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Sem observar Neymar, Ancelotti convoca para amistosos – 15/03/2026 – Esporte

Basta começar uma entrevista de Carlo Ancelotti para que o assunto apareça cedo ou tarde. Desde que assumiu a seleção brasileira, em maio do ano passado, o treinador é insistentemente questionado sobre Neymar, que até hoje não atuou sob o comando do italiano e mantém em aberto a dúvida sobre sua presença na Copa do Mundo deste ano.

A resposta poderá, enfim, começar a ser dada nesta segunda-feira (16), quando Ancelotti divulgará a última convocação para amistosos antes da lista final para o Mundial.

Há disputas abertas em praticamente todas as posições, especialmente no ataque, setor em que Neymar tenta se encaixar. Os amistosos contra França e Croácia, nos dias 26 e 31 de março, serão decisivos para os candidatos a integrar a delegação brasileira.

O camisa 10 do Santos teve recentemente a chance de ganhar a confiança do técnico, mas não conseguiu se apresentar diante do Mirassol, no último dia 10, quando Ancelotti foi ao estádio Campos Maia, no interior de São Paulo, justamente para observá-lo. A comissão técnica do time alvinegro informou que o jogador foi cortado da partida por desgaste muscular.

Mesmo ciente previamente da ausência do atleta, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) manteve os planos e levou o treinador a Mirassol.

Neymar teve 12 dias de preparação para o jogo, mas, em vários treinos, fez apenas trabalhos físicos e não participou das atividades táticas. Só na antevéspera da partida voltou à rotina normal. Ainda assim, foi poupado. Nas redes sociais, desabafou sobre a nova onda de críticas por não ter se apresentado diante de Ancelotti.

“Se eu jogo machucado, como falaram no ano passado, eu estou errado. Se eu penso só em mim, estou errado. Se eu me poupo, estou errado. Se eu jogo com uma dor ou algo que possa agravar, estou errado. Está complicado, hein? Muito difícil acertar, cara. Muito difícil, muito difícil agradar todo mundo”, reclamou.

Sem o camisa 10, quem se destacou foi Gabigol, com dois gols em oito minutos, evitando a derrota do Santos na partida, que terminou empatada por 2 a 2.

Neymar não atua pela seleção desde outubro de 2023, quando se machucou na partida contra o Uruguai, pelas Eliminatórias. Na ocasião, sofreu uma das lesões mais graves da carreira, com ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Ficou quase um ano sem jogar.

Desde que retornou ao Santos, no início do ano passado, voltou a sofrer com problemas físicos, o que também o impediu de vestir novamente a camisa da seleção brasileira.

Nesse intervalo, outros atacantes se destacaram e aumentaram a concorrência no setor. Ao todo, oito jogadores devem ser chamados para a frente ofensiva na Copa do Mundo.

Ao menos quatro nomes estão garantidos: Estevão, Vinicius Junior, Matheus Cunha e Raphinha. Rodrygo é outro que certamente faria parte da lista, mas sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior e no menisco lateral do joelho direito, lesão que o tirou do Mundial.

João Pedro e Gabriel Martinelli também aparecem com vagas bem encaminhadas. Com isso, uma longa lista de atletas —entre eles Endrick, Igor Jesus, Kaio Jorge, Richarlison e o próprio Neymar— disputa as duas vagas restantes no setor ofensivo.

Se no ataque há fartura de opções, as laterais seguem como uma dor de cabeça para Ancelotti. Vanderson e Caio Henrique, ambos do Monaco e vistos como alternativas importantes para posições carentes da seleção, não poderão ser chamados porque sofreram lesões.

O problema, porém, não é novo. Ao longo de todo o ciclo, nem a direita nem a esquerda tiveram donos sob o comando do italiano. Pela esquerda, Caio Henrique foi o mais utilizado, com quatro partidas, à frente de concorrentes como Alex Sandro, Douglas Santos e Carlos Augusto. Pela direita, Wesley lidera em número de aparições, com três, embalado pela boa fase na Roma, onde tem atuado até como meia e pelo lado esquerdo —foi dessa forma, inclusive, que marcou um belo gol no fim de semana, contra a Juventus.

Antes de se machucar, Vanderson era outro nome bem avaliado pela comissão técnica. Já Paulo Henrique aproveitou as oportunidades que teve na seleção, mas perdeu força após a queda de rendimento no Vasco. Ao todo, Ancelotti já convocou dez laterais diferentes, retrato de uma disputa ainda aberta e de um setor que segue sem definição às vésperas da lista final.

Autor: Folha

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