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SC usa tecnologia para entregar obra milionária 9 meses antes

Sob o asfalto recém-liberado na interseção entre a SC-486 (Rodovia Antônio Heil) e a BR-101, no litoral norte de Santa Catarina, há uma solução pouco visível ao motorista, considerada decisiva para que a obra fosse entregue nove meses antes do prazo. São blocos de poliestireno expandido (EPS) — o isopor.

A utilização do aterro ultraleve é vista como fator determinante para viabilizar o complexo viário, considerado um dos mais importantes em execução no estado. No fim de dezembro de 2025, o governador Jorginho Mello (PL-SC) liberou a segunda via expressa elevada da interseção, no sentido leste, concluindo as principais estruturas do projeto.

O investimento ultrapassa R$ 60 milhões, com recursos estaduais. Além dos dois elevados (vias expressas que passa em cima da rodovia), o complexo inclui alças de acesso, nova ponte sobre o Rio Canhanduba e readequações que reorganizam o tráfego em um dos entroncamentos mais movimentados de Santa Catarina.

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Solução ultraleve reduz carga sobre o solo

A decisão de substituir o aterro convencional pelo isopor sob o asfalto não foi estética nem experimental, e sim técnica. Responsável pela fiscalização da obra, o engenheiro civil Leandro Maxciel da Silva explica que a região apresenta trechos de solo mole, altamente compressível, suscetível a deformações.

De acordo com ele, para estabilização do solo, inicialmente o projeto previa a utilização da técnica de Consolidação Profunda Radial (CPR), tradicional em intervenções desse tipo. No entanto, Silva explica que, antes do início das obras, o projeto foi revisado com o objetivo de reduzir o tempo de execução e minimizar os impactos no trânsito.

A solução foi atualizada para a utilização de EPS na execução dos aterros. “Essa alteração reduz drasticamente a carga vertical e o recalque sobre o terreno, proporcionando maior agilidade à obra”, avalia o engenheiro.

Material até 100 vezes mais leve diminui carga sobre o terreno

O ganho estrutural está no peso. Enquanto aterros convencionais com solo podem alcançar de 1,6 mil a 2 mil quilos por metro cúbico, o EPS utilizado na obra pesa 22 quilos por metro cúbico.

“O aterro com EPS é até 100 vezes mais leve que o aterro convencional”, ressalta Silva. De acordo com ele, o peso do material é determinante para evitar recalques, uma vez que reduz drasticamente a carga vertical sobre o terreno.

Uso de isopor sob o asfalto em obra envolvendo a mobilidade na BR-101
Governo catarinense atribui a conclusão antecipada da obra ao uso de EPS. (Foto: Acervo pessoal/Leandro Maxciel da Silva)

Na prática, o material substitui a terra ou a rocha em áreas críticas, mas não atua isoladamente. Ele integra um sistema composto por base drenante, assentamento dos blocos, proteção com membranas impermeabilizantes e, sobre tudo isso, as camadas tradicionais de sub-base, base e revestimento asfáltico.

“O EPS funciona como um aterro ultraleve. Elimina ou reduz significativamente os problemas de afundamento e permite que as etapas seguintes avancem quase imediatamente”, detalha o engenheiro.

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Tecnologia gera economia de tempo — e de risco

Em obras sobre solos moles, o tempo costuma ser o principal adversário. Técnicas convencionais exigem sobrecarga e espera pelo adensamento natural do terreno — processo que pode levar anos.

“Em muitos projetos de engenharia, a consolidação natural em terrenos de baixa resistência pode demorar de um a cinco anos ou mais para se estabilizar”, calcula Silva. “Com o EPS, essa etapa é eliminada”, acrescenta.

Além disso, o engenheiro civil destaca que há ganho logístico. De acordo com ele, o transporte e o manuseio são mais simples, e a execução não sofre interrupções relevantes por causa das chuvas.

Projeto assegura durabilidade de até 100 anos

Apesar de leve, o material é projetado para suportar tráfego pesado, inclusive de caminhões. O segredo está no dimensionamento das camadas superiores, responsáveis por distribuir as cargas.

“O EPS não exige reforço estrutural adicional, mas precisa de um sistema de pavimentação devidamente dimensionado para proteger o material de cargas pontuais excessivas”, esclarece o engenheiro. O uso de drenagem adequada e membranas impermeabilizantes é obrigatório, evitando acúmulo de água e flutuação em áreas com lençol freático elevado.

O material aplicado em infraestrutura também recebe aditivos antichama, classificados como “classe F”, que não propagam fogo. Essa, segundo o engenheiro, é uma exigência relevante especialmente durante a fase de obra.

Novo elevado da interseção entre a SC-486 e a BR-101, em Itajaí, integra um dos maiores complexos viários em execução em Santa Catarina.Novo elevado da interseção entre a SC-486 e a BR-101, em Itajaí, integra um dos maiores complexos viários em execução em Santa Catarina. (Foto: Leo Munhoz/Governo de Santa Catarina)

Quanto à durabilidade, a expectativa é de longo prazo. “Desde que haja proteção contra água e agentes químicos, e que a distribuição de cargas seja adequada, estudos estimam vida útil superior a 50 anos, podendo chegar a 100 anos”, afirma.

Santa Catarina não é pioneira no uso do EPS, mas a aplicação em Itajaí reforça uma tendência. Conforme o engenheiro civil, há registros de utilização da tecnologia em trechos da BR-470, em Navegantes, e da própria BR-101, em Tubarão, além de experiências no Nordeste.

No caso da interseção da SC-486 com a BR-101, a escolha foi considerada técnica e economicamente viável após análise comparativa com outras soluções possíveis para solos de baixa capacidade de carga. Embora o custo do material seja superior ao do solo comum, a alternativa tradicional exigiria tratamento adicional do terreno ou remoção de camadas instáveis.

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Novo elevado reduz gargalos e impulsiona economia regional

Com a liberação do segundo elevado, o fluxo entre a SC-486 e a BR-101 passa a operar de forma mais contínua, reduzindo pontos históricos de retenção, especialmente para veículos de carga. A obra beneficia diretamente municípios como Itajaí, Brusque e Balneário Camboriú, além de melhorar o escoamento da produção industrial e agrícola do Vale do Itajaí ao litoral norte.

Ao inaugurar o elevado, o governador Jorginho Mello atribuiu o resultado à combinação de planejamento, investimento e cumprimento de prazos. Segundo ele, a antecipação da entrega demonstra que é possível avançar em infraestrutura com gestão e previsibilidade.

“A rodovia Antônio Heil é estratégica para a economia catarinense, porque garante mais segurança, agilidade no transporte e melhores condições para quem produz e gera empregos”, disse.

Autor: Gazeta do Povo

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