sexta-feira, janeiro 2, 2026

Ajustes no Smart Sampa – 25/12/2025 – Opinião

A partir de dezembro de 2024, a cidade de São Paulo juntou-se a outras metrópoles do mundo, como Londres e Xangai, que implantaram sistemas de câmeras de reconhecimento facial no espaço urbano como ferramenta de política em segurança pública.

Trata-se de uso inescapável da tecnologia, mas seus resultados exitosos exigem critérios técnicos de aplicação, protocolos rigorosos de armazenamento de imagens e de abordagens policiais, além de transparência das suas regras de funcionamento e de dados relativos aos resultados.

Após um ano, o Smart Sampa conta com 40 mil câmeras em funcionamento na capital paulista. A verba destinada ao programa, maior bandeira do prefeito Ricardo Nunes (MDB) no setor, foi de R$ 45,2 milhões, e a gestão municipal pretende aumentá-la a R$ 240,6 milhões no Orçamento de 2026 que ainda será votado pela Câmara de Vereadores.

Levantamento da Folha mostra algumas distorções. Regiões que lideram em ocorrências de roubos neste ano, como Capão Redondo e Campo Limpo, receberam menos recursos e câmeras do que outras com melhores indicadores nesse tipo de crime.

Dos cerca de R$ 7,7 milhões distribuídos mensalmente às subprefeituras para funcionamento do programa e manutenção de câmeras, a da Sé recebe a maior fatia (R$ 1,1 milhão) e tem a maior quantidade de dispositivos (2.200, 11,2% do total). Já a subprefeitura de Campo Limpo tem verba de R$ 373,5 mil e 1.144 câmeras.

A prefeitura afirma que segue critérios técnicos na alocação de recursos que vão além dos índices de criminalidade, como fluxo de pessoas e veículos e presença de equipamentos públicos municipais (com escolas e postos de saúde) —o que explicaria o montante destinado à Sé, na região central da capital.

Com tão pouco tempo de funcionamento, é natural que haja problemas no Smart Sampa, mas eles precisam ser monitorados, avaliados e corrigidos. Num caso recente, uma funcionária de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) na zona norte foi abordada pela polícia após ser identificada pelo sistema e, por sorte, conseguiu provar no local que não era a pessoa procurada.

Falhas devem ser sanadas em prol dos resultados positivos. Neste mês, dois dos suspeitos de roubo de obras de arte da biblioteca Mário de Andrade foram presos após identificação pelo Smart Sampa —que, segundo a gestão municipal, auxiliou na detenção de 2.278 foragidos e 3.445 criminosos em flagrante e na localização de 119 pessoas desaparecidas.

editoriais@grupofolha.com.br

Autor Original

Destaques da Semana

Temas

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas

spot_imgspot_img