A Hyundai Motor apresentou a mais recente versão de seu robô humanoide Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics, que deve começar a trabalhar nas fábricas da montadora a partir de 2028, incluindo uma unidade em Savannah, no estado americano da Geórgia.
Inicialmente, a fabricante sul-coreana pretende empregar o novo Atlas em tarefas altamente repetitivas, como organizar componentes na sequência em que são instalados nos veículos. A partir de 2030, o plano é integrar os robôs a etapas mais complexas do processo de montagem, segundo comunicado divulgado durante a feira de tecnologia CES, em Las Vegas.
O robô humanoide Atlas tem mãos em escala humana com sensores táteis e articulações totalmente rotativas, capazes de levantar cargas de até 50 quilos. O equipamento pode operar em temperaturas que variam de –20 °C a 40 °C.
A Hyundai pretende produzir em massa até 30 mil robôs por ano em uma nova fábrica nos Estados Unidos, como parte de uma estratégia mais ampla para integrar inteligência artificial e robótica.
O anúncio ocorre após o presidente do conselho da empresa, Chung Euisun, afirmar em sua mensagem de Ano Novo que a companhia precisa adotar tecnologias avançadas de IA para não ficar atrás dos concorrentes.
A indústria automobilística tem liderado os esforços para automatizar cada vez mais as linhas de montagem, com o objetivo de reduzir custos de mão de obra e aumentar a segurança dos trabalhadores.
Com o avanço da inteligência artificial, as montadoras também enxergam oportunidades de novas fontes de receita e de melhorias na experiência dos motoristas, como sistemas de condução sem as mãos.
No ano passado, a montadora chinesa de veículos elétricos Xpeng apresentou seu robô humanoide Iron, o que gerou grande repercussão e impulsionou suas ações. A Tesla desenvolve o robô Optimus, que, segundo Elon Musk, tem potencial para se tornar “o maior produto de todos os tempos” e responder por até 80% do valor da empresa no futuro.
A Toyota também mantém um programa avançado de robótica e, em 2024, firmou parceria com a própria Hyundai para acelerar o desenvolvimento de humanoides baseados em IA.
Robôs já são amplamente usados em tarefas simples, como soldagem e logística, mas as empresas agora buscam avanços tecnológicos que permitam aos equipamentos executar funções mais complexas.
O rápido desenvolvimento da inteligência artificial tem alimentado projeções otimistas para o setor: o Goldman Sachs estima que o mercado de robôs humanoides alcance US$ 38 bilhões até 2035, enquanto o Morgan Stanley prevê que o setor chegue a US$ 5 trilhões até 2050, quando mais de 1 bilhão de humanoides poderão estar em uso.
A Hyundai afirmou que espera que os robôs humanoides se tornem o maior segmento do mercado de “IA física” no futuro e estabeleceu como meta a produção em larga escala do modelo Atlas, com implantação em diversos sites industriais.
A montadora criou seu Laboratório de Robótica em 2019 e, dois anos depois, adquiriu a Boston Dynamics, conhecida pelo robô quadrúpede Spot e pelo braço robótico Stretch, usado em centros de distribuição.
A Hyundai planeja investir 125 trilhões de won (cerca de US$ 86 bilhões) na Coreia do Sul ao longo dos próximos cinco anos em IA, robótica e outras tecnologias emergentes, além de mais US$ 26 bilhões nos Estados Unidos até 2028.
A empresa também pretende fortalecer sua parceria estratégica com a Nvidia, utilizando a tecnologia da fabricante de chips para acelerar a inovação e aumentar a eficiência. Em outubro, as duas companhias assinaram um acordo para construir um cluster de IA física de US$ 3 bilhões na Coreia do Sul.





