terça-feira, janeiro 13, 2026

Mensagens pró-ação dos EUA viralizam no WhatsApp do Brasil – 05/01/2026 – Encaminhado com Frequência


A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela levou poucas horas para ser absorvida pelo WhatsApp brasileiro e convertida em combustível político interno.

Dados do monitoramento da Palver em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp mostram que, desde a madrugada de sábado (3), milhares de mensagens circularam sobre o episódio, com alcance estimado de mais de 1 milhão de pessoas na amostra.

Em poucas horas, o que era um fato internacional passou a funcionar como argumento central em disputas políticas domésticas.

A reação dominante foi de celebração. Mensagens favoráveis à intervenção americana concentraram o maior volume e se espalharam com velocidade superior às demais leituras. Em média a taxa de reencaminhamento dessas mensagens foi de 120%.

O tom foi emocional, triunfalista e agressivo. Esse desempenho esteve associado a formatos prontos para viralização, como textos longos padronizados, vídeos e links, desenhados para encaminhamento em cascata e repetição em larga escala.

Poucas horas depois, o foco começou a se deslocar. A Venezuela passou a funcionar como espelho da política brasileira. Maduro foi associado a Lula, e a operação foi transformada em símbolo de promessa ou ameaça interna.

Pedidos explícitos de impeachment, punições a ministros do Supremo e ruptura institucional começaram a circular com mais frequência. Um conflito externo foi convertido em ferramenta direta de mobilização política doméstica.

Na parte da tarde do sábado começaram a surgir leituras críticas à operação. Mensagens passaram a apontar interesses estratégicos dos Estados Unidos, com destaque para o petróleo venezuelano, e a comparar o episódio a intervenções anteriores como no Iraque e na Líbia.

Essas mensagens tiveram taxas de encaminhamento muito menores. A taxa de reencaminhamento dessas mensagens foi de 30%.

Em compensação, essas leituras estiveram mais presentes em debates orgânicos e discussões diretas dentro dos grupos. Em vez de circular por meio de conteúdos empacotados, elas se manifestaram como respostas, contrapontos e argumentos no fluxo das conversas.

Em menor escala, crescem teorias conspiratórias que conectam o episódio a supostos acordos globais entre grandes potências.

Nessas mensagens, a operação na Venezuela foi apresentada como parte de uma reorganização informal do sistema internacional, na qual Estados Unidos, Rússia e China estariam repartindo zonas de influência.

A Venezuela apareceria como área sob controle americano, enquanto a Ucrânia seria aceita como esfera russa e Taiwan sob gestão chinesa. Organismos multilaterais como a ONU surgem como irrelevantes ou como cúmplices silenciosos desse arranjo, indicando o colapso das regras internacionais.

Nesse contexto, começaram a circular, de forma tímida mas consistente, narrativas defendendo que o Brasil deveria desenvolver seu próprio armamento nuclear como forma de garantir soberania, sob a premissa de que o direito internacional teria deixado de valer e que apenas a dissuasão nuclear garantiria proteção em um mundo regido pela força.

O impacto desse processo vai além da Venezuela. Ele revela como o ambiente informacional brasileiro absorve crises externas e as transforma em atalhos para disputas internas. A força passou a ser normalizada como instrumento aceitável de resolução de conflitos.

O debate sobre legalidade, soberania e limites institucionais ganhou centralidade, e a política entra na lógica do radicalismo, no qual as pessoas apostam no tudo ou nada e confiam menos nos processos institucionais de mediação.

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