Depois de inaugurar em 1947 o primeiro restaurante Fasano, no centro de São Paulo, Ruggero Fasano, avô do empreendedor da gastronomia Gero Fasano, levou ao Conjunto Nacional, em 1958, uma confeitaria e instalou no jardim de inverno uma casa de espetáculos, que recebeu desde festas de formatura a atrações internacionais.
É nesse icônico espaço antes frequentado pela elite paulistana que os empresários Fernando Ximenes, Thiago Armentano e Thomaz Rothmann, também responsáveis pelo Parque Mirante —camarote no terraço do Allianz Parque—, querem resgatar os tempos áureos da avenida Paulista, que viveu um período de decadência após saídas de grandes negócios, como a Livraria Cultura.
Chamada de Jardim Nacional, em referência ao jardim de inverno que funcionava no local, a casa deve ser inaugurada no dia 25 deste mês, quando se comemora o aniversário de São Paulo.
Em entrevista à coluna, Fernando Ximenes, um dos sócios do empreendimento, não quis abrir os preços de aluguel do espaço, mas disse que projeta faturar R$ 20 milhões por ano e ter retorno com o investimento de R$ 22 milhões no negócio em dois a três anos.
Qual é a ambição com o novo projeto?
O local estava esquecido por dez anos e enxergamos uma possibilidade de trazer esse imóvel de volta para a ideia original do arquiteto do Conjunto Nacional, o [David] Libeskind, que desenhou para o espaço, nos anos 1950, um salão de eventos. Passados 70 anos, estamos trazendo isso de volta.
A nossa ideia é honrar esse legado. Queremos trazer essa originalidade para o espaço de novo e respeitar a história da arquitetura e a própria história do Ruggero Fasano, que era o avô do Gero. Também temos como foco trazer a São Paulo mais áreas de eventos corporativos e sociais, como casamentos e aniversários de 15 anos.
Além dos aluguéis da casa, tem alguma outra estratégia de retorno com o investimento no local?
O foco é 100% em locações. Vamos ter dois espaços que podem ser operados simultaneamente. Um deles é o Salão Paulista, que vai ficar logo na entrada e comporta até 300 pessoas. O local terá velocidade maior de locação. O outro espaço ficará no andar de cima, conectado por uma escada que fizemos para remeter à escada que tinha na época do Fasano. Esse salão, de 1.000 m², terá eventos mais elaborados.
Que tipo de eventos corporativos vocês receberão?
Lançamentos de empresas, lançamentos de produtos, eventos internos, com influenciadores…
Tem demanda para o ano inteiro?
Temos uma agenda muito concorrida no Allianz. São cerca de 120 eventos por ano entre shows, jogos e eventos corporativos. A ideia do Jardim Nacional é atender toda essa demanda que temos e que não conseguimos suprir.
Já tem eventos programados no novo espaço?
Temos alguns contratos fechados já, que ainda não podemos abrir. O primeiro evento será no dia 26 de fevereiro.
No ano passado, o histórico Edifício Martinelli reabriu com eventos badalados em seu terraço. Foi uma inspiração para o Jardim Nacional?
Nosso grupo sempre atuou dessa forma. Já tivemos uma casa na frente da Ponte Estaiada, que tinha uma visão muito bonita da ponte. No Allianz Parque, temos um espaço de 4 mil m², onde, de um lado, é possível ver a Casa das Caldeiras e a serra da Mantiqueira. E agora chegamos ao Conjunto Nacional, com a vista da Paulista, e todo o apelo histórico do local. Só investimos em imóveis com apelo visual e histórico.
Vocês pretendem abrir o espaço para grandes eventos, com um público mais amplo?
Nosso modelo de gestão é voltado para locação. Hoje o que conversamos é de fazer eventos culturais, como exposição. Mas festa com venda de tickets pretendemos segurar neste momento. O que fizermos [de grandes eventos] serão pouquíssimos e bons. Entendemos que, se o espaço tem grandes festas e está sendo muito usado, ele perde a graça rápido. E a marca, quando vê que o espaço é uma balada, não quer fazer o lançamento dela lá. Mas se tiver uma superoportunidade, por exemplo, se algum artista, que fizer show no Allianz, quiser fazer um pocket show no Jardim Nacional, podemos abrir uma exceção.
RAIO-X
Fernando Ximenes, 40
1985, São Paulo
CEO do Backstage Mirante, que opera camarotes no Allianz Parque, no Morumbis, no Mercado Livre Pacaembu e na Neo Química Arena, tem experiência profissional com grandes projetos que unem arquitetura, operação e criatividade.
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