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O que esperar de Trump em Davos em meio a tensão sobre a Groenlândia

O presidente dos Estads Unidos, Donald Trump, chega a Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), onde provavelmente intensificará sua pressão para adquirir a Groenlândia, apesar dos protestos europeus, no maior desgaste das relações transatlânticas em décadas.

Trump, que encerrou seu turbulento primeiro ano de mandato na terça-feira (20), deve ofuscar o FEM (Fórum Econômico Mundial), encontro anual onde elites globais discutem tendências econômicas e políticas na estância de montanha suíça.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira que a chegada de Trump a Davos, onde ele discursará para líderes mundiais, sofrerá um atraso de cerca de três horas.

Trump precisou trocar de aeronave na noite de terça-feira, depois que a tripulação identificou o que a Casa Branca chamou de “pequeno problema elétrico” logo após a decolagem.

Trump afirmou em uma coletiva de imprensa na terça-feira que teria reuniões sobre o território dinamarquês da Groenlândia em Davos e se mostrou otimista de que um acordo pudesse ser alcançado.

“Acho que chegaremos a um acordo que será muito bom para a Otan e para nós. Mas precisamos disso para fins de segurança. Precisamos disso para a segurança nacional”, disse ele.

Questionado sobre até onde estaria disposto a ir para adquirir a Groenlândia, Trump ofereceu uma resposta enigmática: “Vocês vão descobrir”.

Trump intensifica ameaças à Groenlândia

Nos dias que antecederam sua visita a Davos, Trump foi implacável em sua argumentação de que “precisamos da Groenlândia” como um posto de segurança no Ártico contra a Rússia e a China, e ameaçou uma guerra comercial com os europeus que se opõem a ele.

Encorajado pela deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro e pela tomada do controle do petróleo daquele país, Trump falou em agir contra Cuba e Colômbia, bem como contra o Irã.

Ele não descartou o uso das forças armadas americanas para tomar a Groenlândia, que possui uma base militar americana.

Fontes familiarizadas com a situação disseram anteriormente à agência de notícias Reuters que a pressão de Trump sobre a Groenlândia está relacionada a um desejo de construir um legado e expandir o território dos Estados Unidos da maneira mais significativa desde 1959.

Naquele ano, dois territórios americanos — Alasca e Havaí — se tornaram o 49º e o 50º estados dos EUA, sob o governo do presidente republicano Dwight Eisenhower.

Líderes da Otan alertaram que a estratégia de Trump para a Groenlândia pode desestabilizar a aliança. O presidente americano associou o território dinamarquês à sua frustração por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

Em uma quebra de protocolo diplomático, ele divulgou o texto de uma mensagem privada que recebeu do presidente francês Emmanuel Macron, na qual Macron o convidava a se juntar a ele e a outros líderes do G7 em Paris após Davos, uma ideia que Trump rejeitou.

“Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia”, escreveu Macron.

Líderes da Dinamarca e da Groenlândia ofereceram diversas maneiras de aumentar a presença americana na ilha estratégica, mas isso não aplacou o líder dos EUA, que publicou nas redes sociais na terça-feira uma imagem gerada por Inteligência Artificial mostrando-o hasteando uma bandeira americana no território de 57 mil habitantes.

Trump apresentará plano habitacional em Davos

O objetivo inicial da ida de Trump a Davos era exaltar a força da economia americana.

Ele fará um discurso nesta quarta-feira (21), que, segundo ele, será usado para discutir os sucessos econômicos do país, apesar das pesquisas de opinião mostrarem que os americanos estão amplamente insatisfeitos com sua gestão da economia.

A Casa Branca afirmou que ele abordará o aumento do custo da moradia com um plano que permitirá aos americanos usar o dinheiro de seus planos de aposentadoria 401(k) para dar entrada na compra de imóveis.

“O presidente Trump apresentará iniciativas para reduzir os custos de moradia, destacará sua agenda econômica que impulsionou os Estados Unidos à liderança mundial em crescimento econômico e enfatizará que os Estados Unidos e a Europa devem deixar para trás a estagnação econômica e as políticas que a causaram”, disse um funcionário da Casa Branca.

Durante sua estadia, o republicano planeja realizar reuniões separadas com os líderes da Suíça, Polônia e Egito, informou a Casa Branca.

Na quinta-feira (22), o presidente americano presidirá uma cerimônia em homenagem ao Conselho de Paz, um grupo que ele formou com o objetivo de reconstruir Gaza em meio a um frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

Trump gerou preocupação ao afirmar que o Conselho de Paz poderá atuar em crises globais além de Gaza, um papel tradicionalmente desempenhado pelas Nações Unidas.

Em uma coletiva de imprensa na terça-feira, Trump disse gostar das Nações Unidas, mas que a organização “nunca correspondeu ao seu potencial”.

Ele retorna a Washington no final da quinta-feira (22).

Autor: CNN Brasil

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