A liquidação do Will Bank, determinada na manhã desta quarta (21) pelo Banco Central, pode pesar mais R$ 6,5 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que já está com uma conta de R$ 40,6 bilhões do Banco Master. A operação ocorreu em meio à um regime de administração especial que, segundo a autarquia, não se mostrou viável.
O Will Bank fazia parte do conglomerado do Master, também liquidado pelo Banco Central no final do ano passado por suspeita de fraudes bancárias descoberta na investigação que apurou uma venda de carteiras de crédito falsas de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB).
Segundo dados da autoridade monetária, o Will Bank possui R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo sem garantia de novas entradas, o que pode levar à necessidade de um socorro do FGC. O montante total, no entanto, ainda dependerá de uma análise do liquidante em função do limite coberto pelo fundo, de até R$ 250 mil por CPF.
Em nota à Gazeta do Povo, o Banco Master informou que o Will Bank tinha uma “gestão própria” e operou sob controle do conglomerado “regularmente” até o dia 17 de novembro, quando passou à gestão do RAET (regime de administração especial temporária) pelo Banco Central (veja na íntegra mais abaixo). O Will Bank ainda não se pronunciou.
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O Banco Central informou que a liquidação do Will Bank foi necessária “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”, já sob liquidação extrajudicial.
Ainda segundo a autarquia, a liquidação foi necessária após a administração especial não ter se mostrado viável, inclusive descumprindo o arranjo de pagamentos que tinha com a Mastercard.
“Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo”, pontuou a autoridade monetária.
Criado em 2017 já como um banco digital, o Will Bank foi comprado pelo Master em 2024. Na ocasião, segundo informou ao mercado, a instituição tinha mais de 9 milhões de clientes.
A instituição detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), de acordo com os últimos dados disponíveis do terceiro trimestre do ano passado.
Veja abaixo o que disse o Banco Master sobre a liquidação decretada pelo Banco Central:
A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a instituição mencionada possuía administração apartada, com gestão própria. O Sr. Vorcaro segue colaborando plenamente com as autoridades competentes, permanecendo à disposição para esclarecimentos. Esclarece ainda que, até 17 de novembro, a instituição operava regularmente sob o controle do conglomerado Master, e que, a partir de 18 de novembro, com a decretação da liquidação extrajudicial, a gestão do conglomerado passou a ser exercida em RAET pelo Banco Central.
Autor: Gazeta do Povo







