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Ratinho Jr. e Moro mexem no xadrez das eleições no Paraná

De Brasília a Curitiba, as peças do tabuleiro político neste mês de março vão sendo movimentadas em jantares e reuniões que antecedem e preparam a definição para o cenário eleitoral da centro-direita paranaense na disputa pelo governo estadual. E com repercussão na corrida presidencial.

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No centro das articulações estão o governador Ratinho Junior (PSD-PR) — que tem potencial de ser escolhido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, para a candidatura à Presidência — e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). Moro é, até o momento, o principal nome de fora do grupo político de Ratinho Junior com pretensões de disputar o comando do Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense, nas eleições de outubro.

Enquanto Ratinho Junior não anuncia a decisão sobre quem vai concorrer para tentar a sucessão dele na gestão estadual, o ex-juiz da Lava Jato segue em busca do apoio do Progressistas. Apesar de ter o aval do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, o senador ainda precisa convencer o PP paranaense para embarcar na sua candidatura, por conta da federação União Progressista, que deve ser homologada neste mês pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo apuração da Gazeta do Povo, um jantar entre Moro e integrantes do PP paranaense foi realizado na última terça-feira (3) em Brasília, onde o senador defendeu a pré-candidatura própria ao governo paranaense. Ele apresentou como possibilidades a vice na chapa os nomes do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos (sem partido), e da prefeita de Ponta Grossa (PR), Elizabeth Schmidt (União Brasil). Para disputar em outubro, a filiação a um partido político deve ser feita até 4 de abril.

Em resposta, Moro ouviu do grupo político liderado pelo deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) que não terá o aval da sigla nas convenções partidárias. Além do cacique paranaense, os deputados federais Dilceu Sperafico e Tião Medeiros foram ao jantar no apartamento do senador.

Conforme a apuração da reportagem, eles defendem que a vaga de vice seja ocupada por um integrante do Progressistas. Entre as opções estão a ex-governadora Cida Borghetti e a deputada estadual e presidente paranaense do PP, Maria Victória, esposa e filha de Barros, respectivamente.

No dia seguinte ao jantar, a delegação paranaense divulgou uma foto do encontro com o presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira, que confirmou o apoio à decisão do diretório estadual, fortalecendo Barros no comando das negociações com o União Brasil no Paraná. “A decisão de vocês é a minha decisão”, disse Nogueira.

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O posicionamento do Progressistas ao isolar Moro favorece a articulação de Ratinho Junior, que buscará fazer um sucessor do grupo político no Palácio Iguaçu. Para isso, o governador terá de resolver o conflito interno do PSD pela indicação do pré-candidato e evitar rompimento do acordo com o PL de Flávio Bolsonaro, caso Ratinho Junior seja lançado por Kassab como pré-candidato do PSD à Presidência.

Publicamente, os nomes concorrentes à disputa estadual do grupo de Ratinho negam racha, mas internamente cada um tenta alavancar seus projetos próprios. Na última segunda-feira (2), Ratinho Junior se encontrou com um grupo próximo para discutir o imbróglio envolvendo as pré-candidaturas do secretário estadual das Cidades, Guto Silva; do ex-prefeito de Curitiba e secretário do Desenvolvimento Sustentável Rafael Greca; e do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi — os três querem ser cabeça de chapa do PSD.

No mesmo dia, um churrasco foi realizado na casa de Guto Silva — nome preferido de Ratinho Jr. para encabeçar a chapa. Entre os convidados estavam prefeitos e deputados estaduais, além do primeiro escalão do governo.

Um dos participantes da festa ouvido pela Gazeta do Povo disse que o plano de Ratinho Junior é oferecer a vaga de candidato a senador para Curi e indicar Greca, atual secretário de Desenvolvimento Sustentável, à vaga de vice na chapa pura do partido.

No entanto, Curi e Greca resistem aos planos do governador e ameaçam deixar o PSD nas próximas semanas para concorrer ao Executivo estadual por outras siglas. A dupla não participou do churrasco, conforme apuração da reportagem.

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Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro recebeu nesta semana os deputados federais Fernando Giacobo e Filipe Barros, ambos do PL, para discutir as eleições no Paraná. O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou Barros como pré-candidato ao Senado.

Já Giacobo, presidente estadual da sigla, é visto como uma alternativa ao governo do estado, caso Ratinho Junior seja confirmado como o escolhido de Kassab para a corrida ao Palácio do Planalto. O objetivo do PL no estado é ter uma candidatura própria ou o apoio do governador no palanque paranaense, pela alta aprovação popular do chefe do Executivo.

Um encontro entre Flávio e Ratinho Junior é esperada para as próximas semanas. Além de Barros e Giacobo, o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL), e o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, devem participar da reunião.

A definição do cenário eleitoral no estado passou a ser prioridade no PL, pois Ratinho Junior deve deixar o cargo até 4 de abril, se confirmar o plano presidencial. Se permanecer no cargo — o que não é descartado por interlocutores do governador paranaense — ele deve priorizar a campanha de Guto Silva e assegurar um forte palanque para Flávio Bolsonaro no estado que é o quinto maior colégio eleitoral do país.

Quem também deve definir o futuro político em Brasília é Alexandre Curi. A Gazeta do Povo apurou que o deputado estadual recebeu um convite para se encontrar com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.

O partido pode ser o destino de Curi para disputar o governo do estado. A migração deve ser feita durante a janela partidária. O presidente da Alep afirmou que deve voltar a conversar com Ratinho Junior antes de tomar a decisão.

Autor: Gazeta do Povo

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