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Brasileiros fazem fila para conseguir residência no Paraguai

Primeiro foram as empresas. Agora são as pessoas. A fronteira entre Brasil e Paraguai vive uma nova onda migratória: mais de 17 mil brasileiros obtiveram residência no país vizinho apenas em 2025, número recorde que consolida o Paraguai como principal destino regional para quem busca menos burocracia e custos operacionais mais baixos.

O fenômeno ficou visível no último mutirão MigraMóvil, realizado em Ciudad del Este. Em poucos dias, entre mil e 1,2 mil pessoas passaram pelo Centro Cultural Mangoré — cerca de 90% eram brasileiras. Há relatos de gente que passou a noite na fila e viajou de São Paulo e Rio de Janeiro exclusivamente para participar da ação.

A agilidade é o grande atrativo. Enquanto o processo convencional pode levar até quatro meses, no mutirão a documentação sai em menos de uma semana. A residência temporária, válida por dois anos, permite trabalhar, empreender e realizar operações imobiliárias de forma regular.

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Esse fluxo migratório intenso não se limita à busca individual por oportunidades. Ele criou um novo cenário que exige integração mais profunda entre os dois lados da fronteira.

Foi nesse contexto que o governo do Paraná e a Universidad Nacional del Este assinaram protocolo para criar um hub binacional de inovação, transformando a região em “território laboratório” de soluções tecnológicas aplicadas à segurança pública, turismo, empreendedorismo e gestão pública.

“A ideia é sair do papel. Não queremos pesquisa de prateleira, mas produtos entregáveis, que realmente melhorem a vida da população dos dois lados”, destaca o tenente-coronel Deuclésio Aires, coordenador do eixo de Segurança Pública da iniciativa.

Entre os primeiros projetos está a adaptação de um sistema de CEP Digital — já utilizado no Paraná — para a realidade paraguaia, onde a ausência de códigos postais estruturados dificulta o acesso a serviços, entregas e atendimentos em áreas rurais. A proposta é criar uma identidade digital de endereço que facilite desde a logística comercial até a atuação do poder público. 

Outro destaque é uma ferramenta tecnológica de análise preditiva de risco em casos de violência doméstica, chamada Crivo. O sistema classifica ocorrências em níveis de risco e dispara alertas automáticos às autoridades competentes, criando uma rede de resposta rápida e obrigatória. Segundo Aires, o modelo foi testado no Paraná e poderá ser adaptado à realidade paraguaia.

Para o professor Walter Duarte Maldonado, decano da Faculdade Politécnica da Universidad Nacional del Este, a parceria representa uma oportunidade histórica. “A universidade sempre produziu pesquisa e tecnologia, mas muitas vezes isso não chegava à população. Agora temos a chance de transferir conhecimento e aplicar soluções reais na região de fronteira”, afirmou.

A Universidad Nacional del Este desenvolveu projetos como plataforma de eficiência energética para indústrias e um braço robótico para pessoas amputadas. O desafio, segundo Maldonado, é adaptar as soluções à realidade local e garantir aceitação institucional.

O avanço da migração brasileira e o fortalecimento da cooperação tecnológica revelam duas faces de um mesmo fenômeno: a fronteira deixou de ser apenas linha divisória para se tornar espaço de convergência. Enquanto brasileiros buscam no Paraguai um ambiente econômico mais atrativo, governos e universidades tentam estruturar uma integração que vá além da circulação de pessoas e mercadorias. 

Se bem-sucedida, a combinação entre mobilidade migratória e inovação aplicada poderá consolidar a região trinacional como um polo estratégico não apenas comercial, como também tecnológico e institucional na América do Sul.

Autor: Gazeta do Povo

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