sábado, dezembro 27, 2025

Veja passo a passo como traçar metas realistas para 2026 – 27/12/2025 – Equilíbrio

Esqueça aquela velha lista de resoluções para o ano novo. “Perder 10 kg”, “parar de beber”, “aprender um novo idioma” listados em um pedaço de papel esquecível —caso esteja entre os remanescentes analógicos como eu— representam o exato esforço mental que será colocado para atingir esses feitos.

Para atingir as metas de longo prazo é preciso, antes de tudo, intenção. E há poucas atividades tão intencionais quanto sair de casa em uma manhã de domingo com um caderno debaixo do braço rumo a uma atividade coletiva de autoanálise —o episódio aconteceu em agosto, após ter sido intimada por uma das minhas amigas mais bem-sucedidas.

Após sugestão da terapeuta, a hoje mestranda na LSE (London School of Economics and Political Science) nos convocou para um brunch, com a ideia de implementarmos um método para definição de metas pessoais a curto, médio e longo prazo. A base para isso, nos contou entre bebericadas de mimosa, é a “roda da vida”.

O círculo oferece uma representação visual das áreas da vida de quem o está desenhando. Dividida em categorias como saúde, carreira, finanças e relacionamentos, a roda é uma forma de avaliar o nível de satisfação e o equilíbrio entre cada uma delas. Portanto, pode facilitar a criação de metas para melhorar o bem-estar geral.

A ideia, embora creditada ao palestrante americano Paul J. Meyer nos anos 1960, é largamente incentivada por profissionais da saúde mental.

“A roda da vida se encaixa bastante na terapia cognitivo-comportamental, ajuda a entender quais áreas temos maiores dificuldades, facilita metas comportamentais específicas, ajuda a identificar áreas que geram mais crenças disfuncionais e fala bastante sobre a incongruência entre valores e ação e sobre repetições de padrão”, diz a psiquiatra Jéssica Martani, presidente do Instituto TDAH.

Se a ideia soa aprazível, lápis, canetas e hidrocores a postos, é a hora do primeiro passo.

Selecione as principais áreas da sua vida

Nós seguimos uma cartilha tradicional, que pode ser observada na imagem acima: quatro grandes setores, subdivididos em três categorias para uma autoavaliação sobre assuntos como relacionamentos familiares e amorosos, desenvolvimento intelectual, recursos financeiros e até espiritualidade —embora nosso amigo ateu tenha compreensivelmente resistido a essa última.

Mas é possível separar como desejar: desenhe o círculo e divida-os em 12, oito, seis fatias. Sejam mais abrangentes, sejam mais específicas, o que importa é tentar pontuar, de 0 a 10, qual é o próprio nível de satisfação atual com cada uma.

Comece a pontuar

Para esse passo, pinte cada fatia até o número correspondente, do centro (0) para fora (10), sendo 10 o número que representa maior satisfação.

Observe, então, o equilíbrio entre as áreas. Selecione as com menores pontuações e execute um plano de ação para cada.

Se quiser ser mais realista, foque no máximo três delas, afinal, tentar melhorar em todas as áreas ao mesmo tempo pode ser desgastante e ineficaz.

Plano de ação

“O que vou fazer para melhorar?” e “o que vou deixar de fazer?” são perguntas que podem ajudar a guiar esse passo.

As metas podem ser pensadas a curto prazo (três, seis meses), mas também a médio e longo. Tentamos pensar aonde queríamos chegar e como poderíamos agir, todos os dias, para nos aproximarmos de cada objetivo.

Exemplo: se um deles é guardar dinheiro, é possível tentar definir a quantia a ser guardada por mês e em qual aplicação investir. Esse pode ser um objetivo a curto prazo, enquanto usar o valor para comprar um carro ou fazer uma viagem pode ser o médio ou longo prazo dessa meta.

Também extrapolamos levemente o método e resolvemos pensar no que já havíamos conquistado nos últimos anos como uma tentativa de exercer gratidão. Pode parecer bobo, mas é fácil ficar desmotivado se for o caso de ter percebido que metade das áreas da sua vida merecem um sólido quatro.

Compartilhamos, então, nossas respostas. O grupo funcionou como um motivador e a ideia nos ajudou a fortalecer os planos pessoais e até a amizade.

De fato, a construção de metas em grupo pode ter efeitos positivos, segundo Martani. “Amplia a própria percepção, ajuda no apoio emocional, sensação de pertencimento e no maior comprometimento com as metas, já que você está se expondo em público”, diz.

Por outro lado, só é recomendável fazer em coletividade se há autoconhecimento suficiente para não gerar comparação e a perda da individualidade, acrescenta. “É enriquecedor, desde que o grupo funcione como espaço de escuta e reflexão, e não de julgamento”.

O exercício também pode ser feito individualmente e atualizado a cada três, seis meses e até um ano. É como parar por um instante para ser um observador da própria vida.

“Muitas pessoas pensam que a vida está ruim, mas não sabem o motivo. Então, a “roda da vida” quebra essa sensação de fracasso global e torna possível perceber o que realmente está mal. São desequilíbrios em algumas áreas e, às vezes, uma drena a outra. Então o sofrimento ganha forma e começa a virar plano. Ela dá nome ao que estava confuso, revela desequilíbrios invisíveis e orienta as decisões”, completa Martani.

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