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Uso de canetas emagrecedoras pode prender o intestino – 21/01/2026 – Equilíbrio

Pergunta: Tenho receio de que os GLP-1s sejam ruins para meu intestino. Devo evitá-los completamente por esse motivo?

Resposta: Na versão original dos ensaios clínicos de medicamentos GLP-1 para perda de peso, os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais, incluindo náusea, vômito e constipação. Pergunte a quase qualquer pessoa que tenha usado um desses remédios, e ela provavelmente dirá que teve alguns problemas gastrointestinais —mesmo que muito leves.

Por isso, você pode se surpreender ao saber que, como gastroenterologista, quando meus pacientes me dizem que estão considerando começar a usar um GLP-1 (a classe de medicamentos que inclui Ozempic, Wegovy e Zepbound, entre outros), minha resposta costuma ser muito entusiasmada: Tome. Sim.

Ouvimos o tempo todo sobre os benefícios de perda de peso ou saúde cardíaca dos GLP-1s, mas como cientista que estuda GLP-1 e o estômago em meu próprio laboratório, vi em primeira mão o quão poderosos e benéficos eles podem ser para a saúde intestinal. Os efeitos gastrointestinais dos GLP-1s sobre os quais eu gostaria que mais pessoas falassem? Ensaios clínicos randomizados controlados descobriram que eles podem, em alguns casos, melhorar os resultados para pessoas com doença hepática gordurosa e fibrose —ou cicatrização no fígado—, condições que anteriormente nenhum medicamento conseguia tratar de forma confiável.

Os GLP-1s também estão associados a um risco menor de úlceras estomacais, de acordo com pesquisas que conduzi com meus colegas e —aqui está um ponto importante— eles estão ligados a menores chances de câncer colorretal. Muitos desses potenciais benefícios associados não estão relacionados à perda de peso, embora a perda de peso por si só possa iniciar uma cascata de ganhos.

Por exemplo, uma de minhas pacientes que começou a usar um GLP-1 perdeu cerca de 9 quilos após seis meses. Perder esses 9 quilos ajudou seus joelhos, que doíam o tempo todo, e permitiu que ela começasse a se exercitar regularmente. Ela começou a caminhar diariamente e, em pouco tempo, entrou para uma aula de zumba. Isso teria sido inimaginável para ela antes de tomar um GLP-1. Agora, mesmo que seu peso tenha permanecido estável, ela é uma pessoa mais saudável porque se mantém ativa, algo que reduz o risco de câncer e doenças cardíacas, independentemente do seu peso.

Isso não significa que eu minimize os problemas gastrointestinais; pelo contrário, em minha prática, eu os antecipo e faço um plano proativo. Com cada paciente, tenho uma discussão honesta sobre a possibilidade de efeitos colaterais indesejados, incluindo a possibilidade de complicações mais sérias, embora raras, como pancreatite.

Vamos ser realistas: a maioria das pessoas que tomam GLP-1s experimenta sintomas como náusea ou constipação. No entanto, na maioria dos casos, esses sintomas são leves a moderados e transitórios: menos de 5% das pessoas interrompem o tratamento por causa de sintomas gastrointestinais. Então, se alguém quer continuar com seu GLP-1, gosto de ajudar a dar a essa pessoa todas as chances possíveis. E com uma versão em pílula do Wegovy agora disponível, eles se tornarão cada vez mais acessíveis.

Todas as pessoas interessadas em GLP-1s devem ter essa discussão clara com seu próprio médico, que conhece seu próprio histórico médico e objetivos. Para ajudar a iniciar essa conversa, aqui estão algumas das perguntas mais comuns que recebo:

O que exatamente os medicamentos GLP-1 estão fazendo no meu intestino?

Você provavelmente já ouviu que GLP-1, ou peptídeo-1 semelhante ao glucagon, é um hormônio produzido pelo corpo que está envolvido na sinalização de fome. Mas os medicamentos GLP-1 fazem muito mais do que isso. Por exemplo, eles suprimem a produção de ácido estomacal e fortalecem a camada protetora de muco ao longo do revestimento do estômago, o que é pelo menos parcialmente como cientistas como eu hipotetizam que eles podem ajudar a reduzir o risco de úlceras. Talvez o mais evidente para qualquer pessoa que os toma é que os GLP-1s retardam o estômago.

Como resultado, a comida fica dentro por mais tempo antes de ser esvaziada no intestino delgado, e isso pode criar uma sensação desconfortável de plenitude e enjoo. (Olá, arrotos do Ozempic!) Uma desaceleração semelhante ocorre no cólon. Como um dos principais trabalhos do cólon é absorver água, quanto mais tempo o resíduo fica lá, mais seco e duro ele se torna. Daí a constipação.

