O Equador vai impor uma tarifa de 30% sobre produtos da Colômbia a partir de 1º de fevereiro, de acordo com o presidente Daniel Noboa nesta quarta-feira (21), citando um déficit comercial e a falta de cooperação no combate ao narcotráfico na fronteira compartilhada.
“Essa medida permanecerá em vigor até que haja um compromisso real de combater conjuntamente o tráfico de drogas e a mineração ilegal na fronteira, com a mesma seriedade e determinação que o Equador vem demonstrando atualmente”, disse Noboa em entrevista à emissora X.
O gabinete do presidente da Colômbia, bem como os ministérios do Comércio e das Relações Exteriores, disseram à Reuters que estavam analisando a medida. Pouco depois do anúncio de Noboa, o Ministério da Defesa da Colômbia informou ter apreendido um carregamento de maconha na fronteira compartilhada durante uma operação conjunta entre as forças armadas dos dois países.
Os Estados Unidos também sinalizaram que poderiam pressionar a Colômbia e o México em relação ao tráfico de drogas por meio do crime organizado nesses países, após o dramático ataque de 3 de janeiro a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, a quem Washington acusou de ser um “narcoditador”.
Noboa fez do combate ao crime um pilar de seu governo. Ele declarou diversos estados de emergência e recentemente mobilizou mais de 10.000 soldados para as três províncias mais violentas do país, em um esforço para combater o crime organizado na nação andina, que fez com que as taxas de homicídio disparassem.
O Equador também militarizou a cidade de San Lorenzo, na região fronteiriça com a Colômbia, no final do ano passado, devido a violentos confrontos entre grupos criminosos na área.
‘GUERRA TOTAL’
Em discurso em Davos na terça-feira (20), Noboa afirmou que sua nação estava travando “uma guerra total contra o mal e o narcoterrorismo”.
Noboa afirmou que o Equador não recebeu “nenhuma cooperação” e citou um déficit comercial anual superior a US$ 1 bilhão. O déficit nos primeiros 10 meses do ano passado totalizou US$ 838 milhões, segundo o Banco Central do Equador.
Segundo os dados mais recentes do instituto de estatística da Colômbia, o Equador recebeu 3,6% das exportações colombianas em novembro, tornando-se o sexto maior destino das exportações do país. Os Estados Unidos foram o maior, representando 27,1%.
O Equador importa energia elétrica da Colômbia, o que é crucial em períodos de seca, quando as barragens hidrelétricas secam, além de medicamentos e pesticidas.
O anúncio das tarifas contra o maior vizinho do Equador ocorre após a imposição de uma tarifa de 27% sobre as importações do México, a segunda maior economia da América Latina, em fevereiro, pouco depois de os EUA anunciarem suas próprias tarifas contra o México.
As relações entre o Equador e o México azedaram devido ao asilo concedido pelo México ao ex-vice-presidente Jorge Glas em sua embaixada em Quito, que o Equador invadiu em 2024, prendendo Glas e lhe impondo outra longa pena de prisão por acusações de corrupção.
Na terça-feira, o presidente colombiano Gustavo Petro compartilhou no canal X uma imagem de Glas, que também possui nacionalidade colombiana, aparentemente tirada de uma videochamada da prisão, afirmando que ele apresentava sinais de tortura psicológica e que deveria ser libertado.
Os advogados de Glas sustentam sua inocência e afirmam que sua saúde física se deteriorou gravemente e que lhe foi negado o acesso a medicamentos e à luz solar.
Autor: CNN Brasil







