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Kevin Sims defende treino inteligente para adolescentes – 20/01/2026 – Esporte

Kevin Sims é gerente nacional de fisioterapia da Tennis Australia, a federação australiana de tênis. Tem mais de 30 anos de experiência com atletas de alto nível de vários esportes, como críquete, rúgbi e futebol. Sua especialidade são os problemas músculo-esqueléticos. À Folha ele falou sobre a frequência do tipo de lesão sofrido por João Fonseca e sobre a necessidade de um programa de treinamento equilibrado.

Após ter desistido dos torneios de Brisbane e Adelaide para se recuperar de dores nas costas, o brasileiro de 19 anos foi eliminado nesta terça-feira (20) na primeira rodada do Australian Open. Perdeu por 3 sets a 1 para o norte-americano americano Eliot Spizzirri.

“Eu diria que precisava de mais tempo. […] Dei o meu melhor. Acho ruim não ter jogado a 100%, mas, ao mesmo tempo, isso me dá maturidade para continuar, para entender meu corpo, para entender meus limites”, afirmou Fonseca após a partida.

“Não era o dia. Mas acho que ainda estou confiante, ainda estou jogando bem. Estou tendo bons treinos. Só preciso de ritmo. Acho que esta temporada vai ser ótima para mim”, acrescentou o carioca.

João Fonseca teve uma fratura por estresse quando tinha 13 ou 14 anos. Com que frequência tenistas, especialmente os de elite, sofrem esse tipo de lesão?
É comum, particularmente durante os anos de crescimento. Não acho que existam dados mundiais muito bons sobre a frequência, mas eu diria que talvez um terço, digamos, 30% dos jovens tenistas, seria uma boa estimativa. Durante a fase de crescimento, digamos, dos 13 aos 16 anos, é mais comum sofrer uma fratura por estresse. Se a fratura realmente cicatrizar, ou seja, se o osso for totalmente reparado, não haverá problemas mais tarde. Mas o que geralmente acontece é que as pessoas não têm uma cura completa e adequada da fratura, e então ela pode progredir, geralmente apenas de um lado [das costas], mas pode progredir para os dois, e então você poderá ter problemas contínuos, mesmo quando for adulto. A maneira ideal de tratar uma fratura por estresse em um jovem é dedicar tempo para permitir que ela realmente cicatrize. Assim você não terá alguns dos problemas que se desenvolvem mais tarde na carreira, como fraturas bilaterais e fraturas que não cicatrizam.

Em um artigo acadêmico, o senhor descreve um caso em que conseguiu acelerar a recuperação de um atleta. Poderia descrevê-lo? Ele é recomendado apenas para situações excepcionais como a do artigo, em que o atleta queria muito participar de uma competição importante?
Depende muito de cada caso individual. Naquela situação específica, a ressonância magnética mostrou que não havia fratura. Mostrou estágios iniciais de estresse ósseo. Portanto, tínhamos que esperar apenas que o estresse ósseo diminuísse, e isso leva muito menos tempo do que uma fratura, que provavelmente levará cerca de 16 semanas para cicatrizar. No estresse ósseo, pode-se começar a carregar peso novamente dentro de quatro a seis semanas. Foi o que fizemos no caso que você mencionou.

Até que ponto os dois problemas, fratura por estresse e, como citou o Fonseca, “coluna retificada”, podem estar relacionados?
Não tenho 100% de certeza do que significa “coluna retificada”. As evidências sugerem que uma fratura por estresse é mais provável quando há um aumento da lordose, e “coluna retificada” soa mais como uma redução da lordose. Um aumento da lordose coloca mais pressão sobre os ossos na parte posterior da coluna, que ficam sobrecarregados, e é assim que ocorre uma fratura por estresse.

É normal que um atleta, cinco anos após uma fratura por estresse, comece a reclamar novamente de dor na região lombar a ponto de afastar-se por alguns meses?
É muito difícil dizer. Pode ser algo completamente diferente. Pode não ter nada a ver com a fratura por estresse que ele teve quando era adolescente. Ele pode facilmente ter tido uma cura completa. Mas, se foi algo que não cicatrizou perfeitamente, então, sim, há possibilidade de que esses tecidos não sejam tão resistentes e robustos como se ele não tivesse tido a fratura. Mas isso seria especulação.

Qual é sua avaliação sobre o compromisso que os jovens atletas de elite têm que fazer entre a demanda dos esportes de alto nível sobre o corpo e o risco de ter que lidar com lesões crônicas durante toda a carreira?
É uma pergunta muito boa. Acho que há um equilíbrio muito importante que é preciso encontrar ao treinar um jogador adolescente. A única maneira de seu corpo ser capaz de suportar as exigências do esporte de elite é treinar muito, para estimular ossos e músculos a se adaptar às forças que você tenta exercer sobre eles. Mas há um risco inerente de, se for longe demais, acabar causando uma lesão. O equilíbrio é fundamental. O momento ideal para essa adaptação é durante a adolescência. É nessa fase que os ossos respondem de maneira melhor ao treinamento e à carga. Assim, os ossos ficam mais espessos e fortes, e os músculos também se adaptam. O importante é ter um programa de treinamento muito bem planejado. Permitir o que chamo de “luz e sombra” em seu treinamento, para que você tenha dias em que treina intensamente, mas também tenha dias de recuperação. E ter dias em que você nem treina também é importante. E, quando estiver na quadra, ter realmente qualidade, não quantidade.

Quando o senhor diz adolescência, o que quer dizer? Fonseca tem 19 anos. O corpo dele está totalmente formado?
Meninas atingem o chamado “pico de velocidade de estatura”, que é taxa máxima de crescimento, em média, aos 12 anos; meninos, em média, aos 14. Portanto, o período da adolescência, dependendo se é homem ou mulher, é algo entre os 10 e os 16, 17 anos. Cada pessoa é um pouco diferente, mas é mais ou menos isso. O interessante é que a resistência óssea não atinge os níveis adultos completos até em torno dos 22 anos, especialmente na coluna lombar. Portanto, vale a pena ter em mente que um jovem de 19 anos ainda tem potencial para um fortalecimento da coluna lombar.

Fonseca disse que a lesão impacta seu saque, devido ao movimento que exige. Que tipo de adaptação o tenista pode fazer para minimizar esse impacto?
O “kick serve” [saque em que a bola quica alto, para dificultar a devolução] coloca mais pressão sobre a coluna vertebral, porque a coloca em uma posição mais estendida, o que exerce mais pressão sobre os ossos na parte de trás da coluna. Obviamente, você precisa trabalhar com seu treinador e garantir uma técnica eficiente e sustentável. Garantir que, durante o treinamento, reserve tempo para que a coluna se adapte. Não sacar grandes volumes todos os dias. Ter dias de alto volume, dias de baixo volume e dias sem sacar nada, apenas para permitir que a coluna se adapte. Treinar de forma inteligente, para que o corpo se adapte e se recupere.

Autor: Folha

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