domingo, março 15, 2026
25.7 C
Pinhais

Pediatras nos EUA relatam pais desinformados sobre vacinas – 15/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

Enquanto examinava Asher, de 11 dias de vida, seu oitavo paciente do dia, Alissa Parker conversou com os pais dele sobre seus hábitos de sono, o coto do cordão umbilical que ainda não havia caído e uma erupção cutânea inofensiva em seu bumbum.

Nove minutos após o início da consulta, ela sondou gentilmente: eles tinham pensado mais sobre uma vacina que protegeria Asher do vírus sincicial respiratório? “Não”, eles hesitaram, ainda não.

Parker, enfermeira pediátrica com especialização em prática avançada na Primary Plus, uma clínica comunitária em Ashland, Kentucky, não insistiu. Os pais de Asher, Autumn e James Skaggs, já haviam recusado a vacina contra hepatite B quando ele nasceu e planejavam recusar todas as outras vacinas infantis de rotina.

Em todo os Estados Unidos, profissionais de saúde como Parker estão lidando com um aumento acentuado na hesitação vacinal. Eles estão tentando fazer o que é melhor para a saúde das crianças enquanto permanecem sensíveis e solidários, mesmo suportando o peso da desconfiança e confusão dos pais.

O ceticismo em relação às vacinas já foi uma visão marginal, sustentada por um pequeno grupo de americanos. Mas a pandemia de Covid-19, com suas obrigatoriedades e rápida distribuição de vacinas, deu novo vigor ao movimento antivacina e gerou hostilidade em relação ao sistema médico.

Agora o ceticismo vacinal emana dos mais altos escalões do governo dos EUA. No último ano, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e seus associados questionaram a segurança das vacinas infantis, fizeram declarações falsas sobre sua eficácia e revogaram recomendações de vacinação de rotina contra meia dúzia de doenças.

E apesar de a pediatria ser a especialidade médica com menor remuneração, Kennedy e outros retrataram seus profissionais como gananciosos que promovem vacinas para obter lucros.

Em um levantamento do grupo de pesquisa em saúde KFF e do The Washington Post, divulgada em setembro, 16% dos pais disseram ter pulado ou adiado pelo menos uma vacina infantil além das de gripe ou Covid-19. E as dúvidas sobre vacinas estão cada vez mais se estendendo à recusa de outros pilares da medicina pediátrica, incluindo antibióticos, medicamentos como Tylenol e procedimentos diagnósticos como punções lombares.

Em um hospital em Boise, Idaho, por exemplo, três bebês morreram no ano passado depois que seus pais recusaram uma injeção de vitamina K, administrada a recém-nascidos para prevenir sangramentos, diz Amanda Lee, pediatra de lá.

Os pais sempre tiveram perguntas sobre vacinas, mas Lee e outros pediatras dizem que agora estão descobrindo que sua expertise às vezes é impotente contra a enxurrada de desinformação.

A confiança é a chave

Quando a filha de Bethany Browning, agora com 14 anos, foi hospitalizada com febre ainda bebê, ela diz, uma série de profissionais de saúde a fez se sentir estúpida e ameaçou denunciá-la aos serviços de proteção à criança por fazer perguntas sobre os tratamentos. Ela encontrou aceitação em uma comunidade de “vida natural” que recomendava pular vacinas.

Quatro anos depois, após o nascimento de seu filho, ela conheceu Parker em um grupo de mães que amamentavam. “Pensávamos diferente sobre a questão das vacinas, mas ela nunca me fez sentir que achava que eu era uma mãe ruim”, diz Browning.

Depois de ser hospitalizada duas vezes com gripe, ela percebeu que a infecção poderia rapidamente se tornar perigosa e que nunca se perdoaria se seus filhos fossem prejudicados por ela.

Quando a pandemia começou, diz, os influenciadores em quem confiava “começaram a parecer absolutamente insanos”, rejeitando máscaras e precauções como ficar em casa quando doente.

Ela recorreu a Parker, em quem passou a confiar, e começou a atualizar as vacinas de seus filhos.

Todos os estados exigem certas vacinas para frequentar a escola, mas todos permitem isenções médicas —se uma criança tem câncer, por exemplo— e quase todos aceitam razões religiosas para recusar vacinas. Isenções por motivos pessoais ou filosóficos são mais raras, permitidas em apenas 16 estados, mas os números estão aumentando.

Os Skaggs, o casal no consultório de Parker, não ofereceram uma razão religiosa quando anunciaram sua intenção de recusar todas as vacinas para seu filho. Eles têm dois filhos mais velhos, de 15 e 12 anos, ambos vacinados. Mas estavam tentando “a rota mais natural desta vez”, diz James Skaggs.

Os filhos mais velhos desenvolveram febres por causa das vacinas, mas nunca ficaram doentes além disso, diz ele. Ele acrescentou que ele e sua esposa agora se perguntam se as vacinas tiveram algum benefício ou se podem ter ingredientes prejudiciais que causam autismo ou outros problemas.

Sob a direção de Robert Kennedy, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças mudaram seu site para dizer que “estudos não descartaram a possibilidade de que vacinas infantis causem autismo”. O site anteriormente dizia que estudos rigorosos não encontraram uma ligação entre vacinas e autismo.

A linguagem revisada, diz Skaggs, foi “uma das principais coisas” que o fez mudar de ideia sobre vacinas.

Algumas vacinas, como as contra o sarampo, há muito são alvo de grupos antivacina, que as associaram falsamente ao autismo. Mas a hesitação agora se espalhou até mesmo para pilares da prática médica, como a vacina contra a poliomielite. Como resultado, pediatras podem se ver passando uma consulta inteira explicando a justificativa para uma única vacina, deixando de lado muitos outros tópicos importantes.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas