quinta-feira, janeiro 8, 2026

Agro do Brasil deve perder espaço para os EUA na Venezuela – 07/01/2026 – Vaivém

A Venezuela não representa muito para o agronegócio brasileiro atualmente, mas, há uma década, era muito importante. Pelo menos 3% das exportações do agronegócio, em 2014, iam para o país vizinho. Atualmente, com a crise econômica vivida pelos venezuelanos, as importações deles representam apenas 0,3% do que os brasileiros exportam nesse setor.

No cenário atual, se ocorrer uma recuperação econômica da Venezuela, o Brasil deverá perder espaço para os Estados Unidos, embora as necessidades de importações venezuelanas possam ser cobertas tanto pelos brasileiros como pelos americanos.

Os dois países disputam o mercado mundial com praticamente os mesmos produtos, à exceção do trigo e do açúcar. No caso do cereal, o Brasil é um dos principais importadores. No do açúcar, o Brasil é líder mundial em exportações, e os Estados Unidos são importadores.

Embora a Venezuela não esteja entre os principais importadores de alimentos do mundo, a política agressiva de Donald Trump fará com que a o país se volte mais para as compras no mercado americano. Afinal, os conflitos comerciais provocados por Trump com os principais parceiros mundiais têm sufocado os produtores americanos.

Em 2014, os brasileiros exportaram o correspondente a US$ 3 bilhões para os venezuelanos. Já os americanos colocaram produtos agropecuários no valor de US$ 1,29 bilhão naquele ano. No ano passado, as exportações brasileiras recuaram para US$ 573 milhões, e as americanas somaram US$ 602 milhões até setembro.

O Brasil colocou no mercado da Venezuela açúcar, soja, óleo de soja, milho, arroz, máquinas agrícolas e produtos agroquímicos. Os Estados Unidos também exportaram milho, arroz, soja, óleo de soja, algodão e trigo. Em 2014, a Venezuela liderava a importação de leite, arroz e de animais vivos do Brasil. Era a terceira maior importadora de carnes e estava entre os principais países na compra de açúcar, milho e algodão.

A importação de arroz pelos venezuelanos continua elevada. No ano passado foram 219 mil toneladas, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Em uma triangulação comercial, os chineses dão garantia à compra do cereal brasileiro pelos venezuelanos.. O volume atual, no entanto, está distante do de 2018, quando as compras feitas pela Venezuela atingiram 593 mil toneladas do cereal.

As exportações brasileiras de arroz atingiram 1,28 milhão de toneladas no ano passado, segundo a Secex. Em 2018, haviam sido 1,46 milhão.

Arroz No último trimestre de 2025, os custos operacionais na produção de arroz caíram em algumas regiões do Rio Grande do Sul em relação aos de igual período de 2024. A queda dos preços, no entanto, foi de 46% no mesmo período, o que levou as margens para o campo negativo de até 12%, segundo o Cepea.

Arroz 2 Para equilibrar as contas nesta temporada, os produtores precisarão aumentar a produtividade de 70%, em Camaquã, a 80%, em Uruguaiana, em relação ao último trimestre de 2024.

Arroz 3 É um volume muito alto para cobrir os custos operacionais, chegando a 200 sacas por hectare em Uruguaiana e a 175 sacas em Camaquã, segundo o Cepea. A produtividades normal fica abaixo das 175 sacas nessas regiões.

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