Faltam cem dias para a Copa do Mundo. A carência da seleção brasileira está nas laterais.
Se o uruguaio Piquerez, do Palmeiras, fosse brasileiro, provavelmente seria titular na lateral esquerda. Piquerez joga bem de uma extremidade à outra do campo. Os seus cruzamentos são precisos, como no gol de Flaco Lopes contra o São Paulo. Abel Ferreira usa muito bem essa qualidade.
Alex Sandro, do Flamengo, pela experiência e pela falta de um outro excelente lateral, deve ser o titular na Copa. O mesmo ocorre no lado direito, que deverá ser ocupado pelos zagueiros Militão ou Danilo.
No Brasil e em todo o mundo, tem aumentado bastante o número de gols de bolas cruzadas, com a bola em movimento ou parada, especialmente nos escanteios. Não se pode confundir os cruzamentos eficientes da linha de fundo com os da intermediária. Os times brasileiros, em vez de trocarem passes pelos lados e fazerem triangulações até chegar à linha de fundo para cruzar, abusam das bolas jogadas na área. Ou para se livrar dela ou para contar com a sorte e a bola sobrar para o companheiro.
Andreas Pereira, além de ser um ótimo meio-campista, pois marca bem e tem um excelente passe, é preciso nas cobranças de escanteios. Mais que isso. Contra o São Paulo, sob a orientação de Abel Ferreira, fez muito bem a marcação individual contra o habilidoso Marcos Antônio. Entre os jogadores que não estão muito cotados para serem chamados por Ancelotti, eu convocaria Andreas Pereira, que seria um bom reserva para Bruno Guimarães.
Compreendo a provável ausência de Matheus Pereira, do Cruzeiro, entre os convocados, pois ele não teve chance de ser testado. Mas tenho muita curiosidade de vê-lo na seleção, se ele seria capaz de executar no time brasileiro as mesmas eficientes e belíssimas jogadas e os lances de efeito que faz no Cruzeiro.
A seleção brasileira, com Ancelotti, tem adotado o mesmo desenho tático: com quatro defensores, dois meio-campistas, um meia ofensivo centralizado, um centroavante e dois pontas que voltam também para marcar. Essa é uma das razões do técnico escalar Vinicius centralizado e no ataque, para evitar que ele tenha de recompor pela esquerda e participar da marcação. Ancelotti quer vê-lo livre e no ataque. Será que contra fortes seleções que priorizam o domínio da bola e que jogam com um trio de meio-campistas Ancelotti vai reforçar a marcação e a construção de jogadas no meio-campo?
Além dos conhecimentos técnicos e táticos, Ancelotti é um treinador sereno, lúcido, equilibrado, que costuma achar os caminhos certos. Evidentemente, possui muitas dúvidas. Só os ignorantes sabem de tudo.
Demissão
Estranha, absurda e surpreendente a demissão de Filipe Luís, um técnico competente e vitorioso. Certamente, a demissão estava planejada e dependia apenas dos acertos com Leonardo Jardim, ex-técnico do Cruzeiro. As perdas recentes de títulos não justificam a saída do treinador. A equipe vai ganhar e perder. O time é muito bom, mas não é nenhuma maravilha, como pensa a diretoria e parte dos torcedores.
Leonardo Jardim terá as mesmas dificuldades de Filipe Luís, de aproveitar as melhores condições técnicas de Arrascaeta e Paquetá, pois as suas posições ideais são as mesmas.
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Autor: Folha








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