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Sem bola de cristal, é difícil responder com toda certeza a essa pergunta, é claro. Mas temos algumas pistas do que 2026 trará em termos da agenda de direitos das mulheres.
Feminicídio
O assassinato de mulheres se projetou como um problema gravíssimo com a onda de casos tenebrosos do final do ano passado —e deve permanecer como um dos grandes temas de discussão.
São Paulo, por exemplo, fechou 2025 com o maior índice de casos desde 2018, quando começaram a ser medidas essas estatísticas. Foram 233 feminicídios e 61,4 mil agressões a mulheres, além de mais de 3.000 estupros. Em janeiro, já há ao menos mais uma morte: Carla Carolina Miranda da Silva, 39, foi esfaqueada na rua no centro da capital paulista. O ex-namorado foi preso.
Como enfrentar a violência contra a mulher ainda é uma pergunta sem resposta clara no Brasil. No ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, os formuladores de políticas públicas precisam se mobilizar para que a legislação —considerada uma das melhores do mundo— se faça cumprir na prática.
Eleições
As eleições gerais de outubro também serão um evento relevante para a agenda feminina. A bancada feminina vem aumentando de tamanho a cada pleito, mas o Brasil segue tendo o menor número de congressistas mulheres da América do Sul.
Agora é tarde para discutir uma mudança na lei eleitoral que possa reverter esse dado (e nossos legisladores nunca demonstraram disposição para estabelecer cotas de cadeiras ou um modelo de lista fechada, que funcionaram em países como México e Argentina). Resta saber se a tendência de aumento da presença feminina se confirmará de novo em 2026, e também prestar atenção ao fenômeno das candidaturas-laranjas, que afetam desproporcionalmente as mulheres.
Aborto
Ainda falando em eleições, o tema sempre dá as caras no processo de escolha de um novo presidente. Em 2026, não deve ser diferente. Como candidato à reeleição, será importante manter o radar ligado nas declarações de Lula sobre aborto, que historicamente são em cima do muro. O petista costuma dizer que é contra o procedimento e que esse é um assunto para o Congresso, não o Executivo. Ao mesmo tempo, já disse mais de uma vez que o considera um problema de saúde pública.
A rejeição do eleitorado conservador à questão pode também influenciar decisões do governo federal neste ano e o apoio que sua base dará ao tema no Legislativo. No fim de 2025, a Câmara aprovou um projeto para invalidar a resolução do Conanda (Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente) sobre aborto legal em menores de idade. O texto agora está no Senado.
Copa do Mundo
Para não falar só dos desafios, 2026 também será o esquenta do próximo Mundial de futebol feminino. O torneio acontecerá no Brasil no ano que vem. Por isso, o país deve receber a Copa América feminina, entre março e abril —Porto Alegre se voluntariou para sediar o evento.





