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Guerra no Irã está saindo um bom negócio para Putin

A guerra no Oriente Médio e a consequente disparada na cotação do petróleo no mercado internacional podem se tornar uma vantagem estratégica para um ator inesperado: a Rússia.

Ao mesmo tempo em que o aumento do preço do barril de petróleo dá fôlego financeiro ao ditador Vladimir Putin na sua invasão na Ucrânia, o conflito no Irã drena o foco militar dos Estados Unidos para longe da guerra no leste europeu.

Segundo maior exportador de petróleo do mundo, a Rússia está sob sanções do Ocidente devido à guerra na Ucrânia. O país, porém, pode ser beneficiado por um eventual alívio de sanções no setor energético que está sendo avaliado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, depois que o barril de petróleo chegou à casa dos US$ 100.

Na semana passada, os Estados Unidos já haviam concedido às refinarias da Índia uma isenção de 30 dias das sanções para a compra de petróleo russo, segundo a agência de notícias Reuters. A medida pode ser ampliada a outras nações no curto prazo.

Nesse contexto, Putin disse, em uma reunião com assessores, ministros e líderes empresariais no começo desta semana, que era “importante para as empresas de energia russas aproveitarem o momento atual”. Ele também sugeriu na ocasião que a União Europeia poderia repensar seus planos de reduzir a dependência da energia russa a longo prazo.

Novos recursos para financiar a prolongada invasão na Ucrânia

A Rússia vem enfrentando dificuldades econômicas para manter o ritmo no campo de batalha com a Ucrânia, especialmente devido às sanções ocidentais. O custo da guerra está sendo pago pelos cidadãos russos, que veem os preços de produtos básicos aumentarem drasticamente.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025 cresceu apenas 0,5%, considerado o pior desempenho desde o início da guerra, em 2022. A previsão de crescimento para este ano é ligeiramente maior – o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma alta de 0,8%.

Eduardo Galvão, especialista em risco político e professor do Ibmec Brasília, pontuou à Gazeta do Povo que a Rússia financia boa parte de sua máquina de guerra com petróleo e gás, que representam uma parcela relevante das receitas do orçamento federal.

“Cada dólar adicional no barril melhora a capacidade de Moscou de sustentar o esforço militar na Ucrânia”, alerta.

Ainda não está claro o quanto a Rússia se beneficiaria de uma crise no abastecimento global de petróleo. Se for uma questão de semanas de guerra, o efeito pode ser mínimo, mas se o conflito se estender por meses, a economia russa pode colher frutos mais prolongados.

Galvão destaca que esse possível alívio de sanções não significa que Putin está “ganhando” a guerra da Ucrânia. Segundo ele, esses conflitos simultâneos tendem a redistribuir custos e prioridades no sistema internacional e, em um cenário de petróleo caro e agenda internacional fragmentada, a Rússia consegue respirar um pouco mais em uma guerra que é, acima de tudo, uma disputa de resistência econômica e industrial.

Ucrânia socorre EUA no Oriente Médio, enquanto luta para manter “simpatia” de Trump

Além da potencial vantagem de financiamento de guerra que a Rússia pode obter, a guerra no Oriente Médio drena atenção dos principais aliados da Ucrânia contra a Rússia: Estados Unidos e Europa. Também há preocupação sobre o desvio de recursos bélicos do Ocidente para uma nova frente de combate.

De acordo com os analistas do think tank Globsec, Marcin Zaborowski e Tomáš Nagy, a preocupação com os estoques de armas americanos destinados à Ucrânia já ocorria desde antes da operação Epic Fury no Irã. Em artigo publicado nesta semana, eles lembram que em julho passado, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, já havia suspendido um carregamento de armas à Ucrânia com o objetivo de preservar as reservas de munições americanas.

Agora, com a guerra contra o Irã, o esgotamento dos principais estoques americanos de munições de precisão está se acelerando, dizem Zaborowski e Nagy. Os autores citam especialmente os interceptores Patriot, usados na defesa antiaérea da Ucrânia.

Na semana passada, Trump afirmou que empresas do setor de Defesa estão produzindo armamentos sob “ordens de emergência” para atender à demanda provocada pela guerra contra o Irã.

Enquanto isso, a Rússia continua sua campanha, com ataques a pontos da infraestrutura ucraniana. “Moscou calcula que a distração americana no Oriente Médio reduz a credibilidade das ameaças dos EUA de aumentar a pressão sobre a Rússia caso as negociações de paz fracassem”, alertam os analistas.

O governo ucraniano, por sua vez, está colaborando com os EUA na guerra contra o Irã. O país enviou drones interceptadores e um grupo de especialistas ao Oriente Médio nos últimos dias para auxiliar na derrubada de drones produzidos pelo Irã, após pedido de ajuda dos EUA, segundo informou o presidente Volodymyr Zelensky em entrevista ao The New York Times.

Kiev aprendeu a lidar com os equipamentos bélicos iranianos nos quatro anos de guerra no leste europeu, criando suas próprias armas de defesa para combatê-los. Agora, busca ganhar pontos com os EUA nas negociações de paz mediadas pelos americanos, que foram paralisadas com o início de uma nova guerra.

Apesar da mobilização ucraniana, o presidente Donald Trump tem se mostrado mais tendencioso a negociar com o ditador russo, com quem manteve contato nesta semana por telefone para falar das guerras em andamento.

Na ocasião, Trump informou que disse a Putin que ele poderia ser “ainda mais útil” se ajudasse a encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Por sua vez, o Kremlin destacou da conversa que o líder russo apresentou “várias propostas” para um rápido acordo político-diplomático no conflito iraniano.

Alta do petróleo mobiliza países a liberarem maior reserva de petróleo da história

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que deve recomendar aos seus países-membros a liberação de 400 milhões de barris de petróleo para conter a instabilidade no mercado internacional de energia – a maior liberação de reserva do produto na história.

Os membros do G7 (grupo composto por EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) anunciaram nesta quarta-feira (11) que apoiam a adoção de “medidas proativas” da AIE para lidar com a situação. Os sete países mais ricos do mundo indicaram que estão prontos para tomar todas as medidas necessárias em coordenação com os membros da agência internacional.

O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, que presidiu a reunião dos ministros de Energia do G7, disse que o objetivo da decisão é enviar uma mensagem muito clara de que, se o Estreito de Ormuz não puder ser aberto imediatamente, essas reservas estratégicas serão utilizadas.

Autor: Gazeta do Povo

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