O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela e escreveu em suas redes sociais que as ações ultrapassam uma “linha inaceitável”. Segundo o chefe do Executivo brasileiro, atacar países, em flagrante violação do direito internacional, representa o primeiro passo para um “mundo de violência, caos e instabilidade”, em que a “lei do mais forte” prevalece.
“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu Lula no X.
O ataque feito pelos EUA contra a Venezuela neste sábado (3) é considerado a maior intervenção contra a América Latina em décadas. O governo de Donald Trump bombardeou a capital, Caracas, e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. Segundo Trump, Maduro será levado aos EUA para ser julgado por narcoterrorismo e outros crimes relacionados ao tráfico de drogas.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, diz a nota de Lula.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, acrescenta.
Antes da manifestação oficial, a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, já havia convocado uma reunião de emergência com ministros para discutir a situação internacional. A diplomacia brasileira vem reunindo informações sobre o ataque desde a madrugada.
Lula participou da reunião de forma remota, por estar em Marambaia (RJ), onde passou o Réveillon.
Além de ministros que estão em Brasília, a reunião contou com a presença de representantes das Forças Armadas, do Ministério da Justiça, além do titular da Defesa, José Múcio Monteiro, já que uma das pautas deverá ser a situação das fronteiras brasileiras.
No começo de dezembro, Lula conversou por telefone com Nicolás Maduro sobre a escalada militar dos EUA contra o país vizinho. O governo Trump já vinha deslocando forças militares para as proximidades do país desde agosto de 2025, sob a justificativa de intensificar o combate ao narcotráfico na região.
Foi a primeira conversa entre os dois desde a eleição na Venezuela no meio de 2024, quando Maduro foi declarado vencedor apesar de denúncias de fraude por parte da oposição.
Na mesma semana em que conversou com Maduro, Lula também falou por telefone com Trump para tratar do combate ao crime organizado internacional. Segundo informações do governo brasileiro à época, a situação com a Venezuela não foi abordada.
Os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Camilo Santana (Educação) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) também se manifestaram sobre o tema, com críticas à intervenção americana.
A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) rebateu a celebração de integrantes da direita diante do caso e disse que a invasão da Venezuela pelos EUA não tem a ver com defesa da democracia.
Boulos chamou o governo dos EUA de criminoso e acusou o país de usar o pretexto de defesa da democracia para invadir territórios e explorar o petróleo da região.
Também pelas redes sociais, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), criticou os ataques e a captura de Maduro. Ele afirmou que a América do Sul viveu um retrocesso histórico neste sábado (3).
“Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui. A resposta é não!”, escreveu ele.





