quinta-feira, janeiro 8, 2026

Venezuela já previa colapso econômico antes de ataque dos EUA – 06/01/2026 – Economia

Mesmo antes das forças dos EUA invadirem a capital da Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro no sábado, o país sul-americano já enfrentava perspectivas econômicas sombrias.

O bloqueio parcial imposto pelos norte-americanos às exportações de energia da Venezuela deveria paralisar mais de 70% da produção de petróleo do país este ano e eliminar sua principal fonte de receita pública, segundo pessoas informadas sobre as projeções internas da Venezuela compiladas em dezembro.

A decisão da administração Trump no mês passado de começar a atacar navios-tanque que transportavam petróleo venezuelano para mercados asiáticos havia paralisado as exportações da empresa petrolífera estatal.

Para manter os poços bombeando, a empresa estatal de petróleo PDVSA vinha redirecionando o petróleo bruto para tanques de armazenamento e transformando petroleiros ociosos nos portos em instalações de armazenamento flutuantes.

Esta estratégia apenas concedeu tempo para a empresa antes que acabasse o armazenamento para o petróleo bombeado que não consegue vender. A TankerTrackers, empresa de dados de navegação, estimou no final do mês passado que a Venezuela tinha armazenamento suficiente até o final de janeiro.

Mas a produção poderia colapsar rapidamente depois disso, disseram as pessoas informadas sobre o tema.

Caso o bloqueio se mantivesse, o governo venezuelano esperava que a produção nacional de petróleo caísse de cerca de 1,2 milhão de barris por dia no final do ano passado para menos de 300 mil durante este ano, disseram as pessoas informadas —uma queda que reduziria significativamente a capacidade do governo de importar bens e manter serviços básicos. As pessoas ouvidas tinham acesso às projeções e as discutiram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a falar publicamente.

A captura de Maduro apenas adicionou incerteza a essas projeções.

Petroleiros em uma lista de sanções dos EUA continuarão sendo impedidos de sair ou entrar até que o governo venezuelano abra sua indústria petrolífera controlada pelo Estado ao investimento estrangeiro —presumivelmente dando prioridade às empresas dos EUA— disse o secretário de Estado, Marco Rubio, no domingo (4) no programa “Face the Nation” da CBS News.

“Isso permanece em vigor, e é uma enorme quantidade de influência que continuará em vigor até vermos mudanças, não apenas para promover o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o número 1, mas também que levem a um futuro melhor para o povo da Venezuela”, comentou Rubio.

Mas o governo interino da Venezuela já parece estar testando a dimensão dessa ameaça. Pelo menos 16 petroleiros atingidos por sanções dos EUA teriam tentado driblar o bloqueio e deixar os portos do país sul-americano desde sábado, em parte disfarçando suas verdadeiras localizações ou desligando seus sinais de transmissão.

Se conseguirem romper o bloqueio e exportar o petróleo, a indústria petrolífera da Venezuela poderia ganhar algum tempo para se ajustar à nova realidade, disseram as pessoas próximas à indústria. Mas caso o bloqueio se mantenha, o país enfrentaria uma catástrofe, acrescentaram.

No pior cenário considerado pelo governo da Venezuela, a produção nacional de petróleo deste ano seria limitada apenas aos campos operados pela norte-americana Chevron. Ela tem uma permissão única da administração Trump para trabalhar na Venezuela, e é a única empresa que regularmente envia petróleo da nação sul-americana desde o início do bloqueio parcial em 11 de dezembro, mostram dados de navegação.

Este cenário forçaria a PDVSA, maior empregadora da Venezuela, a dispensar dezenas de milhares de trabalhadores e cortar benefícios dos funcionários, disseram as pessoas informadas.

A PDVSA e o Ministério da Comunicação da Venezuela não responderam aos pedidos de comentário.

Nos últimos anos, a economia da Venezuela teve uma modesta recuperação econômica após anos de hiperinflação e escassez de alimentos que levaram milhões de venezuelanos a fugir do país. Mas a campanha de pressão econômica de Trump sufocou essa melhora e agora ameaça transformar uma recessão antecipada em outro colapso econômico.

A nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, inicialmente foi contundente em suas críticas à administração Trump, dizendo que seu objetivo era “a apreensão de nossos recursos energéticos, minerais e naturais”.

No domingo à noite, no entanto, seu tom suavizou em uma declaração conciliatória dirigida a Trump. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda cooperativa, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro do marco do direito internacional, e para fortalecer a convivência comunitária duradoura”, escreveu ela nas redes sociais.

As exportações de petróleo representam cerca de 40% da receita pública da Venezuela, segundo estimativas de Francisco Rodríguez, especialista em economia venezuelana na Universidade de Denver. Rodríguez, que não é parente de Delcy Rodríguez, acrescentou que o verdadeiro impacto econômico da indústria petrolífera é ainda maior, já que grande parte da atividade econômica remanescente do país é financiada pela receita das vendas de petróleo bruto.

Trump justificou o uso da força contra petroleiros ligados à Venezuela alegando que o governo venezuelano roubou petróleo e terras pertencentes aos EUA, aparentemente referindo-se à nacionalização de campos petrolíferos operados por estrangeiros em 2007.

Desde 11 de dezembro, forças dos EUA apreenderam dois navios transportando petróleo venezuelano e tentaram abordar um terceiro petroleiro enquanto navegava para a Venezuela, levando a PDVSA a praticamente parar de autorizar envios em petroleiros não associados à Chevron.

Até agora, o bloqueio parcial de Trump ao petróleo teve um impacto limitado na produção do combustível fóssil da Venezuela, já que o governo armazena petróleo bruto onde pode.

A produção das joint ventures da PDVSA com outras empresas, que representam a maior parte do total do país, caiu 2,5% em dezembro em relação ao mês anterior, de acordo com dados internos da estatal.

As perspectivas financeiras da Venezuela são complicadas pelo fato de que o governo obtém pouco benefício financeiro direto das exportações da Chevron. Sua isenção de sanções emitida pelo Departamento do Tesouro dos EUA proíbe a empresa de fazer a maioria dos pagamentos ao governo venezuelano.

Em vez disso, a Chevron compensa a PDVSA pelo direito de bombear petróleo de seus campos dando à empresa parte do petróleo bruto de projetos conjuntos. Mas a PDVSA tem lutado para vender sua parte desse petróleo bruto nas últimas semanas, pressionando suas instalações de armazenamento limitadas.

Questionada pela reportagem, a Chevron disse que suas operações na Venezuela cumprem totalmente as leis aplicáveis e o quadro de sanções dos EUA. A empresa recusou-se a fornecer mais comentários.

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