Projetos de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Setor Palotina que promovem o uso seguro de plantas medicinais, a popularização da ciência e o diálogo com a comunidade completam 30 anos de atividades em 2026.
Ao longo dessas três décadas, as iniciativas têm aproximado universidade e sociedade por meio de oficinas, visitas guiadas, produção de materiais educativos e ações de divulgação científica. O trabalho envolve docentes e estudantes de diferentes cursos e contribui para o resgate do saber popular, a conservação de espécies e a difusão de informações científicas sobre o uso correto das plantas medicinais.
As atividades tiveram início em 1996, quando a então docente do Setor Palotina, professora Bettina Monika Ruppelt, foi procurada por um aluno do ensino fundamental que buscava orientações para desenvolver um trabalho sobre plantas medicinais para uma feira de ciências em Palotina. A partir dessa iniciativa, as ações passaram a envolver estudantes, professores e diferentes setores da comunidade.





Com a criação do projeto municipal Vida e Saúde, instituído pela Lei Municipal nº 1429, de 23 de outubro de 1997, foram implantados canteiros de plantas medicinais em escolas municipais de Palotina, com a participação da UFPR. A iniciativa contribuiu para ampliar o diálogo entre universidade e comunidade e fortalecer as atividades de educação em saúde.
Em 2010, as ações passaram a integrar o Programa Plantas Medicinais, que reuniu diferentes projetos e ampliou o público atendido. As atividades passaram a envolver, além da comunidade acadêmica, zeladoras e merendeiras de escolas públicas e privadas, agentes ambientais, produtores rurais, integrantes de clubes de mães, profissionais da saúde e a população em geral. Em 2019, por questões administrativas, o programa foi encerrado e as atividades seguiram sendo desenvolvidas em forma de projetos de extensão independentes.
Desde o início, as iniciativas contam com parcerias institucionais importantes, entre elas Itaipu Binacional, Cooperativa Agroindustrial C.Vale, Fundação Araucária, CNPq e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da UFPR (Proec).
Atualmente, as ações reúnem professoras de dois departamentos do Setor Palotina e contam com a participação de estudantes de quatro cursos de graduação. A interdisciplinaridade tem ampliado o alcance das atividades e consolidado o trabalho como referência regional.
Espaço de ensino, pesquisa e extensão
Um dos principais espaços que apoiam as atividades é o Horto de Plantas Medicinais e Aromáticas do Setor Palotina. Com cerca de 495 metros quadrados, o local reúne uma coleção com mais de 85 espécies vegetais nativas e exóticas.
O espaço funciona como área de cultivo, ambiente didático e suporte para atividades de pesquisa e extensão. O horto recebe visitas guiadas de grupos de diferentes regiões do Paraná, atendendo públicos variados, como crianças, idosos, estudantes, profissionais da saúde e integrantes da própria universidade.
Além das atividades de extensão, o local também apoia disciplinas de graduação e projetos científicos nas áreas de biologia, ciências agronômicas e biotecnologia. O espaço contribui ainda para a conservação de espécies e a produção de mudas utilizadas nas atividades educativas.
Interesse da comunidade impulsiona ações
A interação com a população tem sido fundamental para orientar as atividades desenvolvidas ao longo dessas três décadas. Durante oficinas, encontros e visitas, a equipe observa que muitas pessoas utilizam plantas medicinais no cotidiano, mas ainda têm dúvidas sobre a identificação correta das espécies, as formas de preparo e os usos terapêuticos.
Esse interesse e essas dúvidas têm direcionado o planejamento das ações de extensão, que buscam esclarecer essas questões e divulgar informações baseadas em evidências científicas, contribuindo para o uso seguro das plantas medicinais.





Entre as espécies mais procuradas pela população estão erva-baleeira, cavalinha, guaco, alecrim, erva-cidreira, burrito, açafrão e erva-luísa.
Livros e materiais educativos
A produção de livros e materiais informativos também surgiu a partir da interação com a comunidade durante as ações de extensão. Os conteúdos foram organizados com base nas dúvidas e nos interesses apresentados por participantes de grupos parceiros, como clubes de mães, núcleos femininos, profissionais da saúde, agricultoras e zeladoras de escolas.
O primeiro livro foi publicado durante as comemorações do centenário da UFPR, com o objetivo de reunir informações científicas sobre plantas medicinais em linguagem acessível para o público em geral. Posteriormente, foram produzidos outros materiais, como um livro de atividades voltado ao público infantil, com adesivos educativos sobre plantas medicinais, e um livro de receitas que incentiva o uso dessas plantas em preparações naturais e na alimentação saudável.




Outro material publicado foi o guia “É hora do chá: Guia prático”, elaborado a partir de diálogos com grupos parceiros, como o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e o núcleo feminino da cooperativa agroindustrial C.Vale, que reúne mulheres e esposas de agricultores da região. A publicação reúne informações sobre o preparo correto de infusões e decocções, com linguagem simples e fotografias que auxiliam na identificação das espécies.
Os materiais podem ser acessados gratuitamente aqui.
Ciência, saber popular e novos projetos
Segundo informações das coordenadoras dos projetos de extensão com plantas do Setor Palotina da UFPR — professoras Carina Kozera, Patricia da Costa Zonetti, Suzana Stefanello e Roberta Paulert, as ações desenvolvidas ao longo dessas três décadas contribuem para a difusão do conhecimento científico e para a valorização do saber popular relacionado ao uso das plantas medicinais.
As iniciativas também dialogam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente o ODS 3, Saúde e Bem-Estar.
Como parte das comemorações pelos 30 anos das ações de extensão, um novo livro está sendo preparado em parceria com instituições da região. De acordo com a professora Roberta Paulert, docente do Departamento de Ciências Agronômicas (DCA) do Setor Palotina da UFPR, a obra foi desenvolvida em colaboração com a Itaipu Binacional, a Sustentec – associação de produtores – e outras instituições de ensino da região.
“Como comemoração desta longa trajetória ininterrupta de ações e atendendo às demandas regionais, estamos trabalhando, em parceria com a Itaipu Binacional, Sustentec e com outras instituições de ensino, como a Universidade Paranaense (Unipar), campus Toledo, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Santa Helena, em um novo livro intitulado Plantas Medicinais Nativas dos Remanescentes Florestais do Oeste do Paraná. O livro está pronto e estou ansiosa para o lançamento, evidenciando a qualidade e as parcerias das nossas ações”, afirma a docente.
Desafios e continuidade
Apesar dos resultados alcançados, a equipe também aponta desafios enfrentados ao longo dos anos, como limitações de infraestrutura, redução de bolsas de extensão e dificuldades administrativas relacionadas à burocracia institucional.
A coordenação afirma que mesmo diante dessas dificuldades, as atividades seguem sendo desenvolvidas e continuam fortalecendo a relação entre universidade e comunidade.
Com informação das coordenadoras dos projetos de extensão com plantas do Setor UFPR Palotina
Autor: Agencia Paraná








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