Você já deve ter ouvido por aí que, com milhas, é possível viajar de executiva pagando preço de econômica. É verdade, mas a disponibilidade de tarifas award (prêmio) nesse tipo de classe é bastante limitada (afinal, são poucos assentos no total) e concorrida —portanto, é mais fácil aproveitá-las viajando sozinho ou, no máximo, em dupla.
Se este é o seu objetivo, vale pesquisar qual é a dinâmica de disponibilidade do voo que você procura. A Lufthansa e a Qatar, por exemplo, costumam liberar tarifas award para suas parceiras mais em cima da hora, às vezes dias antes do voo. Já a Iberia garante dois assentos de executiva em tarifa award em todos os seus voos, e faz isso liberando-os assim que abrem as vendas, um ano antes da decolagem.
Ou seja, para conseguir o seu assento-cama com serviço de bordo servido em louças e cristais, basta se planejar para fazer a emissão com bastante antecedência, ou então ter uma rotina flexível, que lhe permita aproveitar boas ofertas de última hora.
Por isso, é comum que quem aproveita essas ofertas defina suas datas e roteiros de viagem a partir delas, e não o contrário; ou que escolha fazer um trajeto com escalas, só para conhecer executiva de uma determinada companhia a um preço imperdível. Para esses viajantes, a viagem importa muito mais que o destino.
Uma boa alternativa para conhecer boas executivas saindo do Brasil é a rota entre Guarulhos e Buenos Aires. É uma oportunidade de conhecer o serviço de companhias luxuosas (como Emirates, Qatar e Turkish) ou nem tanto (como as aéreas Swiss, Ethiopian, Air Canada) em um voo curto e mais barato.
Em dezembro, por exemplo, o Azul Fidelidade e a Smiles vendiam passagens nesta rota, na executiva da Turkish, por cerca de 65 mil milhas por trecho. Se você conseguiu acumular essas milhas a um custo razoável, esses valores equivalem a cerca de R$ 1.200 —em dinheiro, sairia por R$ 4.000.
Mesmo em milhas, viajar na executiva exige um número de pontos muito maior do que o que se consegue acumular só com cartões de crédito e compras bonificadas. Por isso, uma boa estratégia é ficar atento às promoções de compra de pontos com desconto ou de transferência bonificadas de pontos + dinheiro.
Nessa segunda opção, você paga para transferir à companhia aérea mais pontos do que você tem no saldo do seu programa bancário (Livelo e Esfera). Assim como comprar milhas, fazer isso em geral não compensa, mas boas promoções acabam gerando milheiros muito baratos.
Em outubro, por exemplo, o Esfera (programa de fidelidade ligado ao Santander, mas aberto ao público geral) fez ambas as promoções. Uma terceira promoção também dava 30% de bônus nas transferências para o Iberia Plus, gerando avios (moeda virtual bastante valorizada, utilizada por companhias como British, Qatar e Finnair) a R$ 50 o milheiro —um valor excelente.
Como é possível movimentar avios livremente entre as companhias que os utilizam, é possível conseguir boas emissões em dezenas de outras aéreas pelo mundo, inclusive em executiva e saindo do Brasil. Dá pra ir do Recife a Madri, ida e volta, por 100 mil avios (cerca de R$ 5.000), emitindo pelo Iberia Club; ou de Santiago a Sydney com a Qantas por 125 mil avios (R$ 6.250) por trecho, emitindo pelo Finnair Plus.
Nem sempre as melhores promoções em classe executiva vão partir da sua cidade. Por isso, é comum combinar esses bilhetes com outros (por exemplo, um voo que te leve de São Paulo a Santiago, para de lá seguir para Sydney), emitidos ou não com milhas.
Se você sempre associou milhas a viajar de graça, pagar para ter milhas pode parecer um contrassenso. Mas não necessariamente. O que importa é, no final das contas, que o valor do milheiro seja sempre menor ou igual ao valor pelo qual você os revende para a companhia aérea ao emitir uma passagem com elas —seguindo a conta do valor real que pode ser conferida no último capítulo dessa série.
A combinação do custo de aquisição baixo com emissões baratas, em tarifa award, é o segredo para voar de executiva pagando preço de econômica. Quanto menor o valor real da sua emissão, maior a sua economia.
Tarifas award podem ter preços diferentes em cada programa defidelidade
As tarifas award oferecidas por uma companhia aérea às suas parceiras têm preços diferentes em cada uma delas.
Um assento na executiva da Latam entre Guarulhos e Frankfurt em fevereiro, por exemplo, é vendido pela própria Latam por 535 mil milhas (cerca de R$ 13 mil, uma tarifa comercial), mas pode ser achado por 93 mil avios (equivalenteaR$ 4.650) no Privilege Club, da Qatar, ou por 60 mil avios (equivalenteaR$ 3.000) no Iberia Plus, da Iberia—ambos os programas estrangeiros usam a mesma moeda virtual, os avios,etêm parcerias bilaterais com a Latam.
Por isso, é importante pesquisar bem qual programa oferece a melhor emissão para o seu objetivo.





