Criminosos estavam se aproveitando do novo sistema de pedágio free flow no estado de São Paulo para aplicar golpes em vítimas. O golpe consistia em um site falso, para o pagamento das taxas do pedágio, que aparecia com o primeiro resultado de pesquisas do Google e mostrava valores abusivos após o usuário inserir a placa do carro.
A técnica maliciosa envolve o abuso do Google Ads para patrocinar sites de phishing e roubar dinheiro de vítimas.
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Como funciona o golpe
O site aparecia como resultado patrocinado no Google, o que deixava-o em posição de destaque nas páginas de pesquisa, para ganhar a confiança dos usuários. Além disso, o endereço pedia que o internauta inserisse a placa do carro e aceitasse os termos de uso e política de privacidade do sistema.
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Ao inserir a placa do carro, o sistema indicava a marca, modelo, ano cor e chassi do carro, além do valor que a vítima supostamente teria que pagar de pedágio. Para dar o sentimento de urgência, a mensagem também dava um prazo para o pagamento, ameaçando encaminhar a infração relacionada ao veículo para o Detran.
Além disso, mostra-se uma mensagem com a lei que prevê multa de evasão de pedágio, que resulta em um pagamento de R$ 195,23 e 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
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O golpe combina várias características de campanhas sofisticadas, como o abuso do Google Ads e manipulação de SEO para que o site fraudulento apareça nos primeiros resultados de busca, técnicas de engenharia social, incluindo phishing (imitação de página oficial do governo), senso de urgência através de prazos e ameaças de multa, e uso de dados reais dos veículos para conferir credibilidade à fraude.
Vazamento do Detran expôs 33 milhões de motoristas
Em novembro de 2024, credenciais de acesso ao Sistema de Certificação de Segurança Veicular (SisCSV), utilizado pelo Detran para vistorias veiculares, vazaram e permitiram que criminosos consultassem informações pessoais e de veículos de aproximadamente 33 milhões de brasileiros. O incidente foi denunciado ao site TecMundo e confirmado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
O vazamento expôs dados sensíveis como nome completo, CPF, endereço residencial, Renavam, placas de veículos, modelo, cor, fotos dos automóveis, além de informações sobre data e localização das vistorias. A falha de segurança atingiu motoristas de todo o país, deixando milhões de brasileiros vulneráveis a golpes direcionados.
O problema teve origem na ausência de autenticação de dois fatores no sistema. Criminosos utilizaram credenciais vazadas de funcionários para acessar o sistema sem qualquer barreira adicional de segurança.
Esse tipo de ataque, conhecido como “credential stuffing”, permitiu que os dados fossem extraídos e posteriormente comercializados em painéis do crime, onde informações pessoais são vendidas por valores entre R$ 10 e R$ 200 para aplicação de diversos tipos de fraudes.
Site está fora do ar
O site falso aproveitou a falta de informações divulgadas sobre o novo pedágio para fazer suas vítimas antes mesmo do novo modelo de cobrança entrar em vigor. Os veículos só passaram a ser cobrados a partir do dia 6 de dezembro, e agora o site, que desde ontem já estava marcado como suspeito, já está fora do ar.
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Como se proteger
Para se proteger desse tipo de golpe, é possível tomar algumas precauções.
- Acesse apenas sites oficiais: nunca clique em anúncios patrocinados do Google para acessar serviços de pedágio ou páginas do governo. Digite o endereço oficial diretamente no navegador ou salve nos favoritos. Sites governamentais legítimos terminam em .gov.br;
- Verifique a URL com atenção: golpistas usam domínios similares aos oficiais, mas com extensões como .com.br, .net ou .org. Procure o cadeado de segurança (HTTPS) na barra de endereços e desconfie de URLs muito longas ou com caracteres estranhos;
- Desconfie de senso de urgência: criminosos usam prazos apertados e ameaças de multa para pressionar a vítima a pagar rapidamente. Antes de efetuar qualquer pagamento, consulte os valores reais nos canais oficiais e questione por que há tanta urgência;
- Não forneça dados sem verificar: sites fraudulentos pedem a placa do veículo para “consulta” e depois usam dados vazados para exibir informações reais, conferindo credibilidade ao golpe. Questione sempre por que o site precisa de determinadas informações;
- Monitore seus dados: utilize o Registrato, do Banco Central, para acompanhar movimentações no seu CPF. Ative notificações de transações bancárias e verifique regularmente extratos e faturas do cartão de crédito;
- Confirme pelos canais oficiais: em caso de dúvida, entre em contato com o SAC oficial do concessionário do pedágio ou com o Detran pelos canais oficiais. Não use números de telefone fornecidos em sites suspeitos.
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Autor: TecMundo







