Em seu pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen culpa as elevadas taxas de juros no Brasil e a situação econômica da Argentina pela crise financeira que a levou a buscar a renegociação de suas dívidas.
Em nota, a companhia afirmou que o processo não tem impacto em suas operações nem nas relações com clientes e fornecedores. A empresa é a maior produtora de cana de açúcar do mundo e a segunda maior distribuidora de combustíveis do país.
No pedido de recuperação extrajudicial, os advogados da Raízen afirmam que a empresa fez expressivos investimentos nos últimos anos em aquisições e novas plantas de biocombustíveis, como parte de “estratégia de expansão para se consolidar como produtor global de combustíveis renováveis”.
As decisões de investimento, diz, foram “tomadas em contexto macroeconômico substancialmente mais favorável do que o atual”. Nesse período, a Raízen comprou operações na Argentina e no Paraguai, formou parceria para explorar as lojas Oxxo e entrou no segmento de energia.
“Desde então, verificou-se relevante deterioração das condições econômicas no Brasil e em outros países em que o Grupo Raízen atua, notadamente na Argentina, em meio à escalada nacional e global das taxas de juros e ao agravamento dos indicadores macroeconômicos”, prossegue o texto.
O texto ressalta que, no Brasil, a taxa básica de juros ficou acima de 12% por 20 meses, chegando a 15% nos últimos oito meses, o que “elevou de forma significativa o custo financeiro da dívida, comprometendo a geração de caixa e impedindo, ao menos temporariamente, a redução orgânica do nível de endividamento”.
“Em âmbito regional, particularmente na Argentina, a inflação persistentemente elevada (superior a 40% a.a.) e a volatilidade macroeconômica resultaram em desafios severos, pressionando custos operacionais e toda a dinâmica de precificação dos produtos”, continua a companhia.
O processo de recuperação extrajudicial prevê renegociação com credores, tanto bancos como detentores de títulos da companhia. A Shell, uma das sócias, se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões. O empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, outros R$ 500 milhões.
A ideia é que os credores venham a converter cerca de 40% da dívida em ações da companhia, mas isso ainda passará por negociações. A reestruturação inclui ainda o plano de venda da operação da Raízen na Argentina, com o objetivo de levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) até abril.
Com essas medidas, a expectativa é reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 5,5 vezes para algo entre 2,5 e 3 vezes, segundo uma pessoa a par das discussões. Empresa e investidores têm até 90 dias para chegar a um acordo.
Em nota enviada à Folha, a empresa diz que “a proposta foi estruturada em diálogo com esses credores e tem como objetivo estabelecer um ambiente jurídico adequado para a negociação e implementação de ajustes em determinadas obrigações financeiras”.
“O escopo da recuperação extrajudicial é estritamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. Dessa forma, permanecem integralmente preservadas as relações da Raízen com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros de negócios, que seguem regidas normalmente pelos respectivos contratos”, prosseguiu.
Autor: Folha








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