nenhum livro publicado, apesar de produzir desde meados dos anos 60, quando ainda estava na faculdade. As três páginas com a história de Carrie já estavam no lixo quando sua mulher literalmente as resgatou e insistiu para que King investisse naquilo.

O autor ampliou o material para quase 100 páginas, mas não achou que teria êxito. Uma editora acreditou em Carrie e o livro foi para as prateleiras com 199 páginas. Não vendeu nada no primeiro ano, cerca de 13 mil cópias, mas a segunda edição em 1975 virou best-seller, fazendo ainda mais sucesso no ano seguinte, quando Brian De Palma lançou a adaptação nos cinemas.

O diretor se graduou em física antes de se aproximar das artes dramáticas. Influenciado pelo franco-suíço Jean-Luc Godard, ele deu os primeiros passos filmando documentários e filmes experimentais. Com Carrie, a Estranha, sua trajetória deu uma guinada absurda e a reputação de novo queridinho das telonas permitiu que ele emplacasse projetos mais ambiciosos e de apelo popular.

Maquetes e câmera lenta

Quando assistido hoje, Carrie, a Estranha não chega a impressionar nenhum neófito em filmes de terror. Os efeitos especiais eram os que se tinha na época. Todo mundo percebe que a casa que pega fogo no final é produzida com uma maquete tosca. O carro que Carrie desvia com o poder da mente também usa do mesmo recurso. Em vez da agilidade que vemos nas obras atuais, o filme de De Palma opta pela câmera lenta em momentos cruciais, ritmando cenas de uma maneira que ninguém ousaria em 2025.

Mas o filme está cheio de méritos e reúne elementos que não envelheceram. Carrie White, vivida por Sissy Spacek, é apresentada como a garota esquisita de um colégio, e sofre bulling das coleguinhas quando percebe sua primeira menstruação, logo no início do longa-metragem. A pressão aumenta quando alunos armam uma arapuca para Carrie no baile de formatura. Um personagem interpretado pelo iniciante John Travolta mata um porco e extrai seu sangue para jogar na cabeça da menina no ponto alto da festa.

A jovem Carrie tem o poder da telecinesia, que permite que a pessoa mova objetos usando apenas a menteCarrie tem o poder da telecinesia, que permite que a pessoa mova objetos usando apenas a mente (Foto: Divulgação Prime Video)

Toda ensanguentada, Carrie usa seu dom de mexer os objetos com o poder da mente para se vingar de todo mundo presente no baile. Seu drama continua quando ela chega em casa e encontra com a mãe, uma fanática religiosa encarnada pela atriz Piper Laurie. Em vez de acolher a filha, Margaret White decide matá-la, por ser fruto de uma relação pecaminosa. O embate garantiu a ambas indicações ao Oscar.

Na primeira versão escrita por Stephen King, depois de se vingar da cidade inteira, Carrie surgia com chifres saindo de sua testa e usando a telecinese para derrubar um avião cruzando os céus. Seria curioso ver como De Palma resolveria essa cena, mas ela não entrou no livro. Um editor convenceu King a mudar o final da história. Ao longo de suas carreiras, o autor e o cineasta produziram imagens até mais ousadas do que essa. Mas eles devem tudo à jovem esquisita Carrie e à forma redondinha que sua saga chegou às livrarias e aos cinemas.  

  • Carrie, a Estranha
  • 1976
  • 98 minutos
  • Indicado para maiores de 14 anos
  • Disponível no Telecine, Mubi, MGM+ e para locação e compra na Amazon e Apple TV+

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