Esta é a quarta edição da newsletter Comece a correr. Quer receber o conteúdo completo no seu email? Inscreva-se abaixo.
Quando não fazia nenhuma atividade física, a balconista Nildete Nonato, 50, sentia-se esgotada no fim do dia, após horas trabalhando em pé. Foi só começar a correr, há cinco anos, que a disposição melhorou, ela conta.
“Os dias em que corro de manhã são os que termino menos cansada”, afirma. Essa sensação é comum entre pessoas que praticam algum esporte, e mais comum ainda entre quem está começando a se mexer.
No início, a pessoa está animada e faz os treinos com disciplina. A disposição aumenta, vêm mudanças no corpo, o fôlego melhora, tudo parece fluir. Mas, de repente, o cenário muda. Um dia, basta uma garoa lá fora para fazer com que o corredor continue na cama e pule o treino.
“As motivações para treinar são bem fortes no início, mas nem sempre são de boa qualidade”, diz Fábio Dominski, profissional de educação física com doutorado em psicologia do exercício.
Você se anima ao comprar um tênis para correr, por exemplo, mas logo desanima porque não satisfez três necessidades psicológicas: autonomia, competência e vínculo social, segundo Dominski. Mas o que isso significa?
- Autonomia: é a capacidade de fazer escolhas e sentir-se no controle da atividade; exemplo da falta dela: não conseguir aumentar sua velocidade.
- Competência: está ligada à percepção de capacidade e sucesso no exercício; exemplo da falta dela: achar que não consegue correr bem ou sentir muita dor.
- Vínculo social: é o exercício como momento de interação com outras pessoas; exemplo da falta dele: ter a expectativa de fazer amigos, mas estar sempre correndo sozinho.
Tais sensações podem desmotivar o atleta iniciante, mas há estratégias para reverter o quadro e manter a constância dos treinos. Veja a seguir oito dicas:
1. Não se compare a outros corredores
A principal métrica de velocidade da corrida é o pace, ou ritmo, que é o tempo que leva para percorrer 1 km. Usar o pace como métrica de comparação é uma armadilha para quem está começando.
Ao fazer uma prova de 5 km, por exemplo, entenda que não há problema em caminhar. Um dia você vai ter autonomia e conseguir fazer todo o percurso correndo. É preciso paciência.
2. Normalize as dificuldades
“Embora a gente tenha nas redes sociais bons exemplos de pessoas correndo, elas são uma vitrine perigosa“, afirma Fábio.
Faça uma reflexão rápida: quantos posts sobre quem deixou de treinar porque estava com preguiça você já viu? São poucos (ou mesmo nenhum), não?
“A gente, às vezes, não consegue fazer o exercício, e temos que normalizar isso”, diz o profissional. Falhar é esperado no processo de criação de hábitos.
3. Faltou? Não deixe de ir no outro dia
Não se culpe se tiver que faltar no treino, mas não deixe isso se tornar uma bola de neve.
“O importante é não entrar na cadeia de pensamento de que, se não fui hoje, não vou mais”, afirma Duda Rea, psicóloga do esporte.
4. Procure uma companhia
Se está correndo sozinho e se sentindo desmotivado, busque parceiros de corrida.
É possível combinar com um amigo que mora perto, com um vizinho ou entrar em uma assessoria esportiva.
Para Maria de Fátima Araújo, 36, esses vínculos têm função terapêutica. Ela diz que costuma passar o dia em casa, cuidando do filho caçula, autista, e conversando com outras mães de crianças com deficiência. A corrida, ela conta, a permite também falar de outros assuntos.
“É um momento só meu, em que posso trocar ideias com amigas e pensar mais em mim”, afirma.
5. Tenha um objetivo
Esta é a dica que todos os treinadores dão. Ter um objetivo ajuda a ter disciplina e a não desanimar.
“Pode ser uma prova ou a meta de correr dois quarteirões sem caminhar”, afirma Daniel Neves, profissional de educação física e sócio da DPN Run Assessoria Esportiva.
6. Corra ao ar livre
“O esforço ao correr é, muitas vezes, desgastante, e isso pode desmotivar”, diz Fábio. Correr em meio à natureza é uma ótima estratégia para driblar isso. O ambiente pode ajudar a pessoa a se distrair do cansaço.
Além disso, a prática de exercício na natureza é um aliado da saúde mental, melhorando questões como ansiedade e depressão.
7. Mude a rota
Outra dica é variar os trajetos para não se cansar dos mesmos cenários. No parque Ibirapuera, em São Paulo, por exemplo, é possível correr em volta do lago, no chão de asfalto, ou ir à pista de terra.
8. Ouça música
Ouvir algo de que gosta é uma forma poderosa de se distrair do esforço e da percepção de tempo. Você pode dar o play em músicas animadas ou podcasts. Vale tudo.
Corrida Folha 105 anos
Para celebrar os seus 105 anos, a Folha promoverá uma corrida de rua em São Paulo, no dia 29 de março, um domingo. A Corrida Folha 105 anos tem largada e chegada no vale do Anhangabaú, no centro histórico da capital paulista.
A prova foi pensada para todos os perfis, do iniciante ao corredor experiente, com três modalidades: caminhada de 3 km e corridas de 5 km e 10 km.
As inscrições já podem ser feitas neste link, com valores a partir de R$ 139,90 para o Kit Corredor (que inclui camiseta, sacochila, medalha, número de peito e três meses de assinatura digital do jornal) e R$ 249,90 para o Kit Premium (que também inclui garrafa térmica exclusiva e três meses de assinatura CasaFolha). Os valores não incluem a taxa de bilheteria.
Assinantes da Folha têm 20% de desconto nas inscrições, que vão até 27 de março e podem ser parceladas em até três vezes.
Autor: Folha








.gif)












