Participar de um campeonato de fisiculturismo exige uma preparação árdua, com treinos de musculação intensos, horas de exercícios aeróbicos e dietas restritivas. Para um atleta que não utiliza hormônios esteroides anabolizantes (EAs), essa fase pode ser ainda mais delicada.
Liane Barbosa Cavalcante, 25, nunca fez o uso desse tipo de recurso ergogênico e compete há cerca de dois anos. Desde que subiu nos palcos pela primeira vez, ela se profissionalizou por duas federações diferentes: INBA/PNBA (International Natural Bodybuilding Association/Professional) e WNBF (World Natural Bodybuilding Federation).
Em entrevista à coluna, a dentista e fisiculturista relata que o atleta “natural pode errar ainda menos” do que seus colegas hormonizados.
No momento mais extremo de sua última preparação, Liane, além da musculação, precisava fazer duas horas de exercícios cardiovasculares diariamente. Isso com o aporte das aproximadas 800 calorias que a sua dieta da época continha.
A atleta explica a estratégia de sua equipe e mostra todo o caminho percorrido até que ela chegasse na dieta citada: “Normalmente, a gente vai cortando as calorias aos poucos. Geralmente, a gente diminui elas a cada quatro semanas, mas depende do contexto […] A musculação é contínua: cinco vezes por semana. No ‘off’ [“Off season” refere-se à época do ano em que os fisiculturistas não se encontram em preparação], eu fazia meia hora de ‘cardio’ por dia e quando o ‘cutting’ [termo usado para se referir à hora em que os atletas iniciam o déficit calórico] começou, passei a fazer uma hora. Nessa preparação, chegou um ponto em que eu fazia duas horas diárias”.
Apesar do sofrimento que o déficit calórico extremo causa, nem todo momento da preparação é assim. No início de 2025, a fisiculturista passou por um período que caracterizou como um “micro-off”, onde ela pôde comer maiores quantidades visando a construção de massa muscular.
Segundo a própria atleta Bikini, seu corpo precisa de um “off season”. Ao falar sobre o retorno que recebeu dos árbitros da WNBF e da NPC (National Physique Committee), federações pelas quais ela competiu na temporada passada, Liane é direta: “Eu preciso fazer um ‘off’. Na WNBF, o ‘feedback’ foi de que eu não devo mudar nada. Já na NPC, me disseram que faltou volume -o que era esperado, já que eu era uma competidora natural numa federação que não é testada. Mas elogiaram muito a minha linha”.
Para a temporada de 2026, os planos de Liane se baseiam em competir em ao menos um dos campeonatos anunciados no ano passado pela Musclecontest, maior promotora de eventos do fisiculturismo brasileiro. Segundo a empresa, o calendário da NPC contará com quatro shows testados neste ano.
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Autor: Folha


