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EUA: Microsoft apoia Anthropic em disputa contra Pentágono – 11/03/2026 – Tec

A Microsoft declarou apoio ao processo da Anthropic contra o Pentágono, alertando que as medidas “drásticas” e “sem precedentes” contra a startup de IA teriam “amplas ramificações negativas” para a indústria de tecnologia dos Estados Unidos.

Em um documento apresentado à Justiça nesta terça-feira (10), a big tech pediu que uma ordem judicial bloqueie a aplicação da decisão do Departamento da Justiça que classificou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos enquanto o tribunal analisa a contestação da startup.

A Microsoft é a primeira grande empresa de tecnologia a tomar partido na disputa da Anthropic com o Pentágono sobre os termos que regem o uso militar de seus modelos de IA.

O conflito dividiu o Vale do Silício, que até pouco tempo atrás evitava cuidadosamente desafiar o governo Trump em público desde o retorno do republicano ao cargo.

A empresa argumentou que uma ordem de restrição judicial daria tempo para negociar um acordo e uma “discussão fundamentada” sobre o uso de IA em operações militares e de inteligência.

As negociações entre a Anthropic e o Pentágono terminaram mal no final de fevereiro, depois que a startup rejeitou um contrato para implantação militar de sua tecnologia. O CEO Dario Amodei insistiu em “linhas vermelhas” proibindo seu uso para armas autônomas letais e vigilância em massa de cidadãos americanos.

Desde então, o secretário de Defesa Pete Hegseth agiu para excluir a Anthropic da cadeia de suprimentos do Pentágono, uma medida normalmente reservada para empresas da China ou da Rússia.

O governo também exigiu que todas as agências federais parem de usar o chatbot Claude como parte de uma campanha contra o que chama de IA “woke”.

A Microsoft disse que sua “posição é que a IA deve ser focada em casos de uso legais e adequadamente protegidos”. A IA, afirmou, “não deve ser usada para conduzir vigilância em massa doméstica ou colocar o país em uma posição em que máquinas autônomas possam iniciar uma guerra de forma independente”.

A empresa sediada em Seattle, que possui grandes contratos militares, acrescentou que cortar rapidamente a Anthropic poderia “prejudicar os combatentes americanos em um momento crítico”.

O Claude é atualmente a única ferramenta de IA usada em ambientes militares classificados, embora a OpenAI tenha assinado recentemente um acordo com o Pentágono.

A Microsoft não é ré no caso e apresentou o parecer como amicus curiae (termo que significa amigo da corte) aos tribunais na Califórnia e no Distrito de Columbia.

Na segunda-feira (9), um grupo de mais de 30 pesquisadores do Google e da OpenAI, incluindo o cientista-chefe da DeepMind, Jeff Dean, manifestou apoio pessoal à Anthropic em uma carta semelhante.

A Casa Branca e o Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Apesar de possuir 27% da rival OpenAI, a Microsoft mantém laços estreitos com a Anthropic e assinou um acordo de computação em nuvem de US$ 30 bilhões (R$ 154,7 bi) com a startup em novembro.

Esta semana, a empresa informou que estava integrando os populares modelos de codificação da Anthropic em seu software empresarial, que é usado em todo o governo dos EUA.

Google, Amazon e Microsoft disseram anteriormente que seus advogados determinaram que poderiam continuar usando a Anthropic para trabalhos não militares.

A Microsoft disse que a classificação de risco à cadeia de suprimentos “força os contratantes do governo a cumprir diretrizes vagas e mal definidas que nunca antes foram publicamente aplicadas contra uma empresa americana”.

“Este não é o momento de colocar em risco o próprio ecossistema de IA que o governo ajudou a promover”, acrescentou o pedido da empresa.

Autor: Folha

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