Ainda temos muito a aprender sobre os outros efeitos do GLP-1 no intestino e no corpo. Como os medicamentos GLP-1 influenciam nosso microbioma é uma área emergente de pesquisa, mas alguns estudos limitados em humanos sugerem que eles podem influenciar a produção de metabólitos bacterianos benéficos. Eles também parecem ajudar a reduzir a inflamação crônica, que desempenha um papel importante em múltiplas doenças.

Como posso tratar os efeitos colaterais indesejados?

Você deve explorar possíveis tratamentos com seu médico, que pode fazer recomendações personalizadas. O objetivo não é que você “sofra” durante a terapia com GLP-1 em nome da boa saúde, mas tornar o uso de um medicamento GLP-1 o mais sustentável possível. Digo aos meus pacientes quando começam esses medicamentos para esperar efeitos colaterais e se planejar para eles. E não, sintomas gastrointestinais como náusea não são o que impulsiona a perda de peso, então não hesite em buscar ajuda.

Deixe que suas pistas de fome o guiem

Ao contrário de como muitos de nós comemos normalmente, ao tomar um GLP-1 é importante tentar comer apenas quando realmente sentir fome, comer devagar e responder às pistas do seu corpo dizendo que você está cheio. É comum as pessoas comerem porções menores do que estão acostumadas, mas ainda assim se sentirem satisfeitas.

Seja proativo em relação a problemas intestinais

Qualquer pessoa que tenha dificuldades com seus movimentos intestinais de base, fale agora: precisamos ser especialmente proativos. Às vezes é tão simples quanto começar um suplemento diário de fibras, que pode ser útil para diarreia ou constipação (ambos são possíveis com GLP-1s). No caso de constipação, laxantes de venda livre como uma colher de polietilenoglicol em pó (como no Muvinlax) podem ajudar, enquanto para diarreia, loperamida (como no Imosec) pode ser ótimo. Mas não desista se esses parecerem inadequados —também existem vários medicamentos prescritos que podem ajudar a colocar seu cólon de volta nos trilhos.

Experimente remédios de venda livre para náusea e azia

Para náusea, às vezes a solução pode ser simplesmente diminuir a dose do GLP-1 que você está tomando, embora existam medicamentos que possam ajudar. Remédios de venda livre como subsalicilato de bismuto (como no Peptonai), dimenidrinato (como no Dramin) ou chá de gengibre podem fornecer alívio rápido. Se estes forem insuficientes, seu médico pode considerar medicamentos antináusea prescritos. Por causa do atraso no esvaziamento do estômago, a azia também pode aparecer, mas tratamentos de venda livre como bloqueadores de histamina-2 (como Famotidina e Ranitidina) podem ajudar.

Quem tem mais probabilidade de experimentar efeitos colaterais?

Em estudos do mundo real de pessoas tomando esses medicamentos, os homens parecem ter metade do risco de experimentar efeitos colaterais gastrointestinais em comparação com as mulheres. O conselho mais importante para evitar efeitos colaterais é começar com uma dose baixa e aumentar lentamente.

Certos GLP-1s têm mais probabilidade de causar efeitos colaterais?

Ensaios comparativos diretos entre semaglutida (Ozempic, Wegovy) com liraglutida (Victoza, Saxenda) mostram efeitos colaterais gastrointestinais amplamente semelhantes em geral, embora os resultados variem um pouco por estudo e dose. A boa notícia é que grandes ensaios descobriram que esses efeitos colaterais foram mais comuns nos primeiros dias ou semanas após o início do tratamento, quando atingiram o pico, mas depois tenderam a diminuir. Então eu digo aos meus pacientes que, mesmo se eles experimentarem sintomas gastrointestinais inicialmente, há uma boa chance de que melhorem.

O que eu quero que meus pacientes saibam

Medicamentos GLP-1 são frequentemente mencionados como ferramentas de perda de peso, mas, para mim, isso realmente perde o ponto. A obesidade é uma doença crônica e inflamatória que aumenta o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer. Usar um medicamento para tratar uma condição médica não é uma falha moral —como alguns dos meus pacientes foram levados a sentir. Existem poucas medidas mais poderosas que alguém pode tomar para sua saúde do que reduzir esse estado constante de inflamação e, como médico, sempre acharei isso digno de celebração e apoio.

Autor: Folha

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