
O Paraná está diante de uma oportunidade estratégica para ampliar sua presença no comércio global. Com a aprovação do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, o estado passa a ter acesso direto e preferencial a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores, inserido em um bloco econômico que, somado ao Mercosul, representa aproximadamente 25% do PIB mundial e 700 milhões de pessoas.
Após mais de 25 anos de negociações, o tratado foi aprovado pelo Conselho da União Europeia no último dia 9, com assinatura oficial prevista para 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. Segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Paraná (AHK Paraná), o acordo inaugura uma nova fase nas relações comerciais internacionais e posiciona o estado como um polo industrial, energético e logístico estratégico entre a América Latina e a Europa.
“Esse acordo conecta o Paraná a um dos maiores mercados do mundo. A redução progressiva de taxas e tarifas torna a exportação para a União Europeia não apenas possível, mas economicamente viável.”
Lourdes Manzanares, diretora da AHK Paraná.
Acordo Mercosul–União Europeia fortalece a indústria do Paraná
Com uma base industrial moderna e diversificada, o Paraná reúne setores com forte vocação exportadora, como automotivo, autopeças, máquinas e equipamentos, indústria química, agroindústria transformadora e energias renováveis — incluindo biomassa e hidrogênio verde.
De acordo com Lourdes Manzanares, o novo cenário favorece principalmente empresas médias e grandes, que já possuem estrutura para exportação, mas enfrentavam barreiras tarifárias relevantes no mercado europeu.
“As empresas do Paraná têm DNA exportador. Hoje, muitos produtos chegam à Europa com preços elevados. Com o acordo, esses produtos poderão entrar com valores mais competitivos, tornando-se atrativos para os consumidores europeus”, destaca.
Investimentos estrangeiros e reinvestimentos ganham impulso
Para as mais de 180 empresas associadas à AHK Paraná — muitas delas com capital ou presença alemã o tratado representa um estímulo direto a novos investimentos e à ampliação de operações no estado. Projetos represados tendem a ser destravados, com maior previsibilidade regulatória e redução de incertezas.
“O acordo deve incentivar o reinvestimento de lucros, a ampliação de plantas industriais e novas decisões de investimento. O ambiente se torna mais estável e propício para planejamento de longo prazo”, explica Lourdes.
A integração entre cadeias produtivas brasileiras e europeias também deve se aprofundar, abrindo espaço para maior cooperação tecnológica, inovação industrial e acesso a mercados de alto poder aquisitivo.
HK Paraná: Adequação a normas europeias será decisiva para competitividade
Apesar das oportunidades, os ganhos não serão automáticos. A diretora da AHK Paraná ressalta que empresas brasileiras precisarão se adequar a exigentes padrões técnicos, sanitários, ambientais e de rastreabilidade, especialmente nos setores de alimentos e agroindústria.
“Será necessário melhorar processos internos, atender a normas técnicas e ambientais rigorosas. É um desafio, mas também um fator que impulsiona a competitividade, o compliance e a profissionalização da indústria”, avalia.
No setor agropecuário, o acesso ao mercado europeu será gradual, com cotas e salvaguardas para preservar o equilíbrio dos mercados. Já a indústria tende a se beneficiar mais rapidamente, com isenção de tarifas em segmentos como máquinas, autopeças, químicos e aeronaves.
Embora a entrada em vigor do acordo ainda dependa da ratificação do Parlamento Europeu e dos Congressos do Mercosul, os primeiros efeitos práticos são esperados a partir de 2027. A eliminação total das tarifas pode levar de cinco a dez anos, conforme o setor.
Para Lourdes Manzanares, o tratado também representa um reposicionamento geopolítico do Paraná e do Brasil, com menor dependência de mercados como Estados Unidos e China e maior integração com parceiros europeus.
“Há afinidade cultural, institucional e econômica entre os blocos. Além disso, o Paraná pode ampliar sua liderança em energias renováveis, especialmente no hidrogênio verde, criando cadeias de valor sustentáveis com apoio europeu”, conclui.
Autor: Gazeta do Povo







