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Saída de Vera Magalhães do Roda Viva é ‘renovação’ – 07/01/2026 – Mônica Bergamo

A saída da jornalista Vera Magalhães do programa Roda Viva, após seis anos no comando da atração, faz parte de um “movimento de renovação” da emissora. A afirmação é de Maria Angela de Jesus, presidente da Fundação Padre Anchieta, que administra a TV Cultura.

“O Roda Viva é o programa mais longevo da Cultura. Em 40 anos, já teve 14 apresentadores. Essa oxigenação faz parte do perfil da atração”, disse ela, rebatendo declaração do ex-diretor de jornalismo da emissora, Leão Serva, que disse, tanto em post nas redes sociais quanto à coluna, que o ato era “uma burrice”.

Serva foi diretor de jornalismo da emissora entre 2019 e 2023. Ele assumiu o posto com a chegada de José Roberto Maluf à presidência da fundação, durante o governo João Doria. A partir de março de 2023, deixou o posto para ser diretor internacional de jornalismo, acumulando a função com a de correspondente em Londres. Em julho do ano passado, ele foi desligado da empresa.

Segundo Serva, logo após a posse do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em janeiro de 2023, circulou uma lista com nomes de profissionais que seriam demitidos, entre eles o seu e o de Vera Magalhães. À época, diz, José Roberto Maluf renovou contratos por mais três anos, até o fim de 2025 para conter as demissões. Essas renovações foram divulgadas pela própria TV na ocasião.

“O que está acontecendo agora parece uma profecia que se autorrealiza”, afirma Serva. “Mais do que servilidade política, é uma burrice”, diz ele, sobre a saída de Vera nesta semana. O jornalista associou as demissões a uma interferência do governo na gestão da emissora. A TV Cultura e o governo estadual negam que haja qualquer ingerência.

Maria Angela disse que, ao assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta, em junho do ano passado, encontrou uma “situação financeira bastante delicada” e que o seu compromisso foi adotar medidas para conseguir um cenário mais saudável. Uma dessas ações foi o desligamento de Serva, por corte de custos.

“Nós temos toda uma proposta de crescer cada vez mais a emissora dentro do Brasil. Temos que ganhar força financeira para revigorar a marca TV Cultura. Naquele momento, ter um correspondente internacional com custo fixo mensal não era a nossa prioridade —e isso não é uma crítica à gestão anterior, cada uma tem o seu caminho”, diz ela.

“Nesse momento de polarização, você ter uma bancada plural e ter um debate rico é a grande missão do Roda”, acrescenta. Ainda não há uma definição sobre quem substituirá Vera —até o final deste mês serão exibidos programas que já estavam gravados.

Os repasses do governo de São Paulo representam 55% do orçamento da TV Cultura. Em nota, a assessoria de imprensa da gestão Tarcísio afirmou que a emissora atua com plena autonomia editorial e que questões relativas à contratação ou renovação de profissionais são de responsabilidade exclusiva da Fundação Padre Anchieta, sem qualquer participação da administração pública.

com IVAN FINOTTI (INTERINO), DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO

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