sábado, novembro 29, 2025

Como você monta uma carteira de investimentos? – 18/10/2025 – De Grão em Grão

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Investir sem direção é como começar a construir uma casa comprando tijolos aleatórios. Pode até parecer que algo está sendo erguido, mas sem projeto, dificilmente vira uma estrutura sólida. No mercado financeiro, é assim que muitos acabam montando seus portfólios: acumulam ativos, mas não têm uma carteira.

Marco Aurélio dizia que “aquele que se dispersa em muitas coisas perde a si mesmo”. No investimento, quem se dispersa em apostas isoladas acaba perdendo o rumo financeiro. E sem rumo, nenhuma carteira se sustenta no tempo.

A primeira falha comum é construir a carteira de baixo para cima. O investidor começa comprando ativos soltos, empilhando recomendações, ideias de mercado ou sugestões de amigos, sem antes definir qual retorno busca, qual risco aceita, qual liquidez precisa e qual horizonte de investimento tem.

O resultado costuma ser uma carteira mais arriscada do que ele imagina —e, paradoxalmente, com retorno inferior ao de uma renda fixa simples. Quando o risco se soma de forma desordenada, a carteira vira uma colcha de retalhos instável, com muito ruído e pouco resultado.

A segunda falha é perseguir desempenho no curto prazo e ignorar o risco agregado. Muitos revisam a carteira olhando apenas para o que subiu ou caiu recentemente, vendem o que “atrapalha” e reforçam o que “brilha”.

Sem perceber, concentram risco nos mesmos vetores: ativos que sobem juntos também caem juntos quando o vento muda. Isso não é estratégia, é sincronizar vulnerabilidades. Avaliar a carteira ativo por ativo distorce o verdadeiro risco: o que importa é o comportamento do conjunto, e não a oscilação individual de cada peça.

Antes de investir, é fundamental traçar o mapa: qual retorno você busca, qual risco aceita correr, qual liquidez precisa e por quanto tempo está disposto a investir. A partir daí, vem a escolha das classes de ativos que melhor refletem esses objetivos. Não é porque alguém mostrou um gráfico colorido em forma de pizza que você precisa ter “um de cada”. A estética não substitui a estratégia.

Quando falo em classes, me refiro aos grandes blocos: renda fixa pós-fixada, prefixada, atrelada à inflação, ações locais e internacionais, multimercados, imóveis e investimentos alternativos. Primeiro definem-se os pesos desses blocos com base em objetivos, risco e liquidez.

Reforço, você não precisa ter algo em cada um dos blocos. Montar uma carteira não é completar album de figurinha. Só depois de selecionadas as classes de ativos a se possuir, é que faz sentido escolher produtos específicos dentro de cada classe, com atenção a prazos, liquidez, risco, retorno líquido, ou seja, aderência ao plano.

Investir não é colecionar ativos. É montar uma arquitetura coerente, capaz de atravessar ciclos e mudanças de cenário. Quem aposta em tudo, aposta em nada. A verdadeira força de uma carteira está no projeto —não na quantidade de tijolos. Afinal, quem compra tijolos sem projeto, não constrói uma casa —compra um problema.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.


